Reajuste para servidor agora seria ‘covardia’ e 'traição ao povo', diz Guedes

Manoel Ventura

BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que os recursos que serão transferidos do governo federal para estados e municípios não podem ser transformado em aumento para servidores públicos porque isso seria uma “covardia” e “traição” com o povo brasileiro. O programa vai ter um impacto de até R$ 130 bilhões, reforçou o ministro.

— Estamos conscientes. Não pode faltar recursos para a saúde. Por isso é que não pode ter aumento de salário. Nenhum outro o uso dos recursos para fins que não sejam o combate ao coronavírus. Se não seria uma covardia contra o povo brasileiro. Se aproveitar do momento que a população brasileira está sendo abatida por um vírus, se aproveitar disso para fazer política, em vez de cuidar da saúde, seria uma traição ao povo brasileiro inaceitável — disse Guedes.

O ministro participa de audiência pública na comissão mista do Congresso Nacional que acompanha as ações de combate ao coronavírus.

O congelamento de salário de servidores públicos por 18 meses foi incluído como contrapartida na proposta de socorro a estados e municípios. O Senado deve votar o texto no sábado, que é relatada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A negociação de Guedes com o Senado começou depois da Câmara aprovar medida que prevê que a União compense por seis meses perdas na arrecadação de ICMS (nos estados) e de ISS (nos municípios). Para a equipe econômica, a ideia é um risco fiscal, por ser um cheque em branco aos governos locais.

Guedes afirmou nesta quinta que o debate sobre socorro aos estados e municípios para combater o coronavírus foi desvirtuado. Segundo ele, que a crise de saúde se transformou em um grande movimento para transferência de recursos da União para governadores e prefeitos.

— Visivelmente foi uma transformação da crise da saúde em outra coisa, eu não podia concordar. Aí eu pedi, então, ao senador Davi Alcolumbre. Eu falei: "Nós não podemos quebrar a União e transformar o que é uma crise de saúde em um grande movimento de transferência de recursos para estados e municípios com assuntos que não têm nada a ver com a saúde, isso não é razoável".  — disse.

O ministro da Economia afirmou que pediu ajuda a Alcolumbre porque estava havendo uma disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

— Aí o Alcolumbre deu um passo à frente em um momento em que estava havendo uma disputa entre o presidente da República e o presidente da Câmara — disse Guedes.

O ministro afirmou que também foi “atacado”.

— Um desentendimento comigo onde fui atacado, simplesmente por defender o Tesouro Nacional. Eu não reagi às críticas. Só pedi socorro ao Senado. Estamos ampliando o programa com uma contrapartida. Será uma transferência enorme, de R$ 130 bilhões. Mas isso não pode virar aumento de salário de funcionalismo. Foi o pedido que eu fiz — afirmou.

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