Rebeldes sírios e grupo ligado à al-Qaeda declaram trégua perto de fronteira turca

BEIRUTE - Combatentes ligados à al-Qaeda e um grupo rival de rebeldes sírios declararam trégua, nesta sexta-feira, após dois dias de confrontos perto da fronteira com a Turquia, durante os quais militantes islâmicos invadiram uma cidade de fronteira, disseram os rebeldes. Combatentes do grupo Estado Islâmico do Iraque e o Levante (Isil), afiliado à al-Qaeda, mataram na quarta-feira ao menos cinco membros da Brigada Tempestade do Norte, um grupo rebelde que controla a fronteira.

Enquanto os países se dividem entre os que apoiam o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, e os que estão a favor dos opositores, há confrontos entre os próprios dissidentes. Militantes ligados à al-Qaeda tomaram, de outro grupo rebelde, a importante cidade de Azaz, no Norte do país.

Azaz fica a pouco mais de três quilômetros da fronteira com a Turquia e foi tomada por soldados do Estado Islâmico do Iraque e do Levante - grupo formado neste ano pela fusão de membros da al-Qaeda na Síria e no Iraque - após embates no principal hospital da cidade.

De acordo com ativistas, os combates começaram na quarta-feira depois que o grupo ligado à al-Qaeda tentou deter um médico sírio-alemão.

- Eles alegavam que queriam levá-lo para um interrogatório, mas a (Brigada) Tempestade do Norte (grupo rebelde mais moderado) não permitiu - explicou Abel Hamid al-Hussain, médico que trabalha em um hospital distante cerca de oito quilômetros do local.

Hussain contou que o outro médico trabalhava em uma instituição humanitária alemã e que o destino dele era desconhecido. Uma enfermeira foi detida.

A queda da cidade tem potencial para interromper a linha de fornecimento de suprimentos para os rebeldes. Isto porque Azaz fica em uma estrada entre Bab Salameh, que faz fronteira com a Turquia, e Aleppo. Ali está uma das poucas travessias ainda funcionais entre os dois países. O combate foi um dos mais sérios entre as forças contrárias a Assad e levou a Turquia a fechar na quinta-feira a passaegm na fronteira.

As tensões entre as facções rebeldes começaram com o aparecimento do Estado Islâmico este ano. O grupo declarou guerra a dois dos principais núcleos rebeldes na última semana, em uma ação que eles batizaram de "limpar o mal". A ascensão dos extremistas foi acompanhada por uma queda na segurança do Norte do país.

- Agora o conflito é interno, e é o regime que está se beneficiando - disse Malik al-Kurdi, coronel do Exército Livre da Síria, que contou também que os extremistas recentemente dominaram a cidade de Kafarnaje.

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