Reator chinês de Taishan é fechado após incidente com combustível

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Trabalhadores da central nuclear de Taishan, na China, em 8 de dezembro de 2013

O operador chinês China General Nuclear Power Group (CGN) anunciou, nesta sexta-feira (30), o fechamento "para manutenção" da central nuclear EPR de Taishan na China, que teve uma falha há um mês e meio, aumentando o medo de um vazamento de radioatividade.

"Depois de conversas entre as equipes técnicas francesa e chinesa, a Usina de Energia Nuclear de Taishan (...) decidiu fechar a unidade 1 para manutenção", afirmou o CGN em um comunicado.

A empresa nuclear francesa Framatome anunciou, no mês passado, um "inconveniente de funcionamento" da usina, depois que a emissora de notícias americana CNN informou sobre um possível vazamento radioativo.

Porém, Framatome afirmou depois que "apoiava a resolução de um problema de rendimento" no local, mas que segundo "os dados disponíveis, a central operava dentro dos parâmetros de segurança".

A usina de Taishan, que começou a operar em 2018, foi a primeira em todo o mundo a utilizar um reator nuclear EPR de última geração, um projeto com água pressurizada que tem sofrido anos de atraso em projetos europeus semelhantes no Reino Unido, França e Finlândia.

A usina chinesa está localizada na zona costeira da grande província de Guangdong (sul), a mais populosa do país, a poucas dezenas de quilômetros dos territórios semi-autônomos de Macau e Hong Kong.

No momento do incidente, a China minimizou os riscos e explicou que os níveis de radioatividade na usina eram normais.

O ministério chinês do Meio Ambiente e a Autoridade de Segurança Nuclear indicaram que houve um aumento da radioatividade dentro de um dos reatores causado "por cerca de cinco barras de combustível danificadas".

Esse fenômeno foi descrito como "comum" pelas autoridades, devido a "fatores incontroláveis" durante os processos de fabricação, transporte ou instalação na central nuclear.

As varetas de combustível contêm pastilhas de urânio e fornecem a energia que alimenta um reator nuclear.

Segundo a CGN, o fechamento da usina nada tem a ver com perigo iminente: os danos ao combustível "continuam dentro dos parâmetros admissíveis das especificações técnicas" e o reator poderia ter "continuado a operar de forma estável".

O objetivo do fechamento é "descobrir a causa dos danos que afetam o combustível e substituir o danificado", segundo nota da empresa.

Lançada em 1992, a tecnologia EPR é considerada uma joia do setor nuclear francês e foi desenvolvida pelo grupo francês Areva e pela alemã Siemens como parte de sua subsidiária conjunta, embora a empresa alemã tenha se retirado posteriormente.

A francesa EDF detém uma participação de 30% na usina de Taishan. A operadora chinesa CGN detém os 70% restantes.

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