Reativação na América Latina é insuficiente para recuperar 43 milhões de empregos (OIT)

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Um garçom desempregado pede ajuda em uma rua da Cidade do México, em 14 de agosto de 2020, em meio à pandemia de covid-19 (AFP/PEDRO PARDO)

A reativação das economias da América Latina e do Caribe é insuficiente para recuperar os 43 milhões de empregos perdidos desde o início da pandemia do coronavírus, alertou nesta quarta-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Lima.

“A incipiente recuperação econômica ocorrida, principalmente no quarto trimestre do ano passado e no primeiro trimestre deste ano, não se refletiu suficientemente no mercado de trabalho”, afirmou o diretor regional da OIT para a América Latina, o brasileiro Vinícius Pinheiro.

“Nem a quantidade nem a qualidade dos empregos que esta região necessita para fazer frente às consequências de uma crise sem precedentes está sendo gerada”, acrescentou, apresentando um estudo sobre o impacto da pandemia no emprego.

Pinheiro confirmou que durante a pandemia de covid-19 em 2020 até 43 milhões de empregos foram perdidos, e que foram recuperados apenas 29 milhões entre o segundo trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021.

“Ainda precisamos recuperar outros 14 milhões”, alertou Pinheiro, que destacou que o setor de serviços foi o mais afetado.

“Ainda existe uma lacuna muito grande de empregos perdidos” que não será fechada “antes de 2024 e 2025”, explicou.

Segundo o estudo, são as ocupações informais que lideram a recuperação do emprego, mas é uma modalidade instável, com baixos salários e sem direitos trabalhistas.

“Cerca de 70% dos empregos gerados de meados de 2020 ao primeiro trimestre de 2021 são ocupações em condições de informalidade, segundo dados de um grupo de países latino-americanos”, destacou o documento da OIT.

O relatório acrescenta que as mulheres, os jovens e os menos qualificados foram afetados de forma desproporcional pela contração do emprego e da renda.

“No caso das mulheres, houve uma queda na participação laboral após décadas de aumento de sua inserção no mercado de trabalho”, disse a autora do relatório, Roxana Maurizio.

“Cerca de 12 milhões de empregos a nível feminino foram perdidos no ano passado. Na região, observamos uma queda na participação da mulher”, explicou a pesquisadora argentina.

“Já se passaram mais de 15 anos desde que houve uma taxa tão baixa de participação econômica das mulheres”, acrescentou.

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