Reajuste de dois dígitos faz plano de saúde pesar no orçamento

Aumento no plano de saúde deve ficar, no mínimo, em 15%
Aumento no plano de saúde deve ficar, no mínimo, em 15%
  • Aumento deste ano deve ser de até 16%;

  • Alta na inflação é um das justificativas apontadas para o aumento;

  • Idosos serão os mais impactados por esses reajustes.

Os usuários dos planos de saúde têm enfrentado dias de tensão com a proximidade do período de reajuste nas tarifas. O mercado de saúde suplementar, que cresceu durante a pandemia e já conta com quase 49 milhões de beneficiários, tem pesado cada vez mais no bolso de quem precisa usar o serviço.

De acordo com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), a estimativa do percentual para o aumento no ano de 2022 será de 16,3%. Nessa linha, o Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS) divulgou um possível ajuste entre 15% e 18,2%, enquanto o Banco BTG Pactual apontou 15%.

Na prática, os idosos serão os mais impactados por esses reajustes e enfrentarão dificuldades para arcar com os custos elevados dos serviços médicos, pois os reajustes são aplicados na última faixa etária, ou seja, aos 59 anos.

As empresas justificam os reajustes com a alta da inflação, que impactou os preços de medicamentos e insumos médicos, além da incorporação de novas coberturas que também respinga diretamente no cálculo do valor a ser cobrado.

Em março, a inflação registrou a maior alta em 28 anos, atingindo 11,3% em 12 meses, e os planos de saúde seguem como um dos poucos itens que não ficaram mais caros, com recuo de -1,75% em 12 meses até março.

Como funciona o reajuste

Enquanto os planos individuais ou familiares, contratados diretamente com a seguradora, contam com um teto para aumento definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos coletivos, que se dividem entre empresariais ou por adesão, não têm os reajustes regulados pela ANS. Dessa forma, as administradoras ficam livres para aplicar os índices.

Devido à pandemia, a ANS, responsável por regular o setor de saúde privada no Brasil, suspendeu em setembro de 2020 a cobrança do reajuste anual dos planos de saúde até o fim do ano. Decisão que aliviou o bolso de mais de 25,5 milhões de brasileiros.

Depois disso, o órgão definiu que os planos de saúde individuais ou familiares teriam percentual de reajuste negativo de maio de 2021 até abril deste ano. O índice negativo de 8,19% refletiu a queda das despesas assistenciais ocorrida no setor.

Agora, com o aumento no preço de diversos itens, como medicamentos e insumos médicos, a retomada de procedimentos eletivos e o impacto de tratamentos de pacientes com Covid, além da incorporação de novas coberturas obrigatórias, os planos de saúde este ano devem ter reajustes maiores.

Na avaliação do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), apesar da inflação de dois dígitos no país, um reajuste de tal magnitude nos planos de saúde não se justificaria e preocupa, uma vez que representa mais um peso na cesta de consumo do brasileiro, que já vem sendo corroída pela disparada dos preços dos combustíveis e alimentos.

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