Radar ESG: veja novos destaques sobre sustentabilidade de junho

Veja algumas notícias rápidas e agenda de eventos sobre questões socioambientais pertinentes ao mundo dos negócios e sustentabilidade no Brasil:

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ESG é principal risco na mineração

Um estudo da consultoria e auditoria KPMG com 300 executivos do setor de mineração em 23 mercados, inclusive, o brasileiro, mostra que mais de 70% dos entrevistados esperam disrupção na indústria em função do ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança) nos próximos três anos. O risco mais citado pelos entrevistados nesta 12ª edição do relatório foi o ambiental que, no ano passado, havia ficado em quinto lugar. Já o impacto da covid-19 nos negócios não foi citado.

O sócio líder de mineração da KPMG, Ricardo Marques, destaca que os principais riscos enfrentados pela indústria de mineração continuam vindo de fora, e não de dentro do setor. Os preços das commodities, os riscos de permissões e o acesso a reservas ainda são questões-chave para os executivos, mas começa a serem globalmente observados a recuperação econômica e sustentabilidade. "Esta crescendo a aceitação por questões internacionais mais crônicas, incluindo ESG, mas elas precisam ser abordadas de forma mais proativa”, diz.

Uma maneira de reduzir as emissões de carbono é por meio da adoção de novas tecnologias - com 87% dos executivos acreditando que a tecnologia desempenha um papel fundamental para solucionar os desafios do ESG. Quase metade dos executivos (46%) vê a inovação tecnológica como uma fonte de grande disrupção no setor nos próximos três anos, e todos estão determinados a aproveitar isso como uma oportunidade e não como uma ameaça.

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Fornecedores são pouco cobrados por metas climáticas

A consultoria Luvi One e a fintech arara.io, realizaram a segunda edição do estudo sobre como as empresas acompanham as políticas de sustentabilidade de seus fornecedores. O principal resultado foi que só 22% avaliam critérios ESG de sua cadeia produtiva. Quando se trata de estabelecer contratos com critérios climáticos, sociais e de governança, a proporção cai para 16%. O levantamento analisou 404 empresas, todas listadas na B3, excluindo empresas do mesmo grupo, verificando os relatórios publicados, a presença de metas abertas e específicas para reduzir impactos ambientais, se a empresa considera os ODS, a metodologia GRI e seus atos de gestão ambiental e sustentabilidade.

Para o economista Felipe Gutterres, Diretor da Luvi One e coordenador do levantamento, buscar a sustentabilidade da cadeia de suprimentos é o maior desafio das empresas hoje, já que 70% a 90% dos riscos ESG estão entre os fornecedores, ou seja, fora das estruturas das grandes companhias.

No que tange às ações sobre as fontes de energia, 41% das empresas estabelecem compromissos para consumo energético sustentável. Ano passado, eram apenas 29%. Também no item energia, o número de empresas com metas específicas – quando são estabelecidos prazos e percentuais de redução – aumentaram de 11% para 21% do total das integrantes da B3, o maior percentual se comparado com os compromissos para outros tipos de reduções, como desmatamento, água, emissões e resíduos.

GRI cria novo padrão setorial para agricultura, aquicultura e pesca

O GRI - Global Reporting Initiative, organização internacional de padrões adotados por empresas, governos e outras organizações para comunicar seus impactos em questões como mudança climática, direitos humanos e corrupção, lançou o novo Padrão Setorial GRI para agricultura, aquicultura e pesca, o GRI 13. O GRI 13 pode ser utilizado para relatos de pequenas a grandes empresas na cadeia agroindustrial, independentemente do tamanho, tipo ou localização geográfica. O novo padrão lista temas obrigatórios para os relatórios, divididos em sete macros principais, 1) Clima e Meio Ambiente; 2) Práticas de Agricultura e Pesca; 3) Alimentação e Saúde; 4) Direitos Humanos e Comunidades; 5) Meios de Subsistência Equitativos; 6) Emprego; 7) Ética e Governança.

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De acordo com o GRI, a norma é dividida em duas seções. A primeira apresenta uma visão geral dos setores aos quais se aplica, suas atividades, cadeia de suprimentos e relação com fornecedores e terceiros. Na segunda seção, são descritos os tópicos que provavelmente serão temas materiais a serem trabalhados, como: segurança alimentar, saúde e bem-estar animal, saúde do solo, uso de pesticidas, emissões atmosféricas, biodiversidade, adaptação às mudanças do clima, desperdício, entre outros.

O GRI 13 se aplica a toda a cadeia de valor desses negócios e a instituição informa que o fato de setores do agronegócio estarem abarcados na nova GRI 13, não significa que os padrões universais 2021 deixarão de ser utilizados como ponto de partida para a emissão dos relatórios ESG.

Solar Coca-Cola prevê uso de 100% de energias renováveis até 2025

A Solar Coca-Cola, fabricante e comercializadora de bebidas, que atua nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, lançou a 3º edição do seu Relatório de Gestão e Sustentabilidade, apresentando iniciativas realizadas ao longo de 2021. O documento adota as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) como metodologia e, além de divulgar informações financeiras, mostra o posicionamento das agendas de ESG com o compromisso de se tornar referência no território e setor no Brasil.

No ano passado, a Solar recolheu 1.221 toneladas de sucata de PET, além de fechar o ano com a utilização de 1.957 toneladas de resina reciclada (13%), superando a meta de 11%. O foco é manter a meta para um Mundo Sem Resíduos. Ainda no pilar ambiental, a companhia possui mais da metade da demanda de energia atendida por fontes renováveis, a previsão é chegar a 100% até 2025.

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Outros temas apresentados são as ações voltadas para a área social: iniciativas relacionadas à pandemia e a outras situações de emergência e avanços na consolidação de Inclusão & Diversidade. Em 2021, por meio da plataforma Coletivo, 23,6 mil jovens foram treinados, para apoiá-los na busca do primeiro emprego, além de outros projetos.

Marisa e Raízen vão levar energia renovável a 35 lojas

A rede varejista têxtil Marisa e a produtora de biocombustível Raízen fecharam um acordo para levar energia sustentável a 35 lojas e um centro de distribuição em sete estados do Brasil. A Marisa tem como meta contar com energia limpa em 75% de seus espaços até 2023. As novas áreas se unem às cinco lojas de Minas Gerais que já utilizam o sistema sustentável de energia e irão contribuir para a redução do impacto ambiental nas instalações da Companhia. Com o consumo de energia limpa mais barato, a marca ainda irá evitar a emissão de 764 toneladas de carbono em um ano.

“A Marisa vem avançando cada vez mais no uso de energia de fontes renováveis. Em 2021, 61% dos nossos espaços, como lojas, centros de distribuição e escritórios, passaram a ser abastecidos com energia limpa”, afirma Erika Petri, diretora de RH e Sustentabilidade da Marisa.

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De acordo com Frederico Saliba, vice-presidente de Energia e Renováveis da Raízen, com a parceria, as unidades da Marisa também receberão I-RECs (Certificados de Energia Renovável), um sistema global de rastreamento, para garantia da energia renovável fornecida. “Nesta parceria com a Lojas Marisa, utilizamos como fonte de energia o sol, resíduos da cana-de-açúcar e outras fontes limpas, sendo que toda energia fornecida será certificada pelo I-REC Standard, garantindo sua origem limpa, renovável e que atende aos mais altos padrões de sustentabilidade energética”, comentou Saliba.

Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade é lançado

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) acaba de criar o Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), que terá a função de estudar, preparar e emitir documentos técnicos sobre divulgação das práticas ESG para serem adotados pelos reguladores no Brasil.

O novo comitê vai interagir com o International Sustainability Standards Board (ISSB), cuja criação foi anunciada pela Fundação IFRS na Conferência das Partes da ONU, a COP26, em Glasgow, no Reino Unido, em novembro de 2021.

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O objetivo do ISSB é fornecer uma base global de padrões de divulgação relacionados a sustentabilidade, que forneçam aos investidores e outros participantes do mercado de capitais informações sobre os riscos e oportunidades das empresas, para ajudá-los a tomar decisões em melhores bases informacionais.

Empresas aderem a manifesto pela economia circular

Cartorze empresas, entre elas organizações de grande porte, assinaram o Manifesto para a Transição Circular, elaborado pelo Hub de Economia Circular Brasil (Hub-EC), formalizando assim o compromisso com um novo equilíbrio econômico. “O manifesto foi pensado e criado como uma ferramenta para educar o mercado, as diversas áreas do negócio e engajar a cadeia de valor. Por isso, queremos que outras empresas, instituições e órgãos públicos assumam o compromisso de colocar a economia circular em suas principais prioridades e metas”, diz Beatri Luz, diretora do Hub-EC.

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Entre os pontos abordados no manifesto, reitera que a definição de lucro e de geração de valor se dá, agora, por uma nova régua econômica, que inclui as fases de design, seleção de matérias-primas, uso e pós-uso de um produto. Assinam o manifesto, que está aberto a novas adesões, Electrolux, Gerdau, Covestro, Nespresso, Tomra, Plastiweber, RCRambiental, Wise, Sinctronics/Flex/Fit, Rhein Advogados, IPT, Senai CETIQT, Cebri e Cempre.

Indicadores Ethos ganham nova versão

Ferrramenta para gestão ESG para empresas, os Indicadores Ethos foram reformulados e ganharam uma nova versão que será apresentada no dia 30 de junho, em um evento on-line no canal do I|Instituto Ethos. Entre as novidades estão a adesão a normativas internacionais como as Diretrizes OCDE para Empresas Multinacionais, os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos (POs/ONU), GRI Standard, ISO 26000 e Measuring Stakeholder Capitalism: Towards Common Metrics and Consistent Reporting of Sustainable Value Creation.

Segundo a instituição, outra novidade é a possibilidade de representantes do Ethos realizarem serviço de conferência dos dos questionários preenchidos. De acordo com o Ethos, O objetivo é acompanhar a evolução das empresas e estabelecer um padrão público para reconhecer a transparência, os melhores desempenhos e as melhores práticas.

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CNI debate ESG e economia de baixo carbono no Enai

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promove nesta quinta-feira, dia 30 de junho, o 13º Encontro Nacional da Indústria (Enai). O tema do evento é “O desafio da década: construindo o Mapa Estratégico da Indústria 2023-2033” e terá dois painéis sobre sustentabilidade. Às 10h10, o assunto é Economia de Baixo Carbono; às 15h40, Capitalismo de Stakeholders e ESG.

De acordo com a CNI, o Mapa Estratégico da Indústria é elaborado com o apoio de representantes das federações estaduais e associações setoriais, que reúne diretrizes para ações ou políticas públicas, com o objetivo de tornar a indústria brasileira mais competitiva, inovadora e sustentável. O Enai vai se realizar das 8h30 às 16h30, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) em Brasília. Mais informações e inscrições em https://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/enai/.

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Incorporadora prevê reduzir emissões em 50%

A Tegra Incorporadora projeta diminuir até 2030 as emissões diretas de carbono e seus empreendimentos em 50%, influenciar a redução das emissões indiretas em 15% e compensar 110% do residual, de acordo com o Relatório Anual de Sustentabilidade da empresa, recentemente divulgado. Em 2021, o total de emissões das obras da Tegra foi de 43.692,47 toneladas.

As obras da Tegra já adotam o concreto Spectra, desenvolvido em parceria com a Votorantim Cimentos e que garante 16% menos emissões de CO2 na fabricação. E desde 2019, a incorporadora compensa, via compra de créditos, 100% das emissões das obras nos escopos 1, 2 e 3, que inclui o impacto dos fornecedores.

“Esse resultado ( a redução das emissões) será alcançado por meio de uma matriz energética totalmente renovável, da redução do consumo de energia e de água, da diminuição de emissões nas obras, nos escritórios e nos estandes, da política de compras e avaliação de fornecedores e da compensação do residual das emissões”, diz Angel Ibañez, diretor de suprimentos e ESG da empresa.

Semana de Sustentabilidade do BID Invest

Vai até sexta-feira, dia 1º de julho , a Semana de Sustentabilidade 2022, evento anual promovido pelo BID Invest – o braço privado do Grupo BID e tem o objetivo de discutir soluções concretas para acelerar o financiamento à sustentabilidade. Realizado no formato híbrido, a partir de Miami (EUA), o evento conta com a participação de mais de 2.000 pessoas, entre elas líderes dos setores privado e governamental brasileiro, e um total de 50 palestrantes globais abordando temas como ação climática, cadeias de valor sustentáveis, transformação digital, transição justa, inovação financeira e países pequenos e insulares.

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De acordo com os organizadores, nos últimos anos, os investimentos sustentáveis dispararam, com aportes globais em questões ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG), que devem chegar a US$ 50 trilhões até 2025 -- significativo aumento comparado aos US$ 35 trilhões em 2020. Na América Latina e no Caribe, títulos verdes, sociais e sustentáveis mais que dobraram em dois anos, com um mercado estimado em US$ 48,6 bilhões. A região abriga de 40% da biodiversidade do planeta, ficando assim em uma posição privilegiada para aproveitar essas oportunidades de investimento sustentável. Em https://greenfinancelac.org/pt-br/recursos/eventos/semana-da-sustentabilidade-2022-do-bid-invest/.

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