Quatro momentos em que a nova temporada de "Rebelde" decepcionou

Elenco do reboot de
Elenco do reboot de "Rebelde". (Foto: Divulgação/Netflix)

A segunda temporada de “Rebelde” já está disponível no catálogo da Netflix e chegou dividindo as opiniões dos fãs. Se distanciando ainda mais da produção original, a série retorna com novos personagens, interesses amorosos e conflitos para agitar a rotina dos estudantes da EW.

Apesar das novidades, os oito novos episódios não conseguiram se aprofundar o suficiente nos arcos dos protagonistas e acabou deixando a trama superficial, sem dar peso para as ações dos adolescentes. A série não desenvolveu bem as histórias dos estudantes e deixou os capítulos rasos em diversos momentos. Confira:

  • Conexão com a história original

A grande chave da primeira temporada é justamente como Jana (Azul Guaita), Esteban (Sérgio Mayer Mori), Andi (Lizeth Selene), Luka (Franco Masini), Dixon (Jeronimo Cantillo) e MJ (Andrea Chaparro) se uniram por conta do RBD.

Do trote à performance final da Batalha das Bandas, eles performaram canções da banda mexicana e tinham os integrantes como inspirações, mas nos novos episódios eles quase não são mencionados. O que não chega a ser um problema, mas como a história chamou a atenção do público justamente pela nostalgia, deixar de lado esse triunfo emocional acaba sendo um desperdício.

  • Temporadas gravadas ao mesmo tempo

Diferente da maioria das produções, a Netflix optou por gravar as duas temporadas de “Rebelde” ao mesmo tempo, portanto, não houve como os roteiristas verem a forma como o público reagiu à trama para desenvolver os novos episódios.

Caso tivessem esse período entre o lançamento da primeira temporada e o início da produção da segunda, eles poderiam entender melhor o que funcionou e quais momentos não agradaram tanto assim o público. Um exemplo disso é como o relacionamento de Andi e Emilia (Giovanna Grigio) foi o mais comentado pelos fãs da série e nos novos episódios elas quase não aparecem juntas, enquanto Jana e Esteban continuam tendo destaque mesmo sem agradar tanto.

  • Falta de carisma e profundidade dos personagens

O grande erro da temporada é manter os desenvolvimentos dos personagens superficiais e focados apenas no ego. Todos querem ser estrelas, mas perdem a maior parte do tempo competindo uns com os outros por status.

Esteban é o maior exemplo disso. O personagem começou a série apaixonado por Jana, um aluno bolsista tentando ganhar seu espaço e mostrar seu talento. Mas ao reconhecer o sobrenome Colucci, ele passa por cima de seus princípios para disputar o título de “melhor da turma”, deixando os amigos e a família de lado.

O talento de MJ também é ofuscado por sua briga com Jana para descobrir quem é a melhor vocalista em uma briga infantil e que não vai para lugar nenhum. Já Sebas (Alejandro Puente) perde o posto de antagonista para tentar fazer seu relacionamento com MJ funcionar. A mudança seria positiva, já que ele está tentando provar para a família que pode ser um grande artista, com uma carreira séria, mas até mesmo seu arco de redenção perde força no final da temporada.

No fim, Luka e Dixon são os único do grupo que ainda conseguem envolver o público por estarem cientes do talento que possuem, continuarem antagonizando e se divertindo na escola e por se manterem autênticos. Eles poderiam formar o melhor trio da série ao lado de Emilia, mas os roteiristas decidiram deixar de lado uma das personagens mais autênticas que tinham em mãos.

  • Conflitos sem consequências

Esse é um problema que se arrasta desde a primeira temporada, mas só ganhou força com a disponibilização dos novos episódios. Sebas, filho da futura presidente do México, é acusado publicamente de realizar trotes violentos, mas ele não sofre consequência alguma pela atitude. Isso poderia ter acontecido apenas por sua posição social? Sim, mas o problema persistiu com os demais personagens.

Nos novos episódios, Jana está solteira e conhece Okane (Saak), novo estudante do EW. O relacionamento é apenas por diversão, mas ele transmite ao vivo um momento íntimo dos dois e a jovem rapidamente se torna motivo de piadas na escola. A trama não mostra as consequências da ação na vida de Jana, que já é uma artista conhecida pela mídia, nem por Okane. Toda a ação ocorre dentro da escola, mas nenhuma autoridade menciona o caso e vira basicamente uma arma para ela ser ridicularizada pelo ex-namorado.

Todo o arco envolvendo o tráfico de drogas de Okane e Andi também beira o superficial. Enquanto ele está tentando limpar a imagem estudando no colégio interno, continua se medicando e mesmo ciente do iminente vício da baterista, ele vende pílulas o suficiente para ela ter uma overdose. A jovem vai para a reabilitação, ninguém sofre as consequências pelo caso e toda a gravidade da situação é rapidamente esquecida.