Rebelião no leste da RD Congo incendeia camião da ONU e fere dois capacetes azuis

Dois capacetes azuis ficaram feridos terça-feira à noite na República Democrática do Congo (RDC), na sequência do ataque de uma multidão em fúria contra um comboio das Nações Unidas (ONU) nas proximidades de Goma, a capital da província do Kivu Norte.

Numa publicação de "tuítes" em cadeia, a MONUSCO, a força de pPaz da ONU na RDC, explicou ter-se tratado de um ataque por volta das 21 horas contra o comboio proveniente de Rumangabo com destino a Goma, que tinha parado num posto de controlo das forças armadas da RDC em Kanyaruchinya, a oito quilómetros da capital de Kivu Norte.

"A MONUSCO disparou tiros de aviso e finalmente conseguiu sair da área. Dois engenheiros do Bangladesh ficaram feridos", confirmou a força de Paz da ONU na RDC, acrescentando que "destruir os equipamentos da MONUSCO é limitar a sua capacidade de intervenção no cumprimento do mandato de proteger os civis".

O Quénia, anunciou, entretanto, o envio de forças militares para a RDC no quadro da intervenção militar regional de apoio ao regime congolês no combate às rebeliões ativas no leste do país.

"Na qualidade de vizinhos, o destino da RDC está ligado ao nosso", justificou o recém eleito Presidente queniano William Ruto, em Nsirobi, numa cerimónia de apresentação do contingente militar prestes a partir.

A força internacional que vai integrar o contingente queniano vai contar também com tropas do Burúndi, do Uganda e do Sudão do Sul, numa "missão para proteger a humanidade".

A RDC tenta controlar as atividades de diversos grupos rebeldes armados que proliferam no leste do país, com especial intensidade na província do Kivu Norte, onde ressurgiu no final do ano passado o apelidado Movimento do 23 de Março (M23), uma milícia tutsi que tem vindo a intensificar os ataques há cerca de duas semanas, tendo tomado o controlo de diversas localidades na região de Rutshuro, a norte de Goma, num importante eixo rodoviário de acesso à capital de Kivu Norte.

Os ataques do M23 motivaram a fuga de milhares de pessoas rumo a Goma. Muitos desses deslocados estavam nas proximidades do posto de controlo de Kanyaruchinya, onde se deu esta terça-feira à noite o ataque ao comboio da MONUSCO.