Ratos dançam no ritmo da música em experimento científico no Japão, veja as imagens

A habilidade de mexer a cabeça no ritmo da música parece não se limitar aos seres humanos. A descoberta, publicada esta semana na revista científica Science Advances, apontou que ratos também podem se movimentar de forma sincronizada quando expostos a uma batida. Os cientistas que produziram o estudo apontaram que esta é a primeira vez que se tem informações sobre este comportamento dos roedores.

Governo Lula: médicos do país criam documento com propostas para os primeiros 100 dias de governo

Prevenção: exame de sangue indica câncer de mama até 2 anos antes do diagnóstico convencional

Ate então, já se tinha conhecimento que esses animais têm capacidade para reagir a certos sons, se treinados anteriormente. No entanto, não se sabia que esse reconhecimento de ruído podia acontecer de maneira natural, sem estímulos prévios. A Universidade de Tóquio, no Japão, responsável pelo estudo, explica que este processo envolve processos motores e neuronais complexos

O professor da Escola de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia da Informação da instituição, Hirokazu Takahashi, destaca que a análise identificou que o ritmo ideal para acenar com a cabeça depende da constante de tempo no cérebro. Isto é, a velocidade com que nosso cérebro pode responder a algo, o que é semelhante em todas as espécies. Dessa forma, ficou claro que capacidade de nossos sistemas auditivo e motor interagirem e se moverem ao som da música pode ser mais difundida entre os seres do que se pensava anteriormente.

Um comunicado emitido à imprensa destaca que a novidade oferece não só mais informações sobre a mente animal, mas também sobre as origens de música e da dança.

— Até onde sabemos, este é o primeiro relato sobre sincronização inata de batidas em animais que não foi alcançada por meio de treinamento ou exposição musical. Também levantamos a hipótese de que a adaptação de curto prazo no cérebro estava envolvida no ajuste da batida no córtex auditivo. Conseguimos explicar isso ajustando nossos dados de atividade neural a um modelo matemático de adaptação — ressaltou o professor.

Entenda o experimento

Os estudiosos tinha duas hipóteses para fazer o ratos dançarem. A primeira era que o tempo ideal da música para a sincronia da batida usada seria determinado pela constante de tempo do corpo. Isso é diferente entre as espécies e muito mais rápido para pequenos animais em comparação com os seres humanos. Para isso, basta pensar na rapidez com que um rato pode correr.

A segunda era que o ritmo ideal seria estipulado pela constante de tempo do cérebro, que é "surpreendentemente semelhante" entre as espécies, de acordo com a equipe.

— Depois de conduzir nossa pesquisa com 20 participantes humanos e 10 ratos, nossos resultados sugerem que o tempo ideal para a sincronização de batimentos depende da constante de tempo no cérebro. Isso demonstra que o cérebro animal pode ser útil para elucidar os mecanismos perceptivos da música — disse Takahashi.

Os ratos foram equipados com acelerômetros em miniatura sem fio, capazes de medir os menores movimentos da cabeça. Para fazer a análise comparativo com seres humanos, algumas pessoas também usavam acelerômetros em fones de ouvido. Em seguida, foram tocados trechos de duração de um minuto da Sonata para Dois Pianos em Ré Maior de Mozart, K. 448, em quatro tempos diferentes: 75%, 100%, 200% e 400% da velocidade original.

O andamento original é de 132 bpm e os resultados mostraram que a sincronia das batidas dos ratos foi mais clara na faixa de 120 a 140 bpm. Os pesquisadores também descobriram que ratos e humanos balançavam a cabeça de acordo com a batida em um ritmo semelhante, e que o nível de movimento emitido pela cabeça diminuía conforme a música aumentava.