Raio-X da seleção da França na Copa de 2022: escalação, craque, hino e mais informações

Tabela na 1ª fase:

(com horários de Brasília)

22 de novembro - 16h - França x Austrália

26 de novembro - 13h - França x Dinamarca

30 de novembro - 12h - Tunísia x França

O plano

A França chega a este torneio para defender seu título tendo uma das principais reuniões de talentos do futebol de seleções. Ao anunciar a convocação para a Copa do Catar, Didier Deschamps disse que sua equipe jogará no 4-3-1-2, substituindo o 3-4-1-2 que usou na Eurocopa do ano passado. Os resultados recentes da equipe foram decididamente aquém do esperado, com uma vitória em seis partidas oficiais, mas pelo menos conseguiu evitar o rebaixamento na Liga das Nações.

A perda de Paul Pogba e N'Golo Kanté por lesões significa que o meio-campo que triunfou na Rússia 2018 terá mudado completamente. Aurélien Tchouaméni, do Real Madrid, será titular, com Adrien Rabiot completando a formação ao lado de Mattéo Guendouzi ou Youssouf Fofana. Fofana e Guendouzi são as opções com maior aptidão ofensiva, mas Rabiot terá vantagem devido à sua experiência, mesmo com Deschamps afirmando sua confiança na juventude após a vitória da França sobre a Áustria. “A partir do momento em que convoco um jogador, significa que confio nele”, afirmou. “Quem for convocado é porque está apto para jogar no mais alto nível.”

Por outro lado, Hugo Lloris tem 35 anos, mas ainda é um profissional de ponta, e deve se tornar o detentor do recorde de partidas pela seleção da França, desde que chegue às oitavas de final. Na defesa também houve lesões, e Presnel Kimpembe foi cortado - Ibrahima Konaté, do Liverpool, e que sequer tinha vaga garantida na convocação, pode despontar como titular.

Na frente – sim, você adivinhou – Deschamps teve mais azar com Karim Benzema e Christopher Nkunku, ambos cortados pouco antes da Copa devido a lesões. Marcus Thuram e Randal Kolo Muani foram convocados como substitutos e os atuais campeões mundiais ainda têm Kylian Mbappé, Antoine Griezmann, Kingsley Coman, Ousmané Dembele e Olivier Giroud a quem recorrer. Nada mal, mas em algum momento todas essas lesões terão um impacto. A expectativa é de que a França avance da fase de grupos, mas agora é difícil precisar até onde eles podem chegar.

O treinador

Preocupado com os egos conflitantes e os escândalos que envolveram a França em torneios anteriores, Didier Deschamps sempre colocou a harmonia do time à frente da escolha dos melhores jogadores. Apesar de seu estilo de jogo pragmático e ser considerado pouco sofisticado pela imprensa francesa, essa estratégia funcionou.

A França é a atual campeã da Copa do Mundo e da Liga das Nações, e Deschamps merece mais do que os elogios relutantes que recebeu de parte da imprensa, cheia de desdém. No entanto, após uma década como treinador da seleção e com o contrato em vias de expirar após o torneio, seu futuro permanece incerto, com Zinedine Zidane se posicionando para assumir o cargo.

O craque do time

Não mais o adolescente sorridente que eletrizou a última Copa do Mundo, Kylian Mbappé ainda corre o risco de ser mais notado por problemas fora do campo. Com sua crescente noção de sua própria importância, Mbappé parece decidido a deixar o PSG apenas alguns meses após ter assinado um novo contrato, supostamente insatisfeito com o fato de o time não ser voltado para o seu estilo.

Enquanto isso, as alegações de Mathias Pogba de que seu irmão Paul tentou “amaldiçoar” Mbappé por meio de um feiticeiro ainda podem dividir o elenco. No entanto, Mbappé cresceu como jogador nos últimos 18 meses, adicionando uma autoridade implacável às suas atuações, marcando 39 gols e adicionando 26 assistências em 46 jogos na última temporada.

O "herói silencioso"

Com muito foco em Karim Benzema, Paul Pogba e Kylian Mbappé, Antoine Griezmann ficou em segundo plano ultimamente. Mas sua forma oscilante em clubes desde que ingressou no Barcelona em 2019 encobriu sua contínua excelência e importância para a França. Filho do aguerrido "cholismo", como é caracterizado o estilo de jogo do Atlético de Madrid sob o comando de Diego Simeone, Griezmann personifica o ideal de estilo - estóico e sagaz - de Deschamps, e continua sendo um dos preferidos do treinador.

Ele continuará sendo um elo crucial entre o meio-campo e o ataque no Catar, depois que seis gols subestimados nas eliminatórias foram fundamentais para a classificação da França.

Escalação provável

(4-3-1-2) Lloris, Pavard, Varane, Konaté e Lucas Hernandez; Tchoaumeni, Fofana e Rabiot; Griezmann; Mbappé e Giroud.

Posicionamento sobre a Copa do Catar

A França se juntou a muitas outras seleções da Uefa na ideia de que seu capitão usasse uma braçadeira de arco-íris em apoio à comunidade LGBTQ +, mas o que parece ser um passo muito mais estridente é a proibição de “fan zones” durante o torneio. Normalmente, as partidas da França seriam exibidas em grandes telões ao ar livre em todo o país, mas os prefeitos de cidades como Paris e Estrasburgo se manifestaram contra, por medo de normalizar o torneio. A Federação Francesa de Futebol (FFF) argumentou que o torneio "trouxe progresso ao Catar" e contribuiu para criar um fundo de compensação para os trabalhadores, mas os jogadores permaneceram em silêncio, apesar de contemporâneos como Toni Kroos e Leon Goretzka se manifestarem.

Hino nacional

Um exemplo antigo (o mais antigo?) do estilo de hinos da “marcha europeia”, La Marseillaise ("A Marselhesa") é indiscutivelmente o mais reconhecível e emocionante do mundo. Escrito em 1792 por Claude Joseph Rouget de Lisle em Estrasburgo, suas letras visavam a encorajar os soldados a defender a França contra incursões estrangeiras. Ganhou seu nome popular quando foi adotado por soldados que marcharam de Marselha a Paris para ajudar na defesa da capital e se tornou o hino em 1795. Embora tenha sido banido posteriormente por Napoleão, foi retomado permanentemente no final do século XIX.

Ídolo histórico

Marcador de um recorde de 13 gols na Copa do Mundo de 1958, Just Fontaine conseguiu 30 em apenas 21 partidas pela França antes de sua aposentadoria forçada devido a uma lesão, aos 29 anos. Fontaine ajudou a equipe do Reims a chegar à final da Copa da Europa de 1959 e se tornou um expoente do "jeu à la rémoise", agora mais conhecido como "Champagne Football" - um paralelo à ideia de "jogo bonito" no Brasil -, que tornou-se ideia central dentro da identidade futebolística da França.