Raio-X do Fluminense: Pesquisa O GLOBO/Ipec mostra torcida mais velha e escolarizada, mas não elitizada

A pesquisa O GLOBO/Ipec que possivelmente surpreendeu – não de forma positiva – a torcida do Fluminense com a 15ª colocação nacional, considerados os percentuais de menções, traz ainda outras novidades ao senso comum. Embora seja por vezes tachado de “elitizado”, o torcedor tricolor se concentra, na verdade, em uma classe média. Os números também apontam o envelhecimento da torcida, com paralelos com as gerações de títulos.

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Segundo a pesquisa, o Fluminense, que alcança 1,1% das menções gerais, sobe para 1,4% no conjunto de entrevistados que declaram renda familiar mensal de dois a cinco salários mínimos. Com percentual similar, de 1,5%, a torcida tricolor atinge seu melhor desempenho no Sudeste no recorte geográfico da pesquisa.

Na região, fazendo uma estimativa com base na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua) do IBGE, a faixa de renda com maior presença tricolor cobre justamente uma parcela intermediária da população: inicia-se logo depois dos 40% mais pobres, que vivem com até R$ 798 mensais, e encontra seu teto antes dos 20% mais ricos, que ultrapassam os R$ 2 mil de renda domiciliar per capita.

No Sul, que tem padrões de remuneração semelhantes ao Sudeste de acordo com a Pnad, o Fluminense chegou a 1% das menções. Nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste ficou abaixo de sua média geral.

O levantamento derruba mais um estereótipo. Na contramão de clubes normalmente associados à “elite”, como São Paulo e Grêmio, e que registraram torcidas mais brancas, no Fluminense o percentual de brancos foi idêntico ao de torcedores pretos e pardos.

No recorte por escolaridade é que o Fluminense destoa de rivais cariocas: passa de 0,9% das menções entre os entrevistados que cursaram até o Ensino Fundamental para 1,9% entre aqueles com Ensino Superior. É o único do Rio com esta variação, já que Flamengo e Vasco, embora com presenças proporcionalmente maiores do que o tricolor, diminuem seu peso no estrato de maior escolaridade; o Botafogo fica com percentual semelhante ao de torcedores com Ensino Médio. A distribuição do Fluminense neste recorte, considerando que uma minoria de brasileiros já cursou faculdade, é o dado que mais sugere um poder aquisitivo acima da média para seus torcedores.

Chama atenção, no recorte etário, que o Fluminense tenha registrado apenas 0,3% entre torcedores com 16 a 24 anos de idade. No extremo oposto, o tricolor chegou a 2,3% das menções entre os torcedores com 60 anos ou mais – grupo que passou pela “faixa jovem” da pesquisa nas décadas de 1970 e 1980, época dos títulos da Taça de Prata e do Brasileiro de Assis, Washington e companhia.

Coincidência ou não, o número de tricolores também cai, para 0,7%, nos entrevistados com 45 a 59 anos – a “faixa jovem” dos anos 90 –, e oscila positivamente, para 1%, entre os que chegaram à fase adulta na virada da década de 2010. Para pensar em renovar sua torcida, reencontrar o caminho de títulos parece imperativo ao Fluminense.

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