Rebecca conta que já deu muitos sustos na mãe: 'Quando engravidei, apareci com mulher e cantei proibidão. Mas hoje é só orgulho'

Às vésperas do Dia das Mães, a cantora Rebecca conta que a sua família a apoia em tudo, mas que sua mãe Cristina se espantou com os desdobramentos de sua vida por muitas vezes. A funkeira cresceu no Morro São João, no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, e não foi criada por sua mãe biológica, que foi presa quando ela tinha menos de 1 aninho. Quem assumiu sua criação foi Cristina, que é também é sua tia.

— Eu falo com minha mãe biológica, mas não tenho muito contato. Minha mãe Cristina é tudo para mim, maravilhosa. Sempre tive ela e meu avô para me apoiar em tudo o que eu fazia desde pequena. Eles sempre me deixaram muito à vontade para eu decidir o que eu queria fazer. Morena está indo pelo mesmo caminho. Quando engravidei foi um susto. Minha família não aceitou muito, não. Mas depois eles ficaram de boa. Eu era muito nova também, tava no meu auge.

Convívio com o pai, Morena não tem, mas, em compensação, considera-se filha de duas mães. Cristina, inicialmente, também ficou surpresa quando Rebecca se assumiu bissexual.

— Eu nunca tinha aparecido com mulher na vida. Nos bastidores, sempre fiquei. Mas tinha medo de minha família não apoiar. Teve um momento em que não quis mais esconder. No início foi um bafo para eles, mas depois eles ficaram de boa. Viram que Suellen (ex-mulher com quem começou a se relacionar antes de engravidar, durante uma separação das duas) cuidava de mim, me dava assistência. Foi um relacionamento maduro, mas terminou em 2018. Ela continua cuidando da Morena, que a chama de mãe.

Rebecca diz que hoje a família é só orgulho dela. Mas, no início da carreira, eles ficaram receosos. Sua primeira música fala sobre sexo oral e também surpreendeu Cristina.

— Quando eu disse que iria cantar “Cai de boca”, ela perguntou: “Você vai cantar isso, minha filha?” Minha mãe não era acostumada com isso. Na época dela, tudo era mais rígido, não tinha essa liberdade de expressão. Ainda mais as mulheres cantarem o que cantam hoje. Mas, quando ela começou a ver o movimento e tudo o que estava acontecendo, que era isso mesmo que eu queria, me apoiou em tudo. Realmente, minha vida mudou da água para o vinho. Morava na favela, saí de lá, fui morar em outro lugar, hoje em dia minha família mora comigo. Tirei eles da comunidade, porque tinha muito tiroteio e isso me preocupava.

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