Ranking do Saneamento mostra quatro cidades da Baixada que estão entre as piores de todo o país

Célia Costa
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Sandra Feliz, moradora de Caxias, mostra o esgoto perto de sua casa

Quatro municípios da Baixada estão entre os 20 piores do país na qualidade dos serviços de água e esgoto oferecidos à população: Belford Roxo, Duque de Caxias, São João de Meriti e Nova Iguaçu. O levantamento foi feito durante 2019 pelo Instituto Trata Brasil, que mediu a qualidade dos serviços de água e esgoto entre as cem maiores cidades do país, levando em conta o número de habitantes. A cidade que apresentou o pior índice foi Belford Roxo, que ficou no 95º lugar. Ou seja, apresentou o quinto pior índice do Brasil. O município é seguido, de perto, por Caxias, no 91ª posição no ranking. A seguir vem São João de Meriti (89º), e Nova Iguaçu (82º).

O Instituto Trata Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) formada por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país. O pesquisador Pedro Scazufca explicou que o levantamento é realizado com base nas informações fornecidas pelas distribuidoras do Sistema Nacional de Informação Sobre Saneamento (SNIS).

Em Duque de Caxias, moradores da Rua Alcidino Paulino Quaresma, que fica no bairro Pilar, sabem bem o que representa a colocação da cidade no ranking. Cerca de 600 pessoas que vivem na localidade convivem com enchentes, mosquitos e ratos. A comunidade fica ao lado do Rio Sarapuí. Moradores já cobraram da prefeitura o asfaltamento da rua, mas ainda não receberam uma solução.

— Aqui a gente jogava cascalho para melhorar a rua, porque é barro puro. Esperamos que essa situação melhore. Quando chove, somos obrigados a sair de casa com sacos plásticos nos pés. Mas a maior preocupação dos moradores é com as doenças que esses esgotos podem causar — relatou Sandra Feliz, de 60 anos, que mora há 17 anos na região.

O prefeito de Nova Iguaçu, Rogerio Lisboa (PR), disse que a 82ª posição não condiz com a realidade, e que o percentual de esgoto tratado na cidade divulgado pelo Trata Brasil (0,15%) “também é incorreto, porque a Cedae é responsável por fornecer os dados”.

— A cidade não tem recursos para arcar com as obras de saneamento de toda a cidade. Isso só terá solução quando houver uma PPP (Parceria Público-Privada) do saneamento básico — disse o prefeito.

José Carlos Dantas Júnior, o Júnior Dantas, líder comunitário do Parque São Francisco, no Km 32, em Nova Iguaçu, diz que o ranking retrata a situação da comunidade:

— As ruas não têm manilhas para fazer o escoamento do esgoto. A cada chuva os moradores perdem tudo que têm em casa. A questão do saneamento básico é uma das nossas lutas mais antigas.

A Secretaria estadual do Ambiente informou, em nota, que o esgotamento sanitário é de competência dos municípios. O Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (PSAM) tem como objetivo aumentar a cobertura de coleta e tratamento de esgoto em cidades do entorno da Baía de Guanabara.

Já em Nova Iguaçu, a prefeitura tem nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) em funcionamento e trata mais de 15% do esgoto doméstico. A administração prevê ainda que outras cinco sejam inauguradas ainda no primeiro semestre de 2020. Duas delas já estão em fase de testes e as outras três em construção. Com isso, o percentual de esgoto tratado passará a ser de 20%.

 A prefeitura de Belford Roxo disse que fez investimentos de infraestrutura em diversos bairros, e que aumentou os recursos de R$ 3,8 milhões para R$ 20,5 milhões, sendo que a maior parte foi usada no programa “Seu Bairro de Cara Nova”, que beneficia cerca de 30 bairros com obras de saneamento, drenagem e pavimentação.

Procuradas, as prefeituras de Duque de Caxias e São João de Meriti não se pronunciaram sobre o ranking.