Raio-x da seleção do Catar na Copa 2022: escalação, craque, hino e mais informações

20 de novembro - 13h - Catar x Equador

25 de novembro - 10h - Catar x Senegal

29 de novembro - 12h - Catar x Holanda

De olho na Copa do Mundo, o campeonato nacional do Catar, a Qatar Stars League, foi interrompido em setembro, quando a seleção do país começou um período de treinamentos intenso. O técnico, Félix Sanchez, teve o luxo de trabalhar com a sua equipe em Viena e Marbella, disputando amistosos contra Canadá, Chile, Nicarágua e Guatemala. Ou seja, falta de preparação não será desculpa para o país-sede.

A seleção do Catar dará o pontapé inicial da Copa com a experiência de disputar dez amistosos contra seleções da Europa, o título da Copa da Ásia em 2019, e um bom desempenho na Copa América de 2019 e na Copa Ouro de 2021, quando foi até a semifinal. Alguns, inclusive, chegaram a sugerir que o time de Sánchez teria alcançado seu auge antes da hora, principalmente após ser dominado nas partidas contra Sérvia e Portugal no ano passado e ser derrotado por 2 a 0 pelo Canadá no mês passado. Mas um 2 a 2 com o Chile renovou o otimismo num bom desempenho na Copa.

A força da equipe é seu entrosamento e Sánchez tem montado o time no 3-5-2 ou no 5-3-2: o primeiro quando joga com a posse de bola, e o último quando aposta no contra-ataque. O ataque tem jogadores de boa qualidade técnica, apostando nos passes de Akram Afif para o seu artilheiro, Almoez Ali, ou na ponta-esquerda, para Homam Al Amin.

O Catar, entretanto, é um peso-leve no grupo e seu desempenho vai depender de como irá aguentar sem a bola contra seus fortes adversários da chave A: Holanda, Equador e Senegal. "Partidas duras nos aguardam no torneio", disse Sánchez para a agência AFP recentemente: "Vamos enfrentar times muito fortes, times que estão acostumados a estar na Copa do Mundo. Se conseguirmos mostrar nosso melhor, poderemos competir". Mas isso é o máximo que se ouviu da equipe antes da Copa: o time ficou completamente isolado na cidade de Marbella, na Espanha. O diário espanhol "As" chegou a dizer que quando o Liverpool esteve lá, antes da final da Liga dos Campões, era possível pelo menos ver os jogadores saírem para um passeio de bicicleta. Com os cataris, nem isso.

Félix Sánchez está no Catar desde 2006 e evoluiu dentro da Aspire Academy desde as seleções de base antes de assumir o time profissional em 2017. Ele não conseguiu levar a equipe para a Copa do Mundo da Rússia, mas o título na Copa da Ásia no ano seguinte mais do que compensou essa decepção. O treinador catalão nunca treinou um clube, mas poucos têm seu conhecimento do futebol do país. Vale dizer, porém, que o país-sede gostaria de ter tio outro catalão no banco de reservas na Copa: Xavi Hernández, técnico do Barcelona.

Akram Afif, do Al Sadd. A estrela da equipe está retornando à boa fase na hora certa. Lesões e rumores de desentendimentos com Xavi no fim da passagem do treinador pelo Al Sadd levaram a problemas na regularidade de Afif, mas os amistosos recentes mostraram que ele está pronto para a Copa. Considerado um atacante elétrico, Afif tem o status de um dos melhores jogadores da Ásia e pode jogar de igual para igual com os melhores zagueiros quando está inspirado. "Ele é talento inacreditável, um grande jogador. Já disse para ele muitas vezes que é um ótimo jogador", disse Xavi após a conquista do título nacional em 2020.

Bassam Al Rawi, do Al Duhail, já carregará nas costas uma grande responsabilidade como o alicerce da defesa do Catar, mas sua cabeça também poderá ser crucial na Copa. O zagueiro é uma grande ameaça na bola parada, e essa poderá ser uma das possibilidades de gol para o país-sede. Ele não é grande, mas é muito aguerrido e vai dar o tom da defesa quando o Catar for pressionado. Se ele conseguir segurar a barra, o Catar deve conseguir também.

(5-3-2) Al Sheeb; Pedro Miguel, Boualem Khoukhi, Bassam Al Rawi, Abdelkarim Hassan, Homam Al Amin; Abdulaziz Hatem, Hasan Al Haydos, Karim Boudiaf; Akram Afif e Almoez Ali

Os organizadores do torneio ficaram firmes na sua postura em relação às críticas desde o dia em que o país foi anunciado como a sede da Copa. Hassan Al Thawadi, secretário-geral, é o rosto da Copa e sempre que questionado sobre assuntos como direitos de LGBT e o trabalho de imigrantes reforçou que todos são bem-vindos e que o torneio acelerou diversas reformas sociais e de trabalho no país. "Todos são bem-vindos no Catar. O propósito desse torneio é juntar pessoas com diferentes valores, crenças e cultura", disse Al Thawadi.

A tradução de "As-Salam al-Amiri" é "Paz ao Emir". O hino foi adotado em 1996, depois da chegada ao trono do Sheikh Khalifa Al Thani. A letra fala do orgulho nacional e de como o Catar demonstra força quando precisa de força e paz quando precisa de paz. Foi escrito pelo Sheikh Mubarak bin Sayf Al Thani, e a melodia é de Abdulaziz Nassir al Ubaydan Al Fakru.

Sebastian Soria é o Cavani do Catar. O atacante uruguaio foi um dos primeiros jogadores a se naturalizar, em 2006, muito antes da riqueza chegar ao país. Fez 123 jogos com a camisa da seleção do Catar e se tornou seu maior artilheiro de todos os tempos, com 39 gols. Durante uma carreira de 18 anos no futebol catari, ele jogou por cinco clubes. No começo deste ano, marcou seu gol de número 200 na temporada de despedida, aos 38 anos. Por muito tempo, liderou uma seleção com pouca relevância internacional, marcando os únicos gols do país na Copa da Ásia de 2007, uma prova da evolução da seleção até esta Copa. Não há dúvidas de que muitos torcedores vão lamentar sua ausência no torneio.