Reaberto em 2011, Cine Joia anuncia o fim de suas atividades

O Globo
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Carlos Ivan
Carlos Ivan

RIO — Foram quase dez anos de atividades, 54 mostras e festivais, várias terças-feiras de Corujão da Poesia e um público cativo que ficará órfão de mais um cinema de rua na cidade. A história recente do Cine Joia, sala de 87 lugares revitalizada em 2011 no Shopping 680, na Avenida Nossa Sra. de Copacabana, chegou ao fim nesta sexta-feira (13), com o anúncio do encerramento de suas atividades.

Fechado desde março pelo do decreto estadual que determinou a quarentena na cidade por conta da pandemia, o estabelecimento contava com o contrato de patrocínio assinado com a RioFilme, válido até outubro deste ano, para manter a operação até poder reabrir. No entanto, segundo seu sócio-fundador, o cineasta Raphael Aguinaga, o Cine Joia deixou de receber os repasses mensais de R$ 10 mil desde abril, antes de saber que o contrato havia sido revogado unilateralmente. Após tentativas de contato com a prefeitura, o exibidor — que chegou a abir uma filial em Jacarepaguá, em 2014 — se viu obrigado a dispensar os dois funcionários e a devolver as chaves do imóvel na semana passada.

— O contrato previa uma contrapartida de 48 sessões educativas, para alunos da rede municipal e jovens e idosos que vivem em abrigos. Já tínhamos feito 30 sessões, e as outras 18 seriam após o fim da pandemia — conta Aguinaga. — Mas após os atrasos, procuramos a prefeitura e só aí soubemos que o contrato tinha sido suspenso, com a justificativa do combate à pandemia. Sabemos que a decisão está acima da RioFilme, mas se a prefeitura tivesse ao menos nos comunicado, buscaríamos outras alternativas. Além das despesas fixas, não daria para adequar a sala aos protocolos sanitários.

Uma possibilidade seria o Programa Especial de Apoio ao Pequeno Exibidor (PEAPE), lançado pela Ancine em julho, mas o contrato com o município inviabilizou o acesso ao crédito.

— Essa modalidade não é permitida a exibidores que já tenham apoio público. Como tínhamos patrocínio, não pudemos aderir ao programa, mesmo sem receber — ressalta Aguinaga.

Agora a história do Cine Joia pode virar um documentário, para o qual o diretor busca financiamento no exterior. A experiência de uma década de curadoria também pode originar uma plataforma de streaming:

— Nestes período fizemos contatos com festivais e instituições de todo o mundo, a ideia seria oferecer raridades e joias do cinema. Também contamos com a rede que construímos, com o público que ia ao Cine Joia mesmo sem saber qual era a programação.

Procurada, a SMC informou que a vigência do contrato terminou em 28 de agosto e que, “tendo em vista a pandemia da Covid-19 no Rio de Janeiro, foi solicitado pelo presidente da RioFilme uma readequação do projeto, mas não houve resposta favorável da parte do exibidor”.

Leia abaixo a íntegra do comunicado da SMC:

"A Secretaria Municipal de Cultura, por meio da RioFilme, esclarece que que não houve rescisão de apoio ao Projeto CineCarioca Escola – Copacabana, o que houve foi o término de vigência do contrato em 28 de agosto de 2020. O Projeto, uma ação de fomento ao acesso de estudantes da rede municipal de ensino ao cinema, também foi estendido para os assistidos pelos CRAS-Centros de Referência da Assistência Social. Tendo em vista a pandemia da Covid-19 no Rio de Janeiro, foi solicitado pelo presidente da RioFilme uma readequação do projeto, mas não houve resposta favorável da parte do exibidor".