Turquia investiga nova líder de partido pró-curdo por suposto terrorismo

Istambul, 12 fev (EFE).- A Promotoria de Ancara abriu nesta segunda-feira uma investigação contra Pervin Buldan, recém-nomeada copresidente do pró-curdo Partido Popular Democrático (HDP), por "propaganda terrorista", após criticar no domingo a ofensiva militar turca no enclave curdo-sírio de Afrin.

Segundo informou a emissora "CNNTürk", a Promotoria também abriu uma investigação pela mesma causa contra o deputado do partido Sirri Süreyya Önder.

"Foi aberta uma investigação contra os legisladores Pervin Buldan e Sirri Süreyya Önder por propaganda da organização terrorista PKK (em referência ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão)", afirma a Promotoria em comunicado.

Buldan reprovou no domingo, durante o congresso anual do HDP no qual foi escolhida copresidente desta formação esquerdista - a terceira das quatro forças do Parlamento -, a incursão militar do Exército turco em Afrin lançada em 20 de janeiro contra a milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG).

O Governo turco considera as YPG uma organização terrorista vinculada à guerrilha curda na Turquia, o PKK.

A Promotoria informou que, além disso, investiga Buldan sob acusação de "ser membro de uma organização terrorista", por causa de diversos discursos que pronunciou entre 2008 e 2015.

O HDP elegeu ontem Buldan e o economista Sezai Temelli na cúpula do partido, substituindo a equipe de Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, ambos detidos em novembro de 2016 e desde então presos preventivamente.

Desde o início da incursão em Afrin, no total 666 pessoas foram detidas por protestar, na rua ou nas redes sociais, contra a operação do Exército turco.

Diversos ativistas de direitos humanos denunciaram que na situação atual, dizer simplesmente que se prefere a paz ao invés guerra é considerado um crime na Turquia. EFE