Rainha grávida, alegoria de Wakanda e médicos da Covid-19: saiba o que cada escola do Grupo Especial prepara para o retorno à Avenida

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Os últimos momentos antes da largada oficial no espetáculo do samba na Marquês de Sapucaí são de "explodir o coração" de todos os amantes das 12 escolas do Grupo Especial, que se apresentam nesta sexta-feira (22) e neste sábado (23). "Na maior felicidade", as agremiações entram oficialmente na Avenida pela primeira vez desde o início da pandemia, em um reencontro marcado por surpresas, homenagens e muita inovação.

Os desfiles começam às 22h e cada escola terá entre 65 e 75 minutos para mostrar o seu espetáuclo. A abertura dos portões será a partir das 19h e será preciso apresentar comprovante de vacinação contra a Covid-19 para entrar na Sapucaí. Vale tanto o físico como o digital.

Veja o que cada escola preparou para os desfiles deste fim de semana:

O retorno da Imperatriz Leopoldinense à Marquês de Sapucaí também é marcado pela volta da carnavalesca Rosa Magalhães à escola onde comemorou títulos em 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001. Homenageando outro grande carnavalesco da escola, Arlindo Rodrigues, que morreu em 1987 e foi um dos artistas pioneiros da Escola de Belas Artes no carnaval. O desfile promete ter a cara e o jeito do artista, com tradição, nostalgia e características do passado. Outro grande destaque da Imperatriz Leopoldinense é a cantora Iza, que já defendia a escola, mas estreia, hoje, como rainha de bateria no grupo especial.

Sob o comando de Priscilla Motta e Rodrigo Negri, a Comissão de Frente da Estação Primeira de Mangueira promete novidades no desfile desta noite. O casal já fez uma grande comissão na União da Ilha, nos desfiles da Série Ouro desta quarta-feira. A escola entra na avenida em um estilo mais clássico, mais verde e rosa que o habitual. A rainha de bateria é Evelyn Bastos, da comunidade, já conhecida por suas interações com a bateria. Com o olhar do carnavalesco Leandro Vieira, a Mangueira vem exaltar grandes personalidades da história do samba: Cartola, Jamelão e Mestre Delegado.

Outra Comissão de Frente que guarda grandes surpresas é a do Salgueiro. Sem contar, claro, com a presença ilustre da rainha de bateria Viviane Araujo, que vai desfilar grávida. A escola, que tem como enredo deste ano a "Resistência" e apresentará espaços representativos da cultura negra carioca, também vai trazer, no último carro, uma encenação que simula a queda do racismo em plena Sapucaí.

A São Clemente chega na avenida com uma homenagem ao ator Paulo Gustavo, que morreu há pouco menos de um ano em decorrência de complicações da Covid-19. Com presença de muitos artistas — Tatá Werneck, Mônica Martelli, Ingrid Guimarães, Marcus Majella são alguns deles —, a escola vai manter a irreverência e o bom humor típicos do ator para retratá-lo. Uma das figuras mais esperadas é a mãe de Paulo, Déa Lúcia, que vem logo no abre-alas. Outra novidade da escola é o comando do carnavalesco Thiago Martins, estreante no grupo especial.

Campeã de 2020, a Viradouro quer levar o público a um passeio pela história, e volta ao ano de 1919, quando aconteceu a primeira folia após uma pandemia. Em um dos setores, a escola traz para a avenida um grupo de médicos que trabalharam na linha de frente contra a Covid-19. Na frente desse mesmo carro, haverá encenação da saída de pessoas dos hospitais, como aconteceu nas unidades de saúde ao longo da pandemia. E vai ter fofura também. A velha guarda prepara uma surpresa que promete deixar todo mundo morrendo de amores. O samba é diferente e ousado, feito em forma de carta, e carrega expectativa em saber se vai ou não funcionar bem na avenida.

A azul e branca da Baixada Fluminense vai trazer, em seu desfile, vários escritores negros vestidos com fardas acadêmicas. A ideia é "empretecer o pensamento" com o enredo. A escola também terá encenações que relembram casos de violência contra pessoas negras. Um dos casos relembrados pela Beija-Flor é o de George Floyd, nos Estados Unidos. Outro elemento que merece atenção é o abre-alas da escola, que chega na paleta de preto e azul.

O desfile deste ano marca a estreia do carnavalesco Paulo Barros na Paraíso do Tuiuti. Em uma tentativa de revanche — tanto de Barros quanto da escola, que tiveram resultados ruins no último carnaval —, a expectativa é de muito malabarismo e traquitanas clássicas do trabalho do carnavalesco, inclusive em um carro com temática de Pantera Negra, "Wakanda". Em um estilo mais futurista, Paulo Barros irá representar a África em seu primeiro enredo com o tema.

Com um enredo que gira em torno do Baobá, a "árvore da vida", uma das maiores expectativas da Portela é a clássica águia, sempre uma surpresa para o público. De qualquer maneira, há de se esperar muita novidade na escola de Renato Lage, que ganhou o Estandarte de Ouro 2020 de inovação pelo abre-alas. Este ano, o carro do baobá é considerado um dos mais bonitos da Cidade do Samba.

Orixá das matas e da caça, Oxóssi é o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel este ano. Com a bateria e sua rainha, Giovana Angélica, carecas, a escola promete uma passagem de arrepiar pela avenida. A Comissão de Frente também prepara surpresas, e vai representar a energia do orixá caçador. O samba e a bateria — cheios de paradinhas, bossas e até timbau — também são dois grandes destaques da escola e já vinham fazendo sucesso no pré-carnaval.

A Unidos da Tijuca vem contar a história da criação do guaraná neste sábado. Um das atrações mais interessantes da escola é a presença de Wic Tavares, a Wictória, como cantora da escola. A filha do intérprete Wantuir fez sucesso nas disputas de samba, defendeu o samba campeão e foi alçada à interprete oficial. Outra atração da escola serão as cores. A Unidos da Tijuca pode ser uma das escolas com mais uso e abuso das cores, em uma paleta muito diversa e chamativa.

Os caminhos de Exu levam a Grande Rio pela avenida na penúltima apresentação do segundo dia de desfiles. Uma das principais atrações é, sem dúvida, a atriz Paolla Oliveira, rainha da bateria da escola de Duque de Caxias pela quarta vez. Outro elemento que vai dar o que falar na escola é o último carro, totalmente composto por lixo de antigos carnavais e material recolhido pela Associação de Catadores do Jardim Gramacho. A escola vem em ritmo de grandiosidade, com presença de carros alegóricos que nem couberam dentro do barracão, muito elaborados e cheios de elementos.

Maritnho da Vila é o grande homenageado da Unidos de Vila Isabel neste carnaval. O cantor virá com família e amigos, todos no desfile. Elemento interessante da apresentação serão as saias das baianas, que terão luzes de led em homenagem a todas as pessoas que morreram durante a pandemia de Covid-19. A ideia é que as luzes representem estrelas no céu. O abre-alas da escola também trará uma versão estilizada do Morro dos Macacos todo em tons de azul. Além disso, a figura ilustre da rainha de bateria Sabrina Sato também é uma das atrações mais esperadas da azul e branco.

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