Raio-x da seleção da Holanda na Copa 2022: escalação, craque, hino e mais informações

Tabela na 1ª fase

21 de novembro - 13h - Senegal x Holanda

25 de novembro - 13h - Holanda x Equador

29 de novembro - 12h - Holanda x Catar

O plano

A Holanda chega à Copa do Mundo em um bom momento, classificada à final da Liga das Nações — que será disputada em casa, no ano que vem. Terminou em primeiro em seu grupo após vencer a Bélgica por 1 a 0, cortesia de um gol de cabeça de van Dijk, e parece ter se consolidado num 5-3-2 que funcionou razoavelmente bem nos últimos meses.

O novo sistema de jogo foi introduzido em março. Não é novidade: foi esse o esquema que Louis van Gaal utilizou quando levou a Laranja Mecânica às semifinais da Copa do Mundo de 2014, derrotando o Brasil por 3 a 0 na disputa pelo terceiro lugar.

Assim como há oito anos, o afastamento do tradicional 4-3-3 holandês foi alvo de críticas. O capitão van Dijk afirmou abertamente que não gostou da mudança para o 5-3-2, mas ponderou: "O técnico não concorda (com as críticas) e tem uma opinião forte sobre isso. Dá para ver que não é inteiramente injustificada".

O próprio van Gaal foi defensor da filosofia do 4-3-3 que formou a escola holandesa de futebol, mas nunca é tarde para aprender algo novo. "Quanto mais tempo passo no futebol, mais aprendo a amar o 5-3-2", afirmou o técnico de 71 anos recentemente. "Você pode atacar e defender com ele. Pode colocar o oponente sob pressão em todos os lugares do campo e, se jogar bem, há menos risco de o adversário te pegar no contra-ataque, porque você tem três zagueiros.

Van Gaal agora vê como excessivo o uso de três atacantes. "Senti que em um 4-3-3 é mais fácil triangular ao redor do campo, mas na época (em que usava o 4-3-3), não tinha a habilidade para perceber as vantagens do outro sistema. No 5-3-2, o equilíbrio do time é melhor, algo que poderia ser feito com um 3-4-3 também", justificou.

Em termos de elenco, a Holanda vai à Copa em uma forma física razoável, mas segue vulnerável a lesões em seus principais jogadores de criatividade, como Frenkie de Jong e Memphis Depay, ambos com histórico de contusão muscular nesta temporada. Van Gaal normalmente prefere jogadores 100% prontos fisicamente para as partidas, mas abrirá uma exceção para a dupla. O elenco não tem a profundidade que deveria, o que pode virar um problema se a Holanda for longe no Catar.

O técnico

Louis van Gaal tem a chance de se tornar o treinador com o maior número de vitórias pela seleção. No momento, está empatado com Dick Advocaat, com 37, embora Advocaat tenha comandado a equipe em quatro jogos a mais para atingir a marca. No início do ano, van Gaal revelou que enfrenta um câncer agressivo na próstata desde 2020. Ele mencionou que escapava dos treinos da equipe para fazer radioterapia. No período, disse que se sentia bem o suficiente para levar o time à Copa e que os jogadores lhe dão energia.

A estrela

Há argumentos bons para intitular pelo menos três jogadores como a estrela da equipe, mas Virgil van Dijk está acima de todos. Em parte, por ser o capitão, mas também pelo desempenho contra o Manchester City, em outubro, quando ele conteve o poderoso Haaland. A Holanda costumava ter atacantes de nível mundial, mas atualmente é a defesa que faz a diferença. Van Dijk é um capitão exemplar e uma inspiração. O zagueiro também tem uma certa aptidão a marcar gols importantes pela seleção.

O herói anônimo

Para Cody Gakpo, a Copa do Mundo é uma chance de mostrar ao mundo do que é capaz e garantir uma transferência para um gigante europeu. Havia rumores de que ele deixaria o PSV na última janela de transferências, mas acabou ficando. O ponta sempre teve talento, mas agora deu consistência ao seu jogo e ganha partidas por sua equipe. Tem três gols pela seleção holandesa em nove jogos. Como estarão esses números ao fim da Copa?

Escalação provável

Cillissen, Timber, De Vrij e Van Dijk; Dumfries, De Jong, Gakpo, Blind e Aké; Depay e Bergwijn.

Posição sobre a Copa no Catar

Antes de um jogo contra a Letônia, em março, os jogadores se aqueceram usando calções com a inscrição "football supports change" (o futebol apoia a mudança). A faixa de capitão tinha a mesma frase. A ideia era passar uma mensagem sobre as acusações contra o Catar por desrespeito aos direitos humanos. O elenco e van Gaal estão alinhados nessa ideia, e o técnico já havia feito comentários contrários à realização da Copa no país — "todos sabem que acho ridículo que os jogos sejam lá" —, um sentimento que já reiterou posteriormente. No ano passado, o governo holandês chegou a afirmar que não enviaria uma delegação ao Catar, mas uma mudança no poder pode fazer com que alguns políticos e o rei Willem Alexander viajem. Aparentemente, a necessidade de o país receber gás encanado do Catar é importante demais para contrariar os anfitriões do Mundial.

Hino nacional

O Wilhelmus é um dos hinos nacionais mais velhos do mundo, escrito por volta de 1570, no início da Guerra dos Oitenta Anos. A letra foi concebida a partir de palavras do monarca Guilherme III, usadas na batalha contra o rei da Espanha. O autor da letra em si é desconhecido, e ela chegou a se perder da memória nacional. Foi redescoberta e adotada como hino em 1932, ficando muito popular durante a Segunda Guerra Mundial. É uma canção com 15 versos, e as primeiras letras de cada um deles formam (no idioma original) o nome de Guilherme de Nassau. O hino é popular entre os torcedores da Holanda, embora normalmente só o primeiro verso seja cantado.

Ídolo da torcida

Johan Cruyff é o grande herói do futebol nacional. Em 1974, ele liderou a Laranja rumo à final da Copa do Mundo. Quatro anos depois, o time repetiu o feito, mas Cruyff se recusou a ir à Argentina. Não era apenas um posicionamento político: ele havia se queimado no "escândalo da piscina" no torneio de 1974, na Alemanha Ocidental (um polêmico flagra de prostitutas junto ao elenco na piscina de um hotel, que não teve a participação de Cruyff confirmada). O jogador é uma verdadeira lenda, e a Fundação Cruyff fez com que seu nome seguisse vivo, levando campos de futebol a áreas residenciais e criando oportunidades para que todos possam jogar. O trabalho continuou mesmo após a morte de Cruyff, em 2016.