Raio-X: River Plate tem desfalques, mas chega em ótima fase para enfrentar o Fluminense pela Libertadores

Marcello Neves
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O Fluminense se prepara para encarar o primeiro (e talvez um dos principais) desafio nesta edição de Libertadores: terá pela frente o tetracampeão River Plate, abrindo o Grupo D nesta quinta-feira, às 19h (de Brasília), no Maracanã. Pedreira logo de cara, mas longe de ser impossível de vencer. Para isso, O GLOBO conversou com jornalistas argentinos e mostra neste raio-x o que esperar da equipe de Marcelo Gallardo.

Como chega o River Plate?

A fase é positiva no Campeonato Argentino. O River Plate é o segundo colocado no Grupo A da Superliga com 18 pontos. Ao todo, soma cinco vitórias, três empates e duas derrotas nos nove jogos disputados. Além disso, conta com o artilheiro da competição: Rafael Borré, com sete gols. A equipe de Marcelo Gallardo também tem o melhor ataque da competição (20 gols marcados) e a melhor defesa ao lado do Colón (sete gols sofridos).

A escalação provável para enfrentar o Fluminense é: Armani; Montiel, Paulo Díaz, Maidana, Fabrizio Angileri; Agustín Palavecino, Enzo Pérez, Nicolás De La Cruz; Lucas Beltrán, Rafael Borré e Julián Álvarez.

Último jogo:

Desfalques e retornos

O atacante Matías Suárez segue como desfalque após se recuperar de uma lesão no joelho. O zagueiro Robert Rojas e o meia Jorge Carrascal, suspensos, e o zagueiro Javier Pinola, lesionado, também não enfrentarão o Fluminense.

O meia Agustín Palavecino recebeu alta médica e está liberado. Já Nicolas De La Cruz está relacionado, mas não está 100% fisicamente. Confira a lista de relacionados:

Contratações e vendas

O River Plate perdeu um jogador importante para esta temporada: Ignácio Fernández, que acertou com o Atlético-MG. O atacante Rafael Borré também quase deixou a equipe, mas seguiu nos Millonarios após ser alvo de Palmeiras e Grêmio. Por outro lado, Marcelo Gallardo ganhou diversos reforços para a temporada:

Agustín Palavecino (meia), ex-Deportivo CaliHéctor Martínez (zagueiro), ex-Defensa y JusticiaJonatan Maidana (zagueiro), ex-Toluca, além deJosé Paradela (meia), ex-Gimansia de La PlataAgustín Fontana (atacante), ex-BanfieldAlex Vigo (lateral-direito), ex-Colón.

Confronto direto

Fluminense e River Plate já se enfrentaram quatro vezes na história, mas esta será a primeira partida válida por uma competição oficial — todas as outras foram em amistosos. O retrospecto é de uma vitória tricolor, uma dos argentinos e dois empates.

Fluminense 1 x 1 River Plate. 27 de Maio de 1981. AmistosoFluminense 2 x 0 River Plate. 03 de Fevereiro de 1972. AmistosoFluminense 0 x 0 River Plate. 26 de Janeiro de 1972. Torneio.Fluminense 1 x 2 River Plate. 23 de Fevereiro de 1964. Torneio na Colômbia

Opinião dos jornalistas

Silvio Favale, Diário Olé: "O River vai chegar com a tranquilidade de ter se reencontrado com a identidade futebolistica que brilhou em outros anos da era Gallardo. A equipe conseguiu, nesses últimos jogos, a efetividade que ainda faltava para ganhar. O River recuperou aos laterais Montiel e Angileri, que são muito importantes na idea para poder abastecer aos atacantes, com o Borré muito em foco. Acho que o grande problema vai ser o desfalque de Matías Suárez, mas Gallardo tem uma base na equipe muito sólida. Aqui na Argentina não temos muita visto o Fluminense mas podemos entender que também conseguiu uma regularidade e por isso acho que será um jogo muito interessante. Porém eu considero que o River, por história e presente, pode ter uma vantagem"

Iara Costa, especialista em futebol argentino: "O River deve chegar para o duelo contra o Fluminense com algumas mudanças em campo. Rojas e Carrascal cumprem suspensão, Pinola e Matías Suárez machucados. Os três jogadores citados primeiro não eram cotados no time titular, mas Suárez, que é um importante jogador do River, ainda se recupera de lesão. Gallardo sabe o que quer e deve repetir uma equipe parecida com a que entrou em campo para o último jogo contra o Central Córdoba, do qual o time venceu por 5 a 0. As únicas mudanças que devem ocorrer são do Maidana e do Nicolás De La Cruz no lugar de David Martínez e Santiago Simón, respectivamente. Simón é jovem e formado no River, jogou bem diante do Central e está inscrito na competição, mas Gallardo sabe que experiência conta muito na Libertadores e, por isso, deve deixar o jogador de fora da escalação injcial. Essa formação atual não é a melhor que o Muñeco já teve em mãos comandando o clube argentino, mas pode dar trabalho sim ao Fluminense, pois o treinador sabe mesclar bem a qualidade técnica dos jogadores recém formados pelo clube com os mais experientes."

Gastón Pestarino, Diario Olé: "O River chega muito bem para estrear. Vem da vitória por 5 a 0 sobre o Central Córdoba mas, além do resultado, o notável é que mais uma vez mostrou um nível bem superior e marcou gols. A eficácia é um ponto importante que foi debatido nas últimas semanas. Para quinta-feira, recupera Nicolás De La Cruz, peça-chave da equipe, que só conseguiu treinar normalmente no domingo. Porém, não terá Matías Suárez, outro titular indiscutível e, para muitos, o melhor jogador da equipe"

Fabricio Santarella, setorista do River Plate: "River demonstrou, com a ajuda de Marcelo Gallardo, que o andar irregular que arrasta desde o início do torneio nada tem a ver com seu desempenho na Libertadores. Depois de vários reveses, conseguiu aumentar a eficácia e teve três vitórias consecutivas batendo em alto nível. A imprensa sabe o que é Gallardo na Copa Libertadores. Há muitos anos, ela vem moldando um processo sério. Por isso, acredito que fará um bom trabalho contra o Fluminense"