Ramiro Caminhoneiro: quem é o homem apontado por coordenar caravana de terroristas

Nome é mencionado quase 100 vezes nos grupos de WhatsApp e Telegram usado para reunir pessoas que foram à Brasília no domingo (8)

Ramiro Caminhoneiro é considerado peça-chave para chegada de terroristas bolsonaristas em Brasília (Reprodução/Redes Sociais)
Ramiro Caminhoneiro é considerado peça-chave para chegada de terroristas bolsonaristas em Brasília (Reprodução/Redes Sociais)

O nome ‘Ramiro Caminhoneiro’ foi mencionado pelo menos 82 vezes em grupos de aplicativos de mensagens usados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para organizar as caravanas para Brasília (DF). A informação foi levantada pela Palver, empresa responsável por monitorar anonimamente 17 mil grupos públicos de conversas políticas no país. O trabalho foi encomendado pela Agência Lupa.

Nas menções, ‘Ramiro Caminhoneiro’ aparece como organizador das caravanas. Nas mensagens enviadas, um mesmo número de telefone aparece atrelado a pessoa que estaria organizando a ida de diversos grupos para a capital federal.

"Quem precisar de ônibus para Brasília, só chamar no WhatsApp. 11 (número ocultado por questões de segurança). Ramiro Caminhoneiro está disponibilizando 3.000 Onibus (sic)", diz uma das mensagens mais virais no WhatsApp.

"Quem precisar de ônibus para Brasília, só chamar no WhatsApp 11 (ocultado). Ramiro Caminhoneiro está disponibilizando 33 mil Onibus. *CARAVANAS da liberdade para BRASÍLIA QG", informa outra mensagem detectada no aplicativo e divulgada pela Lupa.

Nas conversas, segundo a Lupa, é possível ver pessoas solicitando o contato de “Ramiro Caminhoneiro” para se juntarem aos grupos.

"Patriotas, o Caminhoneiro Ramiro, divulgou que o agro estava mandando milhares de ônibus para quem quisesse ir pra Brasília. Sou de Salvador e quero ir. Sabem onde posso conseguir?", escreveu um baiano, num dos grupos públicos monitorados.

No Telegram, em 122 grupos monitorados, foram detectadas 1.148 mensagens que mencionam "Ramiro Caminhoneiro". De acordo com a Lupa, há menções sobre ele desde 2018, numa tentativa de paralisação dos caminhoneiros.

A agência encontrou links nas mensagens que remetem a um perfil de Instagram: “Ramiro dos Caminhoneiros”.

Até a tarde da segunda-feira (9), apareciam no perfil publicações feitas por um homem que se diz “patriota a serviço do transporte”, que diz acreditar que a “força dos caminhoneiros libera o Brasil do Comunismo”.

A página ainda reúne vídeos feitos durante os ataques terroristas promovidos em prédios públicos da capital federal no último domingo (8).

Uma nota publicada no perfil, assinada pela advogada Ana Luiza Correa de Castro, da OAB de São Paulo, indica que o dono da conta seria Ramiro Cruz Júnior.

Levantamento feito pela Lagom Data aponta que Ramiro Cruz é sócio de duas empresas do ramo de transportes. Além disso, ele concorreu ao cargo de deputado pelo PSL de São Paulo em 2018, e pelo PL em 2022.

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

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