Rapper Sean 'Diddy' Combs critica Grammy em noite de gala: 'Precisamos de diversidade'

Louise Queiroga

Ao final de um discurso de 40 minutos, o rapper americano Sean "Diddy" Combs criticou o Grammy Awards, que será realizado neste domingo, por sua falta de diversidade e transparência, e afirmou ter relutado receber o prêmio Salute to Industry Icons (prêmio de saudação aos ícones da indústria musical) na festa de gala da Acedemia Nacional de Artes e Ciências de Gravação, ocorrida neste sábado, no Beverly Hilton Hotel, na Califórnia.

"Vocês têm um prazo de 365 dias para resolver essa m*", ressaltou o artista. "Verdade seja dita, o hip-hop nunca foi respeitado pelos Grammys", acrescentou, sendo interrompido por uma salva de palmas da plateia, que incluía grandes nomes da indústria musical, como Beyoncé, Jay-Z, Keith Urban, Joni Mitchell, Dua Lipa, Cardi B, Janet Jackson, entre outros.

 

O pronunciamento do rapper ganhou destaque diante da polêmica na qual a Academia está envolvida. Deborah Dugan, a primeira mulher a ter sido presidente da instituição, fez uma denúncia por discriminação logo após ser suspensa do cargo. Ela alegou ter sido forçada a deixar a função após chamar atenção para casos de assédio sexual na Academia, em que ela se inclui como vítima, além de irregularidades na votação e outras falhas dentro da organização.

Deborah chamou a Academia de um "clube de cavalheiros", onde "homens poderosos enchem seus bolsos e promovem uma cultura misógina com impunidade" e alegou que artistas indicados estão presentes nos conselhos de votação de suas categorias.

O diretor de prêmios, Bill Freimuth, negou qualquer irregularidade no processo.

O rapper Diddy em seu discurso deste sábado dedicou seu prêmio a artistas que sofreram desprezo pelo Grammy ao longo dos anos segundo ele, como Michael Jackson (Off the Wall), Prince (1999), Beyoncé (Lemonade), Missy Elliott (The Real World), Snoop Dogg (Doggystyle), Kanye West (Graduation) e Nas (Illmatic).

"A música negra nunca foi respeitada pelos Grammys ao ponto que deveria ser... E isso acaba agora. Estou oficialmente iniciando a contagem regressiva", disse ele.

"Precisamos de transparência, precisamos de diversidade. Precisamos que os artistas recuperem o controle, precisamos de transparência, precisamos de diversidade. Esta é a sala que tem o poder de fazer as alterações que precisam ser feitas. Eles têm que fazer as mudanças para nós. Eles são uma organização sem fins lucrativos que deve proteger o bem-estar da comunidade musical. É o que diz na declaração de missão. Essa é a verdade. Eles trabalham para nós. Nós temos o poder. Nós decidimos o que é bom. Se não formos, ninguém vai. Se não apoiamos, ninguém apoia", afirmou.