Rapper de Realengo, L7nnon lança CD, muda de vida, mas lamenta preconceito: 'Sou parado pela polícia sempre'

Isabella Cardoso
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Desde novo, Lennon Frassetti tinha certa facilidade no freestyle, a arte de rimar. Skatista, o garoto nascido em Realengo participou de competições representando o Brasil, e o rap era apenas hobby. Mas em 2017, L7nnon soltou no mundo seu primeiro trabalho e, de lá para cá, vem colhendo o resultado de seu talento na cena musical. Hoje, o rapper de 26 anos lança seu segundo CD, "Hip hop rare":

— Minha ideia era viver com o skate e soltar as músicas quando eu quisesse, sem ser algo profissional. Mas a galera gostou da primeira e foram me chamando para participar de outros projetos. Quando vi, minha vida virou de cabeça para baixo, mas positivamente. Deu no que deu. Tudo mudou com a música.

Amor, crítica social, motivação... Tem um pouco de tudo no CD do rapper. A inspiração vem da vivência do dia a dia e assuntos para falar não faltam. As 15 músicas do disco são 100% autorais, com beats do produtor musical Papatinho:

— Tudo o que canto foi totalmente escrito por mim. Papato fica com o beat e eu não me meto, não (risos). Ele que é o brabo nisso — valoriza o carioca, contando que a dupla não para de trabalhar: — Faço música toda hora. Então, o que não falta é rap pronto para lançar. Se a gente quisesse, dava para ter outro disco este ano ainda. Só que aí é muita coisa para ouvir.

O rapper, que não bebe nem fuma, tenta influenciar seu público positivamente, mas afirma que não critica a realidade dos outros. Ele conta que, hoje, muitas pessoas olham para ele de modo tranquilo, mas que ainda sente o peso do julgamento e do preconceito.

— Todo mundo que vem de baixo sofre preconceito por ser favelado, pelo seu modo de falar, de andar, de se vestir. Eu sou parado pela polícia sempre. Esses dias mesmo, um policial pediu o documento do meu veículo e perguntou se era alugado. Ou seja, ele não consegue enxergar aquele carro sendo meu — lamenta.

Apesar das dificuldades, “Gratidão”, faixa 15 do álbum, é a preferida dele. Na canção, o rapper agradece por tudo o que passou até aqui.

— Independentemente de estar com o carro ou a roupa legal, o mesmo L7nnon que eu era há um tempo atrás é o que sou hoje. Mas, sem dúvida, vivo um sonho. Nesse país, é difícil conseguir fazer o que se ama e ter uma vitória financeira. Tem uma letra minha, celebrando a vida, em que eu falo “onde a gente nasceu, desistir dos sonhos já é cultural”.