Raquel Lyra lidera e pode vencer Marília Arraes, apoiada por Lula, em Pernambuco

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Pesquisa do Ipec divulgada neste sábado (29) mostra que Raquel Lyra (PSDB) lidera a corrida eleitoral para o Governo de Pernambuco com 54% das intenções de votos válidos, ante 46% de Marília Arraes (Solidariedade), apoiada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento, que tem margem de erro de dois pontos, com nível de confiança de 95%, foi encomendado pela TV Globo e entrevistou 2.000 pessoas de 27 a 29 de outubro. A pesquisa foi registrada no TSE com o número PE-06246/2022.

Nos votos totais, Raquel tem 51%, enquanto Marília Arraes está com 43% das intenções de voto. Brancos e nulos são 3%, e outros 3% não sabem ou não responderam.

Quem vencer a eleição neste domingo (30) será a primeira governadora de Pernambuco.

A eleição no estado é marcada pelo avanço do protagonismo das mulheres. Além da primeira governadora, Pernambuco elegeu em 2022 a primeira senadora, Teresa Leitão (PT), e teve recorde de deputadas federais eleitas de uma única vez, três.

Raquel Lyra e Marília Arraes têm um histórico de afagos entre si, já foram colegas de partido no PSB e são de famílias tradicionais na política de Pernambuco. No segundo turno, no entanto, o passado amistoso ficou em segundo plano.

Filha do ex-governador João Lyra Neto (PSDB), Raquel Lyra foi prefeita de Caruaru, a maior cidade do interior pernambucano, eleita em 2016 e reeleita em 2021. Deixou a função em março para disputar o governo estadual.

A candidata está neutra em relação ao segundo turno presidencial. No primeiro turno, ela apoiou a candidatura de Simone Tebet (MDB), mas optou por não se posicionar na segunda rodada presidencial, que tem a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Com a neutralidade, Raquel Lyra sofreu críticas da adversária Marília Arraes (Solidariedade), apoiada no segundo turno pelo ex-presidente Lula.

Ao longo da campanha, Marília tentou associar Raquel ao bolsonarismo, após alguns apoiadores de Jair Bolsonaro declararem apoio à tucana. Raquel rebateu o discurso alegando que também tinha apoio de dissidências do PT e de outros parlamentares que apoiam Lula. Esse foi um dos principais temas debatidos na TV Globo na quinta (27).

A campanha eleitoral também teve um embate na Justiça Eleitoral entre as duas candidatas, com uma série de direitos de resposta e remoção de inserções na propaganda de rádio e TV.

A estratégia de Raquel ao se manter neutra foi captar votos de lulistas e bolsonaristas no estado. Paralelamente, a candidata buscou vincular Marília Arraes ao governador Paulo Câmara, que tem elevada rejeição entre a população. Isso porque, após perder, o PSB declarou apoio a Marília no segundo turno, seguindo a posição de Lula. Paulo, no entanto, não declarou apoio explícito a Marília.

O palanque de Raquel é composto no segundo turno por políticos de diversas matrizes ideológicas, mas teve predominância de grupos da direita.

A família de Raquel Lyra tem origem política no campo da esquerda. O pai, o ex-governador João Lyra Neto, já foi filiado ao MDB no período da ditadura (1964-1985), e passou por PSB, PT e PDT.

O tio de Raquel, Fernando Lyra (1938-2013), ex-deputado federal, foi candidato a vice-presidente na chapa de Leonel Brizola, em 1989.

Raquel disputou eleição pela primeira vez em 2010 pelo PSB. Deixou o partido em 2016 após a legenda negar as suas pretensões para disputar a prefeitura de Caruaru. Com a negativa, foi para o PSDB. No mesmo ano, venceu para o governo municipal.

No dia do primeiro turno, o marido de Raquel, o empresário Fernando Lucena, morreu aos 44 anos após um mal súbito. No mesmo dia, aconteceu o velório e o sepultamento do corpo.

Raquel ficou mais de uma semana reclusa com os filhos e a família. No período do luto, a campanha foi coordenada pela candidata a vice, Priscila Krause.

Do outro lado está Marília Arraes, que conta com apoio de Lula no segundo turno. No primeiro turno, ela fez campanha para o petista, mas sem aliança oficial. Lula apoiou Danilo Cabral (PSB), que acabou em quarto lugar.

Uma das apostas de Marília para angariar votos foi atrelar sua imagem à do ex-presidente reiteradamente durante o segundo turno. No dia 14 de outubro, Lula fez uma caminhada no Recife ao lado de Marília e conseguiu unir a aliada e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), no mesmo palanque.

Os primos de segundo grau travaram uma disputa acirrada em 2020 no segundo turno pela prefeitura da capital.

Advogada, Marília Arraes se lançou candidata a governadora em abril pelo Solidariedade, deixando o PT após seis anos.

A escolha pelo Solidariedade se deu porque Marília queria disputar a eleição em um partido que estivesse coligado a Lula nacionalmente. O objetivo era não ser impedida de produzir materiais e vídeos associados à imagem do petista.

Em menos de um mês, Marília articulou a montagem da chapa do partido para deputado federal e estadual. Além disso, provocou dissidências na coalizão governista do PSB ao atrair o Avante e o PSD para seu palanque.

No segundo turno, os principais partidos de esquerda do estado aderiram a Marília, como PT, PDT, PC do B e PSOL.

Marília Arraes ingressou na política em 2008 pelo PSB, quando se elegeu para o primeiro de três mandatos consecutivos de vereadora do Recife. Em 2014, rompeu com o partido e teceu críticas ao ex-governador Eduardo Campos (1965-2014), seu primo de primeiro grau.

Na ocasião, Marília criticou alianças do PSB com políticos de direita para viabilizar a candidatura de Campos à Presidência. Em 2016, ela se filiou ao PT com a ficha abonada por Lula e foi reeleita para o terceiro mandato de vereadora do Recife.

Em 2018, ela, que é neta de Miguel Arraes, se lançou pré-candidata a governadora de Pernambuco pelo PT. A candidatura foi aprovada pelo partido no âmbito estadual, mas a direção nacional da sigla petista barrou a postulação e determinou uma aliança com o PSB.

Fora do páreo, Marília disputou a eleição para deputada federal e foi a segunda mais votada do estado com mais de 192 mil votos.