Reage Rio!: Projetos da Mangueira e de outras escolas levam arte, cultura e educação para crianças e adolescentes do Rio

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“Na sala de aula é que se forma um cidadão; na sala de aula é que se muda uma nação; na sala de aula não há idade, nem cor”. Os versos cantados por Leci Brandão em “Anjos da guarda” dão o tom no trabalho coletivo feito por escolas de samba do Rio que transformam as quadras em locais de aprendizado e, mesmo diante às adversidades da pandemia, entenderam a importância de seus projetos socioculturais e não deixaram a peteca cair.

Na Mangueira, por exemplo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Matheus Oliverio e Squel Jorgea, transmitem, desde 2019, a arte da dança para 28 alunos com idades entre 7 e 21 anos. Com a chegada da Covid, em março do ano passado, eles precisaram superar as dificuldades.

— Nós temos padrinhos que nos ajudam. Uma realidade difícil foi agravada ainda mais com a pandemia, o desemprego e a falta de alimentos na mesa. Mesmo com as aulas interrompidas, seguimos distribuindo cestas básicas. Era preciso, essas famílias precisavam comer — explica Squel.

O projeto voltou presencialmente em setembro. Segundo a porta-bandeira, o aprendizado é diário e mútuo.

— A oficina nasce a partir de um sonho. Dentro do projeto, além da dança e da teoria, transmitimos valores de educação, empatia e respeito que mudarão a vida de cada um, que os tornarão cidadãos. É uma honra ter a responsabilidade de compartilhar conhecimentos e plantar sementes num terreno tão rico culturalmente e cheio de ancestralidade. Ensinamos e aprendemos todos os dias.

A dona de casa Vera Lúcia Silva, de 68 anos, é avó da aluna Pietra Brun, de 13 anos.

— Com certeza o futuro da minha neta só tem a ganhar. A vejo com mais concentração, postura e menos ansiedade.

Em Caxias, na Baixada Fluminense, o projeto "Pimpolhos da Grande Rio" também não desanimou durante a pandemia. A iniciativa, que aposta na arte e na cultura como veículos de transformação social por meio de cursos de qualificação, oficinas de arte, bolsas de estudo e acolhimento social, precisou se reinventar.

— As crianças precisam da interação social. Mas mesmo com barreiras, houve uma continuidade na construção da resiliência. Vimos aulas com seis pessoas utilizando a mesma tela do celular, com internet precária. Mas ninguém desistiu. Hoje, seguimos com as oficinas na quadra mas também vamos às comunidades. Foi um desafio que não nos parou — afirma Camila Soares, diretora geral.

No comando dos ritmistas da Grande Rio, Mestre Fafá é formado no projeto e acredita que ter passado pela Pimpolhos foi essencial na sua vida.

— O projeto representa a minha formação, tudo que eu sou. Se não fosse essa iniciativa, eu poderia ter sido mais uma criança perdida, sem perspectiva de futuro.

No Salgueiro, a ex-porta-bandeira Mara Rosa, de 36 anos, sente-se no dever de retribuir tudo que já recebeu dos projetos sociais da escola.

— A iniciativa “Salgueirar vem de criança” tem aulas de percussão, samba, balé e mestre-sala e porta-bandeira. Para os pais, oficinas de alegorias e adereços. São 500 crianças que voltarão este mês a ter aulas presenciais. Conosco, sabemos que estão protegidas, com comida na mesa e sem os perigos da rua. Sou a prova viva de que iniciativas como essa mudam a vida de alguém.

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