Reações graves da Pfizer? Casos são raros em meninos e inexistentes no Brasil

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A boy receives a first dose of the Pfizer-BioNTech COVID-19 vaccine at a vaccination center in Oeiras, Portugal, on August 21, 2021. Portugal starts inoculating adolescents from 12 to 15 years old against COVID-19 on Saturday as the country reaches 70% of population fully vaccinated, the health minister, Marta Temido, said on Thursday.  (Photo by Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images)
Em Portugal, vacina da Pfizer também é utilizada para imunizar jovens a partir dos 12 anos de idade (Foto: Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images)
  • Vacinas de RNA mensageiro, como Pfizer e Moderna, apresentaram eventos adversos graves, mas casos são raros

  • Imunizantes geraram casos de miocardite ou pericardite nos EUA, mas no Brasil não houve esse problema

  • CDC e Anvisa avaliam que risco é baixo e benefício da vacina é maior

Diversos estados do Brasil deram início à vacinação de jovens entre 12 a 17 anos. A baixa adesão, no entanto, chama atenção. Em um grupo de mensagens de pais de uma escola particular, na região oeste da cidade de São Paulo, a mãe de um aluno compartilhou a mensagem do pediatra do filho. O médico recomendava “aguardar um pouco” para vacinar meninos adolescentes.

O motivo? Um possível evento adverso raro gerado por vacinas de RNA mensageiro, como da Pfizer e da Moderna, que pode gerar miocardite ou pericardite. O medo gerado pela mensagem levou responsáveis por outros alunos a decidirem não vacinar os filhos.

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Vale a pena deixar de vacinas os filhos?

O evento adverso foi, efetivamente, registrado nos Estados Unidos, mas não houve casos no Brasil até o momento. Mesmo entre os norte-americanos, não houve mortes após o diagnóstico.

Em um comunicado de 23 de junho, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos anunciou o evento adverso grave. A maior parte deles foi em adolescentes e jovens a partir dos 16 anos. Os sintomas apareceram após a segunda dose.

“A maior parte dos casos foi em adolescentes, mas foram casos rasos, casos muito infrequentes e, na grande maioria, sem maior gravidade. As pericardites e a miocardites, quando acontecem, o tratamento é tomar anti-inflamatório por poucos dias. E não temos relatos de mortes por miocardite após vacina”, explica o infectologista Gerson Salvador.

“O potencial benefício conhecido da vacinação contra a covid-19 é maior do que os riscos já reconhecidos, como a possibilidade de miocardite e pericardite. Além disso, a maior parte dos pacientes com miocardite e pericardite que receberam cuidados responderam bem ao tratamento e se sentiram bem rapidamente”, esclareceu o CDC à época.

Mesmo após a identificação, o CDC continua recomendando a imunização dos jovens a partir dos 12 anos com a vacina da Pfizer, a única aprovada para ser aplicada nesta faixa etária, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil - além de outros países do mundo. 

A agência norte-americana explica que os riscos oferecidos pela covid-19 são grandes e, por isso, a imunização a importante. A exceção é para casos em que um médico orientar que a vacinação pode ser um risco.

Gerson Salvador lembra que a covid-19 está atingindo pessoas mais novas. E no Brasil, a maior parte das vítimas não está vacinada. “No Brasil, 97% das pessoas que morrem de covid são pessoas não vacinadas. É incomum e pouco frequente, mas os jovens podem ter doença grave, sim, e podem também transmitir a doença para outras pessoas em casa”, afirma.

Em 9 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um comunicado sobre o possível efeito adverso grave, mas alerta que há mais benefícios do que riscos. “A Anvisa ressalta que mantém a recomendação de continuidade da vacinação com a vacina da Pfizer, dentro das indicações descritas em bula, uma vez que, até o momento, os benefícios superam os riscos.”

“É um evento adverso muito raro, não teve nenhum caso com maior gravidade, e a vacina vai proteger os adolescentes de terem doenças mais graves, além de reduzir a chance de transmissão em domicílio para pessoas de outras faixas etárias que eles possam ter contato”, resume o infectologista.

Para muitos pais, a vacinação é uma condição importante para que os filhos voltem a assistir aulas de forma presencial. Gerson Salvador afirma que, com os jovens vacinados, a segurança nas escolas seria maior.

O que é miocardite, pericardite e quais os sintomas

A miocardite é a inflamação no miocárdio, músculo cardíaco, enquanto a pericardite é a inflamação no tecido que envolve o coração.

Os sintomas mais comuns são:

  • Dor no peito

  • Respiração ofegante

  • Batimento cardíaco acelerado

Caso sinta qualquer um desses sintomas, o recomendado é procurar um médico.

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