Rainha da Sofrência, Marília Mendonça se destacou como compositora aos 12 anos e explodiu aos 20, no Feminejo

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Conhecida como Rainha da Sofrência, Marilia Mendonça, que morreu aos 26 anos num desastre aéreo nesta sexta-feira (dia 5) à tarde, em Minas Gerais, se destacava como compositora desde os 12 anos de idade. “É com ela que eu estou”, de sua autoria, fez sucesso na voz de Cristiano Araújo, que também teve morte trágica em 2015, num acidente de carro. “Até você voltar” e “Cuida bem dela”, outras composições da goiana, estouraram na voz da dupla Henrique & Juliano.

Mas foi aos 20, quando se lançou como cantora com seu primeiro DVD, homônimo, que Marília Mendonça ganhou fama pelo Brasil inteiro. Do trabalho saíram músicas que viraram grandes hits e a projetaram: “Sentimento louco” e “Infiel”. Esta, se tornou uma das músicas mais cantadas e tocadas do ano de 2016 no país e recebeu certificado de disco de diamante triplo. Numa participação no programa “Lady night”, de Tata Werneck, no Multishow, a loura explicou a inspiração para a letra de “Infiel”.

“Minha tia foi casada por muitos anos e, de repente, descobriu que o marido estava traindo ela. Só que, além de estar traindo ela, ele arrumou um filho fora do casamento. E aí, eu fiquei com muita raiva, fiz a música e fui mostrar para ela. Mas não adiantou nada, ela está com ele até hoje”, detalhou Marília, no programa que foi ao ar em 2017.

Marília contava ter mais de 300 composições baseadas na sofrência, e disse que tudo começou com experiências próprias:

“Tudo na minha vida foi precoce, meu primeiro chifre foi aos 12 anos de idade. Eu namorava de pegar na mão, só que eu namorava um menino mais velho, e como eu gostava dele, minha mãe falava, pode namorar”, relatou no mesmo programa.

Marília também foi uma das representantes do chamado movimento Feminejo, que empoderou mulheres da música sertaneja, um segmento até então predominantemente masculino. Ao lado dela, nomes como Maiara & Maraísa, Naiara Azevedo, Simone & Simaria e Paula Mattos ganharam força no cenário musical nacional, no rastro de Paula Fernandes, Roberta Miranda e Inezita Barroso.

Em entrevista a um Especial Sertanejo publicado pelo EXTRA em 2017, Marília destacou a importância de ter sido gravada por cantores e duplas de homens:

— O Feminejo eu vejo como um espaço que conquistamos, um lugar nosso, e demorou muito para a mulher chegar e ter este espaço como os homens têm nos palcos do Brasil. Mas eles, os cantores, as duplas de homens, estes artistas ajudaram demais a gente, afinal, foram eles que gravavam nossas composições, e assim tudo foi acontecendo, as pessoas começaram a saber quem era a gente.

Marília ensaiava uma turnê na companhia das irmãs e amigas Maiara e Maraísa para o início de 2022. O espetáculo “Festival das Patroas” seria apresentado em Belo Horizonte no dia 19 de março; no Rio de Janeiro, em 2 de abril, na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca; em São Paulo no dia 9 de abril e em Brasília no dia 28 de maio de 2022.

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