Radicado no Rio, estilista baiano encabeça projeto para ajudar costureiras a passar pela crise de saúde

Gilberto Júnior
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Sidineia Araujo de Freitas Souza

Sidineia Araujo de Freitas Souza acorda todos os dias às oito da manhã. O primeiro compromisso é com a mãe, que sofre de Alzheimer. Na sequência, prepara o almoço para a família. Com a casa em ordem, está pronta para encarar a máquina de costura até alta madrugada. “Sou costureira há quase duas décadas. Aprendi o ofício enquanto trabalhava em casa de família. Minha ex-patroa era dona de uma confecção e eu gostava de ficar observando as meninas”, conta a carioca de 49 anos. “Desde que o novo coronavírus ganhou força no Brasil, estou focada em produzir máscaras. Faço uns cem exemplares diariamente. Parece pouco, mas me viro sozinha.”

Moradora de Belford Roxo, região metropolitana do Rio, Sidineia é uma das contempladas pela campanha Bem Cuidado, parceria da ONG Pipa Social, da Werner Tecidos e do estilista baiano Guto Carvalhoneto. A ideia é ajudar as costureiras, com remuneração justa, e a população da comunidade Santa Marta, que ficará mais protegida com o acessório. “Fiquei pensando em maneiras de socorrer essas profissionais depois de ficar sabendo que estavam pagando apenas R$ 0,25 por máscara. Isso pegou. São essas mulheres que tornam nossos sonhos reais, e elas são tão desvalorizadas pela indústria”, diz Carvalhoneto.

Para colocar o plano em prática, o designer, radicado no Rio desde 2005, conseguiu uma doação de 100 metros de algodão branco com a Werner. “E cada morador vai receber ainda um tabletinho de sabão para lavar duas ou três vezes o item de proteção. É algo simbólico, mas importante”, comenta ele, que produz máscaras para venda e doação em sua marca homônima. “São nesses momentos que nós podemos nos tornar grandes.”

Aos 67 anos, dona Tuca também está envolvida na ação. Aposentada, a carioca, que já bateu ponto na fábrica da Maria Bonita, enxerga essa campanha como uma maneira de contribuir ativamente na luta contra a Covid-19. “Sou nascida e criada no Santa Marta e quero ajudar meus vizinhos. Estou nessa missão de coração. É um jeito de passar meu conhecimento, e de aprender também. Costurar é um aprendizado diário. Nunca dominamos tudo.”

Sidineia acrescenta: “As pessoas não olham para a gente, né? Não se tocam que a roupa que elas vestem somos nós que confeccionamos. Estamos tendo a chance de socorrer quem está próximo. Não é todo mundo que pode pagar por uma máscara.”