Chega a Roma o corpo do embaixador italiano morto em ataque na RDC

Bienvenu-Marie BAKUMANYA
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Os corpos do embaixador italiano Luca Attanasio e de seu segurança Vittorio Iacovacci, assassinados em um ataque no leste da República Democrática do Congo (RDC), chegaram na noite desta terça-feira (23) a Roma.

Um Boeing 767 militar, que partiu do aeroporto de Goma, capital de Kivu do Norte, aterrissou pouco após as 23h locais (19h de Brasília) no aeroporto de Ciampino, perto da capital italiana. Levava a bordo os restos mortais do diplomata e do jovem carabineiro em caixões cobertos com bandeiras italianas, segundo a TV pública Rai e a agência de notícias Ansa.

O primeiro-ministro, Mario Draghi, e o ministro das Relações Exteriores, Luigi Di maio, e o titular da Defesa, Lorenzo Guerini, foram ao Ciampino para receber a esposa do embaixador e as três filhas do casal, que também viajaram no mesmo avião.

Antes de saírem do território, as autoridades provinciais e militares de Kivu do Norte assistiram a uma cerimônia sóbria em homenagem ao diplomata, informou a Presidência da RDC.

Em Kinshasa, o presidente Félix Tshisekedi e sua esposa, Denise Nyakeru, foram à residência do embaixador para "uma visita de pêsames" à viúva e às filhas.

Em Roma, o papa Francisco enviou uma mensagem de condolências ao presidente italiano Sergio Mattarella, lamentando o "trágico atentado". O pontífice destacou as "qualidades humanas e cristãs" do embaixador e descreveu os dois italianos mortos como "servos da paz e do direito".

As autoridades congolesas acusaram na segunda-feira os rebeldes das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), grupo que opera há cerca de 20 anos na região, pelo assassinato dos dois italianos e um motorista congolês, Mustafa Milambo, nessa perigosa região do leste do país.

Attanasio, de 43 anos, morreu junto a Iacovacci e o motorista na segunda-feira em uma emboscada a um comboio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), perto de Goma.

Tshisekedi classificou o ataque como "terrorista".

- Esclarecer os fatos -

Os insurgentes rejeitaram a acusação nesta terça-feira e apontaram para os exércitos congolês e ruandês.

"O comboio do embaixador foi atacado em uma zona denominada 'três antenas', perto de Goma, na fronteira com Ruanda, perto de uma posição das FARDC (Forças Armadas da RDC) e de militares ruandeses das Forças de Defesa de Ruanda", afirma o comunicado das FDLR.

"A responsabilidade por este assassinato vil deve ser procurada nas fileiras dos dois exércitos e de seus patrocinadores, que formaram uma aliança não natural para perpetuar o saque do leste da RDC", acusam as FDLR.

Por isso, os rebeldes hutus ruandeses "exigem" que as autoridades congolesas e a MONUSCO (a missão da ONU na RDC) esclareçam as responsabilidades do assassinato, "ao invés de recorrer a acusações precipitadas".

As FDLR foram criadas no início dos anos 2000 por rebeldes hutus ruandeses, alguns dos quais participaram do genocídio dos tutsis de abril a julho de 1994 na vizinha Ruanda, antes de se refugiarem no leste da RDC.

- Disparos para o alto -

O comboio sofreu uma emboscada a três quilômetros de seu destino por seis desconhecidos, armados com cinco armas do tipo AK-47 e um facão, segundo a Presidência congolesa.

"Eles dispararam para o alto e obrigaram os ocupantes dos veículos a sair e a segui-los até o parque (de Virunga), depois de executarem um dos motoristas para gerar pânico", acrescentou a Presidência.

Alertados, guardas florestais e soldados congoleses presentes nas redondezas começaram a perseguir os agressores. "A 500 metros (do local do ataque) os sequestradores atiraram à queima-roupa contra o guarda-costas, que morreu no local, e contra o embaixador, ferindo-o no abdômen", segundo a mesma fonte.

Luca Attanasio "morreu devido aos ferimentos" depois de ser transferido para um hospital de Goma, disse à AFP uma fonte diplomática em Kinshasa.

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