Ratinho Jr. cita alinhamento a Bolsonaro, defende Moro e apoia críticas às urnas eletrônicas

***ARQUIVO*** CURITIBA, PR, 11.01.2019 - Carlos Roberto Massa Junior (PSD). (Foto: Theo Marques/Folhapress)
***ARQUIVO*** CURITIBA, PR, 11.01.2019 - Carlos Roberto Massa Junior (PSD). (Foto: Theo Marques/Folhapress)

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Ratinho Junior (PSD), atual governador do Paraná e pré-candidato à reeleição, afirmou que seu governo é alinhado ao do presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o candidato, ele aguarda um posicionamento do seu partido em relação ao apoio nas eleições deste ano.

Durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL nesta quinta (2), o governador paranaense disse acreditar que o presidente do PSD, Gilberto Kassab tem conduzido as discussões de forma madura. Para ele, não havendo uma candidatura própria do partido, os estados devem ficar liberados para apoiar quem acharem melhor.

Ratinho Jr. afirmou que tem um bom relacionamento com o presidente e gratidão pelos investimentos feitos pelo governo federal no estado. Segundo ele, o Paraná foi o estado que mais recebeu visitas de Bolsonaro durante seu mandato.

O PSD chegou a articular o lançamento do senador Rodrigo Pacheco (MG) à Presidência, mas ele desistiu neste ano. Parte da sigla manifesta proximidade com o ex-presidente Lula (PT), enquanto outra ala tem apoiadores de Bolsonaro.

Na sabatina, o pré-candidato também defendeu o ex-juiz Sergio Moro. Segundo ele, Moro é uma pessoa do bem e corajosa, que prestou bons serviços para o país. Ratinho afirmou que a Operação Lava Jato "expôs as vísceras da corrupção no Brasil, que estavam escondidas".

Ele afirmou que Moro é um paranaense por quem tem grande respeito. O governador disse que, no Paraná, antes da Lava Jato, Moro ficou conhecido pelo caso do Banestado, quando investigou supostas fraudes no banco que era administrado pelo governo estadual.

Em relação à mudança de domicílio eleitoral de Moro, do Paraná para São Paulo, o governador disse que está é uma questão que apenas o ex-juiz pode responder. Para ele, Moro deve ter feito análises políticas que justificaram a mudança.

O governador do Paraná também disse acreditar na segurança das urnas eletrônicas, mas defendeu as críticas feitas por Bolsonaro e seus apoiadores ao sistema eleitoral. Segundo ele, qualquer mecanismo que possa trazer mais confiança para o cidadão e reduzir dúvidas é bem-vindo.

"Acredito que todo mecanismo que a nossa democracia possa colocar à disposição da população para que haja uma auditagem e transforme esse pleito, que é um momento sagrado para a democracia, de forma mais transparente possível, é justificável. Acho que o debate é importante", disse ele.

Para o pré-candidato, as críticas feitas por Bolsonaro e dúvidas levantadas quanto a confiabilidade do processo eleitoral não são prejudiciais à democracia.

"É um ponto de vista do presidente, ele pode buscar construir e sugerir novas alternativas, não vejo problema nisso. Cabe ao TSE, à Justiça Eleitoral, provar que esse sistema é o mais confiável. Se existir no mundo outras plataformas, tecnologias, outro modelo de urna que possa fazer com que o sistema seja cada vez mais transparente e mais confiável possível, é bom para todo mundo."

Em relação à gestão da pandemia, ele disse que seu governo lidou com a questão sempre baseado na ciência. Para ele, o seu bom relacionamento com o presidente não significa que os dois tenham os mesmos pensamentos sobre todos os assuntos.

"Eu sempre cuidei muito de deixar a responsabilidade, deleguei poder para o meu secretário de estado da saúde com o nosso comitê científico, para que as decisões fossem tomadas em cima da ciência e essa é uma demonstração clara que a gente tem pensamentos diferentes."

Questionado sobre acertos e erros de Bolsonaro na gestão da pandemia, Ratinho Junior disse que o governo federal acertou ao colaborar com estados e municípios. Segundo ele, todos receberam recursos e investimentos de forma igualitária. Já em relação aos erros, ele afirmou que o presidente não precisava ter polemizado questões como o uso de máscara e a prescrição de cloroquina.

O governador paranaense disse que tem trabalhado para transformar o estado em uma central logística do continente sul-americano. Segundo ele, o Paraná está no centro da região que representa 70% do PIB da América do Sul, além de ter um posicionamento estratégico em relação às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de Paraguai e Argentina.

Questionado sobre erros e acertos do ex-presidente Lula, principal adversário de Bolsonaro nas eleições deste ano, Ratinho Junior foi sucinto.

"O acerto do Lula foi ter sido persistente em chegar à Presidência da República e conseguiu. Não é fácil, pela trajetória de vida dele. Não é qualquer um que consegue esse feito. O erro foi querer fazer o PT se perpetuar no poder", afirmou o pré-candidato.

O atual governador defendeu a política adotada em seu mandato de fornecer incentivos fiscais para atrair empresas e investimentos para o estado. De acordo com ele, a prática gera empregos e atrai empresas que vão atuar como fornecedoras e, consequentemente, pagar impostos.

Ratinho Junior se disse favorável a aprovação do homeschooling, a educação domiciliar. Segundo ele, essa deve ser uma decisão tomada pelos pais. O dever do Estado deve ser criar regras para avaliar o desenvolvimento desse tipo de educação.

O governador também defendeu a adoção do modelo de escolas cívico-militares no estado. Segundo ele, o número desse tipo de instituição passou de 7 para 195 durante o seu mandato. Ele disse que a adoção do sistema foi um pedido de pais e professores e que ainda há escolas na fila para a implantação do novo modelo.

Ratinho Junior foi o terceiro pré-candidato a participar da sabatina da Folha de S.Paulo e do UOL. Na segunda (30), Cesar Silvestri (PSDB) foi o entrevistado. Na quarta (1º), a professora Angela Machado (PSOL) foi a convidada.

Na sexta (3), às 10h, o ex-governador Roberto Requião participa da sabatina. O deputado federal Filipe Barros (PL) desistiu de participar.

As sabatinas são apresentadas pelo colunista do UOL Kennedy Alencar e tem participação dos jornalistas Alberto Bombig, do UOL, e Ana Luiza Albuquerque, da Folha de S.Paulo.

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Roberto Requião (PT) - 03/6 - 10h

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