Raio-X dos gols sofridos: com desfalques, Flamengo e Internacional acertam defesas para 'final' do Brasileiro

Marcello Neves
·4 minuto de leitura

A matemática da ‘final’ do Campeonato Brasileiro é simples de entender. Ao entrarem em campo hoje, às 16h (de Brasília), no Maracanã, Flamengo e Internacional já saberão que a vitória dará o título antecipado ao Colorado ou fará o Rubro-Negro entrar na última rodada como líder — o empate mantém os gaúchos na ponta. Como Abel Braga e Rogério Ceni podem se preparar? Conhecendo o adversário. Neste Raio-X, o GLOBO analisa todos os gols sofridos desde que os comandantes assumiram e indica a rota mais fácil para o título.

Mesmo líder com 69 pontos, quem mais tem problemas para resolver é o Internacional. Não só pelos 17 gols com Abel Braga, mas por ir até o Maracanã com a sua defesa reserva — o argentino Victor Cuesta está suspenso pelo terceiro cartão amarelo e Rodrigo Moledo é desfalque por estar se recuperando de cirurgia após romper o ligamento cruzado posterior do joelho direito. O Colorado sempre atuou com pelo menos um dos dois presentes com o novo treinador.

No Raio-X, fica claro que a principal fragilidade são as bolas rasteiras ou nos cantos inferiores da meta de Marcelo Lomba. Dos 17 tentos sofridos, 11 entraram no gol colorado desta forma — um total de 64,71%.

— A gente sabe que é um jogo muito importante. Apenas um resultado é decisivo, a vitória do Inter, então a gente vai lá buscar esse resultado. Claro que Flamengo não vai querer deixar escapar. O Inter vem numa batida forte, é um grupo que está acostumado a jogar esse jogos, fizemos uma maratona de jogos decisivos. Então estamos com uma expectativa boa, com os pés no chão, apoiado no trabalho que vem sendo construído — avalia Marcelo Lomba, que reencontrará o Flamengo, clube que o revelou.

O Internacional também liga o alerta para quantidade de gols sofridos nos inícios das partidas. Do apito inicial aos 15 da primeira etapa, são quatro no total, a maior quantidade empatado com o período entre 61 e 75 minutos. Isso mostra a falta de atenção que é alertado por Abel diversas vezes. A volta do meia Patrick, que cumpriu suspensão diante do Vasco, pode melhorar a equipe neste sentido.

Um ponto negativo é que o Colorado apresenta fragilidade no setor esquerdo da grande área e sofreu 47% dos gols desta posição. O lado positivo é que não há um erro especifico que origine chances para os adversário. Tanto que falhas individuais — como o erro de Lomba na derrota por 2 a 1 diante do Sport, no Beira Rio — aparecem como os problemas mais graves.

Se o Internacional não terá a sua dupla de zagueiros titular, o Flamengo conta com o retorno de seu principal nome do setor. Rodrigo Caio voltou diante do Corinthians e arrancou elogios. Mesmo ainda declarando a falta de ritmo, a tendência é que continue como titular nesta 'final'. A companhia deve ser o zagueiro Gustavo Henrique, já que Willian Arão sofreu um acidente doméstico e deve ser desfalque para a partida.

A ausência do volante é sentida. Desde que passou a atuar de zagueiro, a produção do setor melhorou. Segundo o ‘Sofascore’, seus números são superiores até mesmo aos de Rodrigo Caio em acerto no passe (93% a 91%), passes longos (66% a 63%) e interceptações (média de 1.0 a 0.7) — sendo o quinto com maior número neste quesito do Brasileiro.

No entanto, nem tudo é perfeito. Um dos problemas da entrada de Arão ainda está no entrosamento. Como a linha de defesa do Flamengo tem o costume de jogar adiantada, a maior quantidade de gols sofridas são de passes enfiadas entre o zagueiro e o lateral (5 no total). Os cruzamentos vindos pelo lado direito (5) dividem o posto no topo.

Um dos problemas do Flamengo de Rogério Ceni é o relaxamento natural após as pausas nas partidas. Os 15 minutos após a volta do intervalo são os piores para a equipe, que já sofreu sete gols neste período. Os 15 minutos finais também marcam sete gols sofridos, mas a maioria nesta situação acontece quando o Rubro-Negro já tem a vitória em mãos ou a partida está controlada.

Assim como Lomba, os cantos inferiores da meta rubro-negra são um problema, mas três goleiros estiveram presentes nesta contagem (Diego Alves, Hugo Souza e César). Todos tem parcela nesta estatística.