Do real para o virtual: pequenos negócios e empresas tradicionais apostam nas redes sociais

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Imagine um balcão virtual de negócios com milhões de consumidores. Esses pontenciais clientes estão nas redes sociais. O Facebook é o queridinho dos brasileiros, com 130 milhões de participantes, seguido por YouTube (127 milhões de usuários), WhatsApp (120 milhões de inscritos) e Instagram (110 milhões de cadastrados). Nesse ranking, desponta o TikTok, que tem 8,8 milhões de adeptos no Brasil. Com esse mercado promissor, as redes sociais têm dado moral a quem quer alavancar os negócios pela internet de uma forma descontraída.

Dois pontos foram destacados por empreendedores e empresas para essa aposta nos negócios on-line: a pandemia de coronavírus, que alterou o dia a dia de todos, elevando as possibilidade de consumo pela web, somada ao desemprego estratosférico, que já atinge 14,8 milhões de pessoas no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As redes sociais têm sido a alternativa para alavancar as vendas de microempreendedores individuais (MEIs), de pequenos negócios e até de empresas tradicionais que viram na internet uma forma de não perder clientes e ampliar a oferta de produtos e serviços. Especialistas dão dicas de como empreendedores e empresas podem se posicionar para conquistar o mundo digital.

— Alguns elementos são fundamentais: apresentar um produto de qualidade, conhecer o público-alvo, posicionar a marca, dominar a matemática do produto e montar uma máquina de aquisição de clientes — avalia André Siqueira, cofundador da RD Station, empresa de marketing digital.

O crescimento da visibilidade utilizando a plataforma TikTok, que ainda não monetiza usuários no Brasil, fez a loja de brinquedos My Toy aumentar as vendas em 60%. Karla Badaro, sócia proprietária da empresa (mytoybrinquedos.com.br), que fica em Araçatuba, no interior de São Paulo, publica dois vídeos por dia na plataforma.

— O TikTok é uma febre entre crianças e adolescentes. Em todos os lugares, a gente vê essa galerinha replicando as dancinhas. Como eles são meu público-alvo, vi que estar lá era mais importante para mim do que nas outras redes sociais. A aposta valeu a pena, aumentando nossas vendas e criando um canal direto de relacionamento com nossos clientes — comemora Karla.

O consultor Mozart Ruysam, que ajudou Karla a impulsionar as vendas na plataforma, dá dicas valiosas para quem quer alavancar os negócios pelo TikTok: a primeira coisa a se pensar quando o assunto são vendas é a construção de audiência.

— O Tik tok é uma plataforma incrível para construir audiência porque, trabalhando do jeito certo, o usuário consegue rapidamente seus primeiros seguidores — diz Mozart, que é influenciador digital, com mais de 621 mil seguidores no TikTok (https://vm.tiktok.com/ZMdVPYLF6/), e fundador da Universidade da Fama Agency, agência especializada em gestão de carreira de tiktokers.

Há pouco mais de um ano Danielle de Jesus, moradora de Madureira, na Zona Norte do Rio, saltou de consumidora para fornecedora e professora. Empreendedora, ela é dona de um ateliê de beleza em casa, onde faz maquiagens e penteados. No entanto, queixas recorrentes das clientes em relação a volume, comprimento e textura de cabelos chamaram a sua atenção. Para dar um "up" no visual, muitas mulheres, inclusive ela, utilizam uma aplicação de lace front, que é um tipo de peruca confeccionada com renda.

— Utilizo lace há muitos anos e na rua via que os acabamentos estavam muito artificiais. Foi quando veio a ideia de produzir o acessório de forma a parecer o mais natural possível — conta Danielle, que utiliza técnica de maquiagem na aplicação da lace.

O boom do negócio, que pode ser conferido em https://www.instagram.com/daniellejustit/, veio com um vídeo publicado no TikTok. Nas imagens, ela mostra o antes e depois de uma cliente que colocou o acessório. Desde então, as encomendas dispararam.

— Gosto de transformar pessoas para melhor — conta Danielle, que hoje dá curso de como confeccionar lace front.

— O mundo da maquiagem está ligado no mundo das laces. Uma coisa liga a outra. Tudo é arte e transformação — diz.


União de tradição e modernidade. Essa foi a fórmula encontrada pela padaria Cisne Branco, na Freguesia, Zona Oeste do Rio, para driblar as restrições de circulação e funcionamento do comércio impostas pela pandemia em 2020. Fundado em 1959, o tradicional estabelecimento deu uma repaginada para continuar a atender os antigos clientes e conquistar novos consumidores.

Um dos primeiros passos foi criar um perfil no Instagram (www.instagram.com/padariacisnebranco/) para chegar ao público mais descolado e mostrar a oferta de serviços e produtos da padaria. Além disso, o estabelecimento aderiu ao delivery para fazer as encomendas chegarem mais rapidamente e em segurança.

— Os clientes visitam as páginas nas redes sociais e veem nossos produtos. Alguns entram em contato pela plataforma mesmo, outros fazem o pedido pelo WhatsApp, tem um link no perfil, e também pelo telefone fixo — explica Rafael Maia, que destaca o atendimento aos clientes de longa data como um diferencial.

— Muitos não gostam de internet e preferem conversar com o pessoal do atendimento, que já sabem até suas preferências — conta.

A Cisne Branco oferece serviços de panificação, confeitaria, lanchonete e restaurante. De acordo com Rafael, a entrada nas redes sociais naquele momento da pandemia deu mais visibilidade ao negócio.

Em 2015, um jovem empreendedor resolveu investir em material lúdico e escolar e levar uma nova proposta para escolas de Minas Gerais. Por seis anos, o carioca Vitor de Moraes, atualmente morador de Pará de Minas, visitava as unidades escolares com seu catálogo de produtos e foi tocando o próprio negócio, a Learn Brinks (https://www.learnbrinks.com.br/). Vitor não imaginava que, com a pandemia, fosse diversificar seu portfólio para atender às demandas por conta da Covid-19.

Hoje, além de brinquedos, máscaras, tapetes higienizantes, produtos de limpeza e totens de álcool gel, até fogões, televisores, microfones e outros equipamentos são comercializados e distribuídos em todo o país.

Em 2020, conta Vitor, foi criado um perfil no Instagram (https://www.instagram.com/learn.brinks/) com os novos produtos. Foi quando ele percebeu um aumento nos negócios.

— Além de visibilidade, o perfil trouxe mais credibilidade, pois nosso portfólio inclui, além de produtos, o depoimento de clientes — avalia.

A pequena empresa, que começou com uma pessoa, hoje emprega mais sete trabalhadores.

— O negócio movimenta muita gente, como a transportadora que faz as entregas. Eles trabalham conosco de forma indireta — explica Vitor.

1) O primeiro passo para escolher o que fazer dentro da plataforma é: consumir muito. Segundo Mozart Ruysam todo grande criador foi um grande consumidor. Ele orienta que o empreendedor ou comerciante tire 30 minutos por dia para "consumir" Tik Tok.

2) Na plataforma, observe o que tem sido feito entre os criadores, entendendo qual o formato de vídeos que estão usando. Assim é possível encaixar um conteúdo interessante no seu nicho.

3) Aproveite oportunidades, não deixe passar o momento. O que muitas pessoas fazem de errado é reconhecer o formato de vídeo que está bombando no momento e pensar muito sobre o que fazer, demorar muito para postar, e a chance de fazer uma trend bombástica passa.

4) Avalie a qualidade do produto ou do serviço que vai veicular: "Mesmo que se 'force' a venda, se o produto for de baixa qualidade, vai ser difícil impedir o boca a boca da clientela relatando experiências ruins ou indicando produtos melhores", alerta André Siqueira.

5) Conheça o público que vai destinar o produto ou serviço. Segundo André Siqueira, é por meio deste conhecimento que será possível determinar o conteúdo e o tom de sua estratégia, assim como os canais de aquisição e de relacionamento com o cliente.

6) Monte uma "máquina de aquisição de clientes", com práticas e técnicas para consolidar um funil de vendas. Para André Siqueira, é preciso ter cuidado especial com três pilares essenciais para obtenção de resultados: pessoas, processos e ferramentas.

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