Randolfe reclama de 'desculpa esfarrapada' do Planalto para não informar lista de passeios de Bolsonaro

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BRASÍLIA - O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reclamou da recusa do Palácio do Planalto a fornecer a lista dos passeios do presidente Jair Bolsonaro ao comércio de Brasília e Entorno desde 1º de março do ano passado. E disse que quem deixa de mandar documento à comissão pode ser responsabilizado judicialmente.

Em resposta a um requerimento apresentado pelo senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE), o chefe do Gabinete Pessoal de Bolsonaro, Célio Faria Júnior, informou não haver registro oficial das idas do presidente pelo comércio da região e que "eventuais deslocamentos do Senhor Presidente da República, no período indicado, realizados em caráter privado não fazem parte de sua agenda oficial".

Os passeios de Bolsonaro vem sendo criticados porque ele não costuma usar máscara e acaba provocando aglomerações.

— As informações não vieram. Veio uma desculpa esfarrapada. Sem problema. Aprovamos outro requerimento pedindo que as emissoras de televisão forneçam as imagens de aglomeração — disse Randolfe em entrevista coletiva nesta sexta-feira.

— Não fornecer o documento conforme a solicitação e no prazo que a lei estabelece será responsabilizado judicialmente — acrescentou.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), foi questionado se vai pedir a ajuda de um delegado.

— Nós estamos vendo. Como são decisões que precisam ser refletidas, pensadas, vamos decidir isso somente no decorrer da próxima semana — respondeu Renan.

O relator também avaliou que a CPI está além das expectativas e que o melhor depoimento até agora foi do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Na quinta-feira, ele atribuiu à declaração de Bolsonaro desautorizando a negociação do Ministério da Saúde para adquirir a CoronaVac o atraso no financiamento e distribuição da vacina no Brasil. Cruzamento feito pelo GLOBO entre os números apontados por Dimas e os disponíveis na página do Ministério da Saúde apontam que mais 23,4 milhões de pessoas poderiam ter sido vacinadas até o primeiro semestre de 2021 caso a negociação não tivesse parado.

Renan também avaliou:

— Eu diria que já temos clareza absoluta, 100% de convicção, de que muitas vidas poderiam ter sido salvas se o governo tivesse adotado um comportamento púbico com decisões lógicas, objetivas, em favor da ciência e em defesa da vida dos brasileiros. Se isso tivesse acontecido, teríamos muitas famílias que não teriam perdido seus entes queridos. Muitas dessas 450 mil vidas que foram teriam sido, sem dúvida nenhuma, evitadas.

A entrevista foi dada após uma visita dos senadores à sala cofre da CPI, onde são guardados os documentos. Mas, segundo Randolfe, havia pouca coisa lá, porque a maioria dos documentos foi entregue por meio digital.

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