Raio-x da seleção da Inglaterra na Copa 2022: escalação, craque e mais informações

Tabela na 1ª fase

21 de novembro - 10h - Inglaterra x Irã

25 de novembro - 16h - Inglaterra x Estados Unidos

29 de novembro - 16h - País de Gales x Inglaterra

O plano

É difícil não pensar que é "agora ou nunca" para a Inglaterra de Gareth Southgate. Ela chegou muito perto de uma taça sob o comando do técnico de 52 anos, alcançando as semifinais da última Copa do Mundo e perdendo para a Itália nos pênaltis na final da Euro 2020. Colocando essas falhas sob uma perspectiva otimista, é possível imaginar que há chances de título se as coisas se encaixarem.

Afinal, embora exibições recentes não tenham sido convincentes, este continua sendo um elenco altamente talentoso. As opções criativas são invejáveis: Declan Rice e Jude Bellingham são dois dos melhores meias jovens que existem, e Harry Kane é um dos melhores atacantes do mundo.

Ainda assim, persiste a sensação de que o ciclo está chegando ao fim. Os pontos negativos aumentaram este ano — a infrutífera campanha na Liga das Nações, os problemas de Harry Maguire, as lesões de Reece James (o jogador do Chelsea foi cortado), a dor de cabeça com Kyle Walker no lado direito da defesa... Tudo isso pode indicar que é a hora de Southgate sair, mesmo que seu contrato vá até o fim de 2024. "Sei que serei julgado pelo que acontecer nesta Copa", diz o técnico. "Não sou arrogante o suficiente para pensar que meu contrato vai me proteger".

Southgate admite que o momento decisivo se aproxima. A Inglaterra está sob pressão para atacar.

Mas não descarte este time ainda. Houve bons sinais durante o recente empate em 3 a 3 com a Alemanha, e um grupo contendo Irã, País de Gales e EUA é visto como relativamente fácil. Na visão de Southgate, parte do pânico é exagerado. Ele provou que é experiente em torneios e, se o vento soprar a seu favor, a Inglaterra tem potencial para ir até o fim.

O técnico

Gareth Southgate é muito negativo? Qual é o problema dele com Trent Alexander-Arnold? Ele é... falsamente ativista? Ou ele é realmente o técnico que tirou a Inglaterra do fundo do poço, retomou o orgulho da camisa e quase acabou com 55 anos de sofrimento? Como sempre, há nuances. Southgate não é perfeito, ele pode ser muito conservador, desagradando a muitos torcedores. Mas fez um bom trabalho no geral e ainda impõe respeito no vestiário. Até os mais críticos ainda devem admitir que Southgate ainda pode ser O técnico.

A estrela

O sucesso da seleção dependerá muito do nível de Harry Kane. O capitão teve uma longa sequência sem lesões e está em modo artilheiro no Tottenham. A Inglaterra espera que ele esteja mesmo em ótima forma. Trabalhar com um novo fisioterapeuta fortaleceu o corpo de Kane, e uma motivação adicional para o jogador de 29 anos é que ele está a dois gols do recorde de Wayne Rooney de 53 pela Inglaterra. Seria uma surpresa se Kane não ultrapassar o compatriota no Catar.

Herói anônimo

Declan Rice é uma escolha obrigatória. O capitão do West Ham permite que os outros joguem, e sua habilidade de estar no lugar certo na hora certa é um recurso defensivo inestimável para a Inglaterra. A defesa simplesmente não pode ficar sem a proteção de Rice. Suas habilidades para ganhar a posse de bola são inigualáveis, enquanto sua disciplina no esquema tático deve permitir que Bellingham avance. Ele ainda é eficaz nos passes de longa distância. Fica claro por que Southgate passou a confiar nele.

Escalação provável

Pickford, Stones, Dier e Maguire; Trippier, Bellingham, Rice e Shaw; Sterling, Mount e Kane.

Posição sobre a Copa no Catar

A federação inglesa prometeu pressionar a Fifa a criar novas leis trabalhistas no estado do Golfo, pediu que qualquer ferimento ou morte de trabalhador seja indenizado e pressionará pela criação de um Centro de Trabalhadores Migrantes no Catar. No entanto, não houve declarações condenatórias de Southgate ou Kane. Jordan Henderson chamou o histórico de direitos humanos do Catar de “chocante, decepcionante e horrendo” depois que ele e seus companheiros de time souberam de mais detalhes sobre a situação. Mas qualquer protesto visível durante o torneio provavelmente se limitará a Kane usando uma braçadeira de capitão com as cores do arco-íris, em apoio à comunidade LGBQTIA+.

Hino nacional

Não há espaço para outras interpretações. As origens da letra e da melodia são desconhecidas, além do fato de datarem do século XVII, mas todos sabem o significado. A única coisa a ficar de olho desta vez é um pequeno ajuste no texto: após a morte da Rainha em setembro, os jogadores terão que se lembrar de cantar “God Save The King” ("Deus salve o Rei"). É a melhor maneira de garantir que o Rei Charles mande boas energias para eles.

O ídolo da torcida

Já se passaram 32 anos desde que Paul Gascoigne começou a chorar em Turim. O meio-campista ficou marcado na memória dos torcedores na Copa da Itália, em 1990, quando não conseguiu esconder a decepção ao ser advertido durante a derrota da Inglaterra para a Alemanha nas semifinais. O cartão amarelo teria tirado Gazza da final, e sua reação inconsolável fez as pessoas se sentirem próximas a ele. Ele era uma peça rara, um talento fora da curva que realmente se tornou uma força para a Inglaterra, e nada demonstrou mais sua habilidade do que seu impressionante voleio contra a Escócia na Euro 96. Se ao menos suas travas da chuteira tivessem sido mais longas quando a Inglaterra perdeu para a Alemanha nas semifinais de novo…