Raio-X do Brasil na Copa do Catar: tudo que você precisa saber sobre a seleção em busca do hexa

(com horários de Brasília)

A estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo do Catar, nesta quinta-feira, às 16h (de Brasília) será contra os sérvios, que também foram adversários na fase de grupos da Copa de 2018. Naquela ocasião, na terceira rodada, o Brasil venceu por 2 a 0, e a Sérvia foi eliminada. Desta vez, o técnico Dragan Stojkovic e seus comandados têm buscado transmitir confiança em um final diferente.

Nesta quarta-feira, véspera do jogo, Stojkovic ironizou a formação ofensiva do Brasil na estreia —falaremos disso mais abaixo — e perguntou se "vai jogar alguém lá atrás". O técnico Tite, em entrevistas antes da estreia na Copa, preferiu fazer mistério sobre a escalação.

O termo "Neymardependência" foi incansavelmente usado pela imprensa brasileira na última década, sobretudo depois das eliminações nas duas últimas Copas do Mundo (a de 2014, quando os anfitriões perderam por 7 a 1 para a Alemanha, com o craque fora por lesão, os brasileiros preferem esquecer...). Mas o surgimento de uma geração talentosa de atacantes fez a expressão cair em desuso e obrigou o técnico Tite a encontrar espaço para encaixar tantos jovens.

Até o ano passado, Tite não conhecia Raphinha. O próprio treinador reconheceu em entrevista recente que foi sua equipe de scouting que observou o então atacante do Leeds, que se transferiu para o Barcelona no último verão por cifras milionárias. Hoje, Raphinha é titular ao lado de jogadores como Richarlison (Tottenham) e Lucas Paquetá (West Ham), também estreantes. Antony, que trocou o Ajax pelo Manchester United, estreou pelo Brasil em novembro de 2021, assim como Raphinha, e conquistou seu lugar.

A lista de opções é longa: Vini Jr colhe os frutos de seu amadurecimento no Real Madrid e tende a aparecer entre os titulares na estreia contra a Sérvia. Tite deve iniciar a Copa com a formação que permite o maior acúmulo de jogadores ofensivos em campo, e que passou a ser testada no fim deste ciclo pré-Copa justamente para acomodar Vinicius entre os titulares. Com isso, o volante Fred, um dos jogadores mais regulares da seleção, deve estrear no banco de reservas na Copa.

“Na época da Copa América de 2019, não tínhamos o Antony, o Raphinha. Vini ainda estava se adaptando ao Real e Gabriel Martinelli ainda completando treino conosco. Essa geração chegou e opa! Foi a afirmação deles que deu essa condição (de poder jogar com até cinco atletas ofensivos ao mesmo tempo)”, disse Tite, em outubro, em entrevista ao GLOBO.

O toque de experiência está na defesa: Alisson joga sua segunda Copa como titular, enquanto o zagueiro Thiago Silva, aos 38 anos, se prepara para sua quarta participação — a terceira consecutiva como capitão — e para se tornar o mais velho a atuar pelo Brasil em uma Copa. O ponto de equilíbrio é Casemiro, suspenso na partida que marcou a eliminação da seleção na Rússia.

Ah, sim, e tem o Neymar, principal estrela e que agora não terá todos os holofotes apenas para si. Essa divisão de responsabilidades pode ser positiva para o craque do PSG que tenta, enfim, levar o Brasil ao hexacampeonato.

Tite foi o bombeiro que assumiu a seleção brasileira em 2016, quando o time era apenas o sexto colocado nas Eliminatórias Sul-Americanas. “Eu joguei a minha carreira toda naquela oportunidade”, disse em entrevista recente. O treinador tranquilo e de tom professoral classificou o Brasil para a Rússia, mas perdeu para a Bélgica nas quartas de final. Mais experiente e com um ciclo completo para trabalhar com tranquilidade, espera chegar mais longe. “A construção nos dá segurança e confiança. Se vamos ser campeões ou não, é outra história”.

Neymar vai para sua terceira Copa do Mundo e espera, enfim, deixar as críticas para trás. Em 2014, se lesionou nas quartas de final e ficou fora da vexatória derrota para a Alemanha por 7 a 1. Na Rússia, há quatro anos, os vídeos do atacante rolando pelo chão ao sofrer faltas correram o mundo e o transformaram em uma piada mesmo que tenha feito uma Copa com atuações regulares.

Caso não mude de ideia, a do Catar será sua última Copa do mundo e, portanto, a última oportunidade de provar seu amadurecimento como líder desta geração.

A camisa 9 carrega sempre grandes expectativas da torcida brasileira em Copas do Mundo. Há 20 anos, em Yokohama, Ronaldo foi artilheiro do Mundial e brilhou com os dois gols do quinto título, superando a muralha Oliver Kahn. Mas nas duas últimas edições, os centroavantes do Brasil foram decepcionantes: primeiro com Fred e, há quatro anos, com Gabriel Jesus.

Agora, Richarlison vestirá esse número mágico e vive grande fase com a camisa amarela. O Pombo, que trocou o Everton pelo Tottenham, é o vice-artilheiro da seleção neste ciclo, com 16 gols.

(4-3-3) Alisson; Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Paquetá e Neymar; Raphinha, Vinicius Jr. e Richarlison

Variação (com Fred, sem Vinicius Jr.): Alisson, Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Fred e Paquetá; Raphinha, Neymar e Richarlison

Os jogadores brasileiros não fizeram comentários sobre a situação dos direitos humanos no Catar. A CBF tem feito campanhas de combate ao racismo e homofobia nos campeonatos domésticos, mas também não se posicionou sobre as questões da sede da Copa do Mundo.

Quase um século separam música e a letra atual do Hino Nacional. Por volta de 1830, quando Brasil ainda era império, o maestro Francisco Manuel da Silva compôs uma melodia vibrante e triunfal, que permaneceria sem texto até 1909, quando um concurso escolheu a composição poética de Duque Estrada, declarada oficial em 1922, ano do centenário da Independência de Portugal. A letra celebra um país de “povo heroico” e “gigante pela própria natureza”, glorificando as riquezas naturais.

Garrincha. Quando Pelé se machucou na segunda partida da Copa do Mundo de 1962 no Chile, um homem que ficou conhecido como o “anjo das pernas tortas” assumiu a batuta e levou o Brasil à sua segunda Copa do Mundo. Garrincha, lateral-direito do Botafogo, foi uma síntese do jeito brasileiro de jogar futebol. Ele tinha talento de sobra, era despreocupado, adorava driblar e basicamente fazia a festa em campo. O Brasil nunca perdeu quando ele e Pelé jogaram juntos.

Na Copa do Mundo de 1962, Garrincha foi o melhor jogador do torneio, marcando quatro gols. Infelizmente, as coisas não foram tão fáceis para ele fora do campo: ele lutou contra o alcoolismo ao longo de sua vida e morreu de danos no fígado aos 49 anos.