A raiva dos australianos com a volta ao lockdown

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Policiais patrulham lockdown em Sydney
Policiais patrulham lockdown em Sydney; pessoas só podem sair de casa para praticar exercícios ou para atividades essenciais

Cerca de metade da população australiana — o equivalente a 13 milhões de pessoas — está sob lockdown, depois de ter registrado cerca de 800 novos casos de covid-19 na última semana, mas isso ocorre em um momento em que medidas restritivas são cada vez mais impopulares no país.

Na terça-feira (20/7), um terceiro Estado australiano foi colocado em lockdown. No momento, têm de ficar em casa os moradores de Austrália do Sul, Victoria e partes de Nova Gales do Sul, só podendo sair para praticar exercícios ou para atividades essenciais.

Muitas pessoas expressaram raiva e frustração por ter de voltar ao isolamento, e o fato de países como Estados Unidos e Reino Unido estarem reabrindo aumentou o descontentamento.

Mas, à diferença desses países, onde a vacinação está avançada, a Austrália vacinou até agora menos de 14% de sua população. São os índices mais baixos entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega em sua maioria países desenvolvidos.

O premiê Scott Morrison tem sido duramente criticado por conta da vacinação lenta, mas resiste ao clamor para que se desculpe a respeito. "Nenhum país conseguiu responder 100% à pandemia", ele disse a jornalistas nesta quarta.

Críticos afirmam que relatos deturpados de coágulos registrados em pessoas vacinadas com o imunizante da AstraZeneca criaram relutância em parte da população australiana em se vacinar. Fora essa vacina, a Austrália conta apenas com um estoque limitado de vacinas da Pfizer.

Lockdowns

Homem caminhando em Melbourne
O Estado de Victoria vai manter o lockdown ao menos até a semana que vem

Morrison voltou a mencionar o sucesso da Austrália em manter as infecções em níveis baixos, em comparação com a maioria dos países. Desde o início da pandemia, o país registrou 32.266 casos de covid-19 e 915 mortes, segundo dados da Universidade Johns Hopkins — para efeitos comparativos, o Brasil contabilizou na terça-feira 1,4 mil mortes por covid-19 e 27,5 mil casos.

Até recentemente, a estratégia de fechar fronteiras, implementar rápidos lockdowns e rastrear infectados vinha ajudando a manter os casos em níveis bastante baixos. Mas a variante Delta, mais contagiosa, tem desafiado essas medidas no último mês.

O atual surto em Sydney, a cidade mais populosa do país, infectou mais de 1,5 mil pessoas. Mais 100 casos foram identificados na quarta-feira (21/7), apesar de Sydney estar em lockdown há quatro semanas. Há temores de que as medidas restritivas precisem ser estendidas até setembro.

Autoridades australianas afirmam querer eliminar completamente a transmissão local do coronavírus até que a maioria da população esteja vacinada, um processo que pode levar meses.

Autoridades fizeram uma defesa das medidas de restrição da circulação. "Se não tivéssemos entrado em lockdown algumas semanas atrás, os 110 casos de hoje (21/7) certamente estariam na casa dos milhares", declarou a premiê estadual de Nova Gales do Sul (onde fica Sydney), Gladys Berejiklian. "Mas precisamos trabalhar mais duramente e, é claro, nos manter alertas.'

O Estado de Victoria, que registrou 22 infecções na quarta, vai manter o lockdown ao menos até a semana que vem. Na Austrália do Sul, um lockdown de sete dias foi implementado cinco dias depois de a variante Delta ter sido identificada. No mês passado, um total de sete cidades foi colocado em lockdown por um breve período.

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