Rajoy mantém maioria na Galícia, enquanto separatistas avançam no País Basco

A direita do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, mantém sua maioria na Galícia, enquanto os separatistas confirmam o seu avanço no País Basco, segundo os resultados oficiais das duas eleições.

Esta dupla eleição regional serve de teste para Mariano Rajoy, enfraquecido pela crise econômica e pela ascensão do nacionalismo no País Basco, onde a esquerda separatista chega em segundo, como na Catalunha.

No País Basco, com 99% das urnas apuradas, a coalizão independentista EH Bildu elegeu 21 deputados, seis a menos que os nacionalistas bascos do PNV, que foram os mais votados com 27 deputados, apesar de não obterem os 38 necessários para conseguir a maioria absoluta em um parlamento de 75 cadeiras.

Os socialistas bascos, no poder até agora na região, conseguiram 16 deputados, enquanto o conservador Partido Popular (PP, direita), de Rajoy, elegeu 10 deputados.

Esta votação ocorre um ano após o anúncio histórico do grupo armado ETA de acabar definitivamente com os atos de violência, no dia 20 de outubro de 2011.

Na Galícia, o PP aumentou sua maioria absoluta, com 41 deputados, frente aos 38 que tinha até agora, enquanto os socialistas continuaram sendo a segunda força da região, com 18 deputados, com mais de 73% dos votos apurados.

A coalizão Alternativa Galega de Esquerda conseguiu 9 deputados, na frente dos nacionalistas galegos do BNG que conquistaram 7 cadeiras.

A votação era arriscada para Mariano Rajoy nesta região tradicionalmente conservadora, mas que sofreu com os estragos provocados pela crise, como um desemprego que atingiu 21% da força de trabalho.

No momento em que a Espanha parece caminhar para um pedido de socorro, em um clima social sobrecarregado pelo desemprego e uma austeridade histórica, é a economia o tema central destas eleições.

Neste contexto, o voto galego ameaça se transformar em um referendo sobre a austeridade aplicada pelo governo.

Isto é o que parece temer as autoridades locais. Um dos fieis de Mariano Rajoy, o atual presidente da região Alberto Nuñez Feijo que, por exemplo, durante a campanha teve o cuidado de se distanciar do chefe de Governo.

Um declínio do PP na Galícia teria significado uma derrota humilhante para Mariano Rajoy, que conta com uma popularidade já em baixa.

De baixo de chuva, os eleitores bascos votaram neste domingo um ano após o anúncio do ETA.

Na esteira deste anúncio, a esquerda separatista reunida sob a bandeira da coligação EH Bildu confirmou seu avanço no País Basco, atrás do PNV.

Um desafio adicional espera o chefe do Governo de direita, que já enfrenta uma revolta separatista na Catalunha, poderosa região do nordeste do país: a crise econômica alimentada pelo sentimento nacionalista e os catalães que devem renovar no dia 25 de novembro o seu Parlamento.

Mesmo no País Basco, a economia é a principal preocupação dos eleitores: esta próspera região de 2,2 milhões de habitantes apresenta uma taxa de desemprego 10 pontos abaixo do que a média nacional, mas que atingiu 14,5% e, sobretudo, chegou a mais de 44% entre os jovens.

"Estas eleições têm duas chaves, a economia e o fato de que, desta vez, todos aqueles que querem podem falar", disse Iñaki Arteaga, um engenheiro de 43 anos que votou em Bilbao.

"A situação da juventude? Muito ruim, todos os jovens que convivo não têm um emprego", testemunhou Saotua Elvira, um eleitor de 60 anos desempregado.

"O que é democrático é que todos nós podemos votar, sem a autoridade do ETA nem do Estado", regozijou-se Iñaki Arteaga.

O destaque desta eleição foi confirmado pelos resultados finais: o avanço da nova coalizão separatista EH Bildu. É sob esta bandeira que o movimento de Batasuna, partido proibido em 2003 porque foi considerado como o braço político do ETA, deve confirmar seu retorno.

O PNV, entretanto, mesmo sem maioria absoluta, através de alianças assume as rédeas de um poder que em 2009 cedeu pela primeira vez em mais de 30 anos aos socialistas.

Resta a grande incógnita: quem será o parceiro do PNV para governar?

"Se for Bildu, a questão da identidade e a relação com a Espanha terão um papel central no funcionamento da coalizão", analisa Anton Losada, professor da Universidade de St. Jacques de Compostela, que aposta, no entanto, em uma aliança com os socialistas.

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