Raiva: uma bomba jogada no outro que explode dentro de nós!

É possível que um dos pecados capitais possa ter repercussão sobre a saúde do coração? A raiva! Também chamada de ira, cólera ou fúria, esta manifestação de grande intensidade, demonstrando indignação superlativa e descontrolada, associada à agressividade repentina, pode ter como consequências, as agressões, tanto física como verbal. Pode ainda estar associada ao desejo de causar mal ao outro, sendo responsável por grande porcentagem dos conflitos familiares, no trabalho e na sociedade. Em sua expressão máxima pode ser definida como ataque de raiva ou, cientificamente, como transtorno explosivo intermitente ou popularmente Síndrome de Hulk.

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Advertências quanto às consequências desastrosas da raiva são conhecidas desde o Velho Testamento, em Salmos 37:8 — “Evite a ira e rejeite a fúria; não se irrite: isso só leva ao mal”; e em Provérbios 15:1 —“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira”. A raiva ou ira, tratada como um dos pecados capitais desde o Século IV, tem como virtude oposta a paciência e a resiliência. Dentro do contexto de nossa vida contemporânea, é razoavelmente comum sentir raiva em situações adversas estressantes e, desde que haja consciência do que está ocorrendo, constitui um fenômeno frequente, entretanto não deve existir comportamento agressivo.

Caso este sentimento se torne desproporcional com prejuízo do outro, temos um problema sério, inclusive para a saúde. Fisiologicamente, ocorre aumento na quantidade de adrenalina na circulação sanguínea, ocasionando aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, com consequências deletérias para a saúde.

É fundamental raciocinar com base em evidência científica para avaliar quais prejuízos ataques de raiva podem trazer para nossa saúde cardiovascular. Raiva intensa ou ataques de raiva associam-se com aumento de 50% na ocorrência de diabetes no prazo médio (Abraham S et al, 2015). Adicionalmente, aumenta também o risco, em 40%, de desenvolvimento de insuficiência cardíaca (redução da capacidade de bombeamento do coração) (Kucharska-Newton AM, et al, 2014). Recentemente, um estudo avaliando fatores de risco e acidente vascular cerebral avaliou a associação entre raiva ou descontentamento emocional e atividade física vigorosa com AVC, no mundo, incluindo o Brasil. Raiva aguda ou descontentamento emocional mostrou associação clara com início da ocorrência de todos os tipos de AVC (aumento no risco em 37%, e de 100% em hemorragia intracerebral) e atividade física vigorosa com aumento no risco de sangramento intracraniano em 62%.

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Existem muitos estudos que relacionam sentimentos como intolerância, ingratidão e ressentimento com o adoecimento.

Entre os modelos que explicam o adoecimento na sociedade, o mais aceito é o da má adaptação à vida atual. O indivíduo fica mais sedentário, fuma mais, altera a alimentação, vive sob forte carga estressora, depressão, e há um enfrentamento negativo das situações adversas. Isso leva a alterações no metabolismo, gerando obesidade, colesterol elevado, pressão alta e diabetes. É o enfrentamento negativo.

Por outro lado, o perdão faz bem. Houve um estudo de pessoas com doença coronária, que foram distribuídas em dois grupos. Apenas um deles passou por um período de 12 semanas de treinamento para aprender a perdoar. O que passou pela terapia do perdão mostrou menor quantidade de isquemia miocárdica, a falta de sangue no músculo cardíaco.

Retornando ao título desta matéria, a raiva confirmadamente é uma bomba que jogamos no outro e que explode dentro de nós causando diabetes, insuficiência cardíaca e AVC. Paciência e resiliência são urgentemente fundamentais em nossa sociedade. Como disse Mahatma Gandhi: “Olho por olho, e o mundo acabará cego! Vamos contar até 100, sempre!

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