Raio-X da Alemanha na Copa 2022: veja escalação, craque, hino e mais informações

Tabela na 1ª fase

23 de novembro - Alemanha x Japão - 10h

27 de novembro - Alemanha x Espanha - 16h

1 de dezembro - Alemanha x Costa Rica - 16h

O plano

A Alemanha está em um dos pontos mais baixos da história de sua seleção. Nunca, no período pós-guerra, o país havia sido eliminado antes das quartas-de-final em dois grandes torneios seguidos: a vergonhosa eliminação na fase de grupos na Copa de 2018 foi seguida por uma derrota contra a Inglaterra nas oitavas da Euro 2020. O público está se distanciando e a federação até cancelou o slogan "Die Mannschaft" (o time, em português). Na Alemanha, o povo é supersticioso.

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A situação seria melhor se o time de fato jogasse como um "Mannschaft" de novo. O problema não é falta de talento, já que o time titular consiste quase que exclusivamente de jogadores que já venceram a Liga dos Campeões, além de novos bons jogadores revelados recentemente.

Apesar disso, há alguns buracos no time. Ainda não está certo, por exemplo, quem vai jogar como centroavante: com Timo Werner machucado, o favorito é Kai Havertz, que provavelmente fica mais confortável como meia. O técnico, Hansi Flick, surpreendeu quando anunciou a convocação, que incluiu o atacante Youssoufa Moukoko, do Dortmund, de apenas 17 anos, que será uma opção interessante vinda do banco. Mario Gotzer, agora no Eintracht Frankfurt, também foi ao Catar.

Há alguns problemas nas laterais, mas a principal questão está no meio campo: Joshua Kimmich é um ótimo distribuidor de jogo, mas tem sido cada vez mais criticado pelo que é visto como uma fraqueza sua nos desarmes.

O ex-lateral Philipp Lahm já disse para que ele "trabalhe no seu combate defensivo", enquanto Markus Babbel acredita que ele não tem "disciplina tática". Sami Khedira disse que ele não tem "maturidade tática" suficiente. A forma como Hansi Flick vai colocar o time em campo (no 4-3-3 ou no 4-2-3-1) é a grande questão antes da estreia.

Ilkay Gündogan, o capitão do Manchester City, não tem a titularidade assegurada porque joga de forma muito similar a Kimmich, o que ficou evidente no empate contra a Inglaterra em Wembley por 3 a 3. O curto tempo de preparação pode vir a ser um problema, já que a Alemanha, normalmente descrita como um "Turniermannschaft" (time de campeonato), precisa de um tempo para "pegar no tranco".

Apesar disso, o objetivo é chegar ao menos às semifinais. A principal força da Alemanha, além da experiência no futebol internacional, é a força de marcação de seus jogadores. Serge Gnabry, Leroy Sané, Havertz e, claro, Thomas Muller sempre podem contribuir. Leon Goretzka é um meia-artilheiro, sucessor de Lothar Matthaus e Michael Ballack, enquanto Manuel Neuer, aos 36 anos, ainda é um dos melhores do mundo.

O técnico

Hans im Glück ("Hans com Sorte") é um personagem de conto de fadas dos Irmãos Grimm, mas serve para descrever a curta mas impressionante passagem de Hans-Dieter "Hansi" Flick no Bayern. Em um ano e meio, ele venceu sete títulos, incluindo seis em um ano.Depois de assumir o time de Niko Kovac no fim de 2019, Flick terminou a temporada com a Champions League. Que o sucesso tenha sido fruto apenas de seus ajustes táticos, porém, é algo que nem Flick acredita.

Na verdade, o currículo do treinador de 57 anos não é o de um técnico prestigiado; antes de assumir o Bayern, o seu maior sucesso veio como auxiliar de Joachim Löw, quando a Alemanha venceu a Copa em 2014. Em Munique, ele foi o homem certo na hora certa. No Catar, tem a oportunidade de provar que pode liderar um time a novas alturas.

A estrela

Em um time da Alemanha qu tem muitos excelentes jogadores, mas poucas estrelas, Leon Goretzka se destaca. Parcialmente pelos seus valores, já que ele se posicionou contra o racismo e a homofobia, mas também porque é um dos jogadores mais importantes de Flick dentro de campo. Se Goretzka mantiver sua forma e trouxer seu melhor desempeno para o Catar fará uma enorme diferença no sucesso da Alemanha. Com sua energia e força, ele pode ligar a defesa ao ataque de uma forma que nem Kimmich e nem Gündogan podem.

Herói anônimo

As qualidades de Kai Havertz não são unanimente admiradas na Alemanha, mas talvez porque aqueles que realmentre apreciam o atacante do Chelsea são aqueles que conhecem seu futebol. Sua transferência para a Premier League aos 21 anos sua falta de posição definida na seleção significa que muitos torcedores na Alemanha não viram muito de Havertz. Mas a percepção do jogador de 23 anos pode mudar neste inverno, já que ele provavelmente terá um papel central no ataque. De todos os jogadores habilidosos no ataque, é o único que pode jogar consistentemente bem em um papel central.

Escalação provável

(4-2-3-1) Neuer; Kehrer, Süle, Rüdiger, Raum; Kimmich, Goretzka, Gnabry, Müller, Sané; Havertz

Posição sobre a Copa no Catar

Alguns jogadores, como Toni Rüdiger ("A decisão de sediar a Copa no Catar não foi tomada pelos jogadores e nem pela torcida") e Leon Goretzka ("É absurdo que o respeito aos direitos humanos não estava nos critérios para sediar a Copa") são sinceros em suas críticas, mas outros desconversam. Em março, Thomas Müller disse: "Isso é sobre violações aos direitos humanos, que geralmente existem em todo país, na Alemanha também". Entretanto, Hansi Flick disse que eles com certeza querem chamar a atenção para a situação no Catar.

Hino nacional

O "Deuschlandlied", escrito por August Heinrich Hoffmann von Fallersleben em um momento de crescente consciência nacional antes da Revolução Alemã em 1848, é o hino do país desde 1922. A canção tem três estrofes, mas apenas a terceira, que começa com as famosas palavras "União e justiça e liberdade" permanece. Os outros dois não são mais cantados e, se você começar cantando eles, pode esperar reação ao seu redor. As palavras "união e justiça e liberdade" também aparecem na moedas de 2 euros na Alemanha.

Ídolo da torcida

Günter Netzer foi o rosto do famoso "Fohlenelf" do Borussia Mönchengladbach que desafiou o Bayern de Munique de Franz Beckenbauer no final dos anos 1960 e começo dos anos 1970. Não apenas foi um dos melhores meias alemães de todos os tempos, como sua paixão por carros velozes, mulheres bonitas e um estilo hippie o transformam em um ícone dos anos 70, como seu apelido de "O Rebelde" indica. Em sua última partida pelo Mönchengladbach na Copa da Alemanha de 1973 (antes de se transferir para o Real Madrid), ele entrou como substituto sem avisar o treinador, Hennes Weisweiler, e marcou o gol do título três minutos depois. Após se aposentar, Netzer formou com Gerhard Delling uma dupla amada pelos alemães na cobertura da seleção na TV.