Reajuste do GNV faz cair procura por kit-gás. Investimento demora mais a ser compensado, mas ainda vale a pena

A Petrobras reajustou em 19% o preço do metro cúbico de gás natural para as distribuidoras de todo o país. Com o aumento, motoristas pararam, por hora, de fazerem a conversão para o kit-gás. Na convertedora GNV 4 Rodas, não foi feita nenhuma instalação nesta segunda-feira (em um dia convencional, eram feitas de três a cinco). A forncedora EDS Import, por sua vez, vendeu apenas três kits, contra uma marca de 15 a 20 vendas diárias, em média. Para o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa), o movimento é temporário, pois apesar do tempo para compensar o investimento inicial do motorista ter subido como reajuste do GNV, o combustível continua valendo a pena.

— Ficou deserto esta segunda. Não fiz nenhuma conversão. É desleal com a gente também esse aumento — critica Deivid Araújo, dono da GNV 4 Rodas.

Cléber Araújo, da EDS Import, também lamenta:

— Mesmo na semana de carnaval, eu vendi entre cinco e dez kits gás por dia. E nesta segunda eu vendi apenas três. O motorista fica muito assustado, eu sei. Está tudo aumentando: a carne, a luz... Mas ele tem que saber que o GNV continua sendo mais vantajoso do que o etanol e a gasolina — pontua.

Na GNV 4 Rodas, o kit-gás da quinta geração com cilindro 16 é instalado por R$ 4.500. Considerando que os postos repassem totalmente o reajuste no preço do GNV aos motoristas, a média de preço deve ir de R$ 4,49 (valor verificado pela Agência Nacional do Petróleo em coletas feitas nos postos de 24 a 30 de abril) para R$ 5,37 por metro cúbico. Segundo Caio Ferrari, professor do Ibmec, o tempo para um motorista médio compensar o investimento com o kit gás pode aumentar em quatro meses.

Um consumidor convencional que roda entre 500 quilômetros e 1 mil quilômetros por mês, antes do reajuste, conseguia compensar a conversão em 11 e 17 meses, respectivamente. Depois do reajuste, deve demorar 13 e 21 meses.

Já um motorista de táxi ou de aplicativo de mobilidade, que roda entre 3 mil quilômetros e 5 mil quilômetros, conseguia compensar o investimento em dois e três meses e meio. Agora, espera dois meses e meio e quatro meses, em média.

— Quando se roda pouco, a economia com o GNV é menor e aumenta o tempo necessário para compensar a conversão.

O cálculo considera também desconto em IPVA de R$ 800 para quem faz a conversão.

Ainda compensa

Os preços da gasolina, diesel e GLP já tinham sido reajustados há cerca de 50 dias pela Petrobras. Segundo o Sindirepa, mesmo com o aumento agora do GNV, a diferença de gastos com os combustíveis é grande. Quem roda 1 mil quilômetro por mês economiza 51% a menos rodando com GNV, na comparação com a gasolina. E 62% na comparação com o etanol.

— A diferença dos gastos a depender do combustível é a maior já vista historicamente. E allém dessa diferença de preço, tem o desconto no IPVA, outro grande atrativo para o pessoal fazer sua conversão. Então por isso que a gente acha que a queda na instalação de kit gás vai ser revertida em breve. E esperamos fechar o ano com crescimento de 5% a 10% no número de instalações em comparação com o dado de 2021 — explica Celso Mattos, presidente do Sindirepa e vice-presidente da Firjan.

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