Realengo, Suzano e outros: Brasil tem longo histórico de ataques em escolas nos últimos anos

Gabriel Melloni
Estudantes se consolam após massacre em Suzano-SP. (Foto: Newton Menezes/Futura Press)
Estudantes se consolam após massacre em Suzano-SP. (Foto: Newton Menezes/Futura Press)
  • Jovem matou ao menos quatro pessoas em uma creche em Santa Catarina

  • O criminoso utilizou uma arma branca cortante para atacar suas vítimas

  • Crime assemelha-se a tantos outros ocorridos nos últimos 20 anos no país

O Brasil está novamente de luto por causa de uma chacina em uma instituição de ensino. O crime, desta vez, aconteceu na cidade de Saudades, em Santa Catarina, onde um jovem de 18 anos matou ao menos três crianças e uma professora em uma creche nesta terça-feira.

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A polícia catarinense informou que o criminoso tem 18 anos e foi detido. Ele utilizou uma arma branca cortante para atacar as vítimas e ferir outras duas pessoas. Uma funcionária precisou ser transferida e ainda luta pela vida.

Polícia e Corpo de Bombeiros atenderam à ocorrência nesta terça -  Foto: Simone Fernandes/Arquivo Pessoal
Polícia e Corpo de Bombeiros atenderam à ocorrência nesta terça - Foto: Simone Fernandes/Arquivo Pessoal

"Estamos trabalhando. Isolamos a creche para a perícia fazer seu trabalho. O que temos: foram três crianças e uma professora morta. Uma funcionária está em estado complicado e em deslocamento em Chapecó para ser atendida lá. Uma quarta criança foi lesionada, mas lesão leve, nada muito grave", explicou o delegado Jerônimo Marçal Ferreira.

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, classificou o episódio como “chacina”. Infelizmente, apenas a mais recente de diversas outras ocorridas em escolas por todo o país nas últimas duas décadas.

Adolescente matou ao menos quatro pessoas em Santa Catarina - Foto: Simone Fernandes/Arquivo Pessoal
Adolescente matou ao menos quatro pessoas em Santa Catarina - Foto: Simone Fernandes/Arquivo Pessoal

Suzano, 2019

O interior de São Paulo foi palco de um ataque que chocou o Brasil há dois anos. Em março de 2019, dois criminosos encapuzados invadiram uma escola estadual em Suzano e mataram oito pessoas antes de cometerem suicídio.

Adolescentes atiraram dentro da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (Foto: Mauricio Sumiya/Futura Press)
Adolescentes atiraram dentro da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (Foto: Mauricio Sumiya/Futura Press)

O maior massacre já registrado no estado foi protagonizado por dois ex-alunos da instituição, fortemente armados com revólver, arco e flecha, besta, entre outros artefatos. Eles mataram cinco estudantes e três funcionários da instituição.

Medianeira, 2018

Em setembro de 2018, um ataque na cidade de Medianeira, no Paraná, poderia ter resultado em um desfecho bem mais trágico. Um adolescente abriu fogo contra colegas de classe em uma escola estadual, mas não houve mortos.

Dois jovens, de 15 e 18 anos, ficaram feridos e se recuperaram. Detido, o responsável pelos tiros explicou que era alvo de bullying de seus colegas e planejou o crime por mais de dois meses.

Janaúba, 2017

Como em Saudades, uma creche foi alvo do crime cometido em Janaúba, em Minas Gerais, em outubro de 2017. Na ocasião, nove pessoas, sendo oito crianças e uma professora, morreram em incêndio causado por um funcionário.

Vigia ateou fogo em creche de Janaúba, norte de Minas - Foto: Divulgação/Polícia Militar
Vigia ateou fogo em creche de Janaúba, norte de Minas - Foto: Divulgação/Polícia Militar

De acordo com a polícia na época, o vigia Damião Santos, de 50 anos, jogou álcool nas crianças e em si mesmo antes de atear fogo. Ele chegou a ser socorrido e levado a um hospital, mas também morreu horas depois.

Goiânia, 2017

Naquele mesmo mês, um adolescente de 14 anos matou dois colegas, de 12 e 13, ao atirar contra eles dentro de uma sala de aula em Goiânia. Outros quatro alunos ficaram feridos na ação.

O garoto responsável pelo crime foi convencido por professores a interromper a chacina quando recarregava a arma. Detido, o filho de policiais militares também relatou o bullying como motivador para o crime.

João Pessoa, 2012

Cinco anos antes, dois adolescentes também atiraram em colegas de uma escola estadual em João Pessoa. Os garotos, de 13 e 16 anos, feriram três alunos, mas ninguém morreu.

Os criminosos explicaram que a intenção era matar um colega, de 15 anos, com o qual vinham se desentendendo, mas acabaram acertando também outras duas garotas, de 17 anos. Todos eles tiveram alta nos dias seguintes ao ocorrido.

São Caetano do Sul, 2011

Em setembro de 2011, uma criança de apenas 10 anos abriu fogo contra uma professora em um colégio de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Em seguida, ele se matou com um tiro na cabeça.

A funcionária sobreviveu aos tiros. O menino era filho de um guarda civil municipal e roubou a arma calibre 38 do pai para realizar o crime.

Realengo, 2011

Ainda em 2011, mas no mês de abril, o crime que ficou conhecido como “Massacre de Realengo” matou 12 estudantes e feriu outros 13. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, atirou em salas lotadas de alunos de uma escola municipal no Rio.

No Rio, famílias que perderam entes no Massacre de Realengo
No Rio, famílias que perderam entes no Massacre de Realengo

O atirador, posteriormente, foi ferido pela polícia e suicidou-se. Em carta encontrada por agentes, o criminoso, ex-aluno da escola, explicava que o massacre foi motivado por humilhações que sofria na instituição.

Taiúva, 2003

Em janeiro de 2003, uma escola em Taiúva, no interior de São Paulo, foi alvo de outro ataque cometido por um ex-aluno. Edmar Freitas, de 18 anos, abriu fogo contra funcionários e estudantes antes de cometer suicídio.

Foram 15 disparos, no total, mas nenhum dos atingidos morreu. Oito pessoas, sendo cinco alunos, foram feridas. Uma delas ficou paraplégica. Edmar também teria sido motivado por bullying.

Salvador, 2002

Um adolescente matou duas colegas em uma escola de Salvador, em outubro de 2002. O rapaz de 17 anos abriu fogo contra as garotas e foi preso dentro da instituição, na sequência.

Filho de um perito policial, ele usou uma arma calibre 38 do pai para cometer o crime. Segundo relatos da época, o adolescente teria prometido vinganças às jovens de 15 anos por desavenças em uma gincana escolar.