Reboot de "Gossip Girl" acerta na nostalgia, mas peca demais com a Geração Z

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Reboot de Gossip Gil pode estrear ainda neste ano. Foto: Reprodução/Instagram (@gossipgirl)
Reboot de Gossip Gil não atinge a geração Z. Foto: Reprodução/Instagram (@gossipgirl)

"Oi galera do Upper East Side, aqui é a Garota do Blog": a frase icônica que nós, millennials, não ouvíamos há quase uma década está de volta às telas. O primeiro episódio do reboot de "Gossip Girl" estreou nesta quinta-feira (08) na HBO Max com a promessa de reviver todos os escândalos da elite de Nova Iorque, e ainda assim, agradar a geração Z com temáticas mais progressistas (oi, "Euphoria"). 

Assim como uma grande leva de remontagens que vêm por aí pela mesma plataforma de streamings ("Sex and The City", "Friends: The Reunion"), a produção procura dar uma repaginada em uma série que com certeza teria sido cancelada pelo twitter em 2021.

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Mas a verdade é que mesmo com temas como sexualidade fluida e toda uma era nova de redes sociais para fofocas quentes sobre os estudantes da Constance Billard, o novo "Gossip Girl" ainda parece ter sido feito apenas para saciar a nostalgia de quem amava Blair, Chuck, Serena, Dan e Nate lá em 2007. 

(**Spoilers a partir daqui**)

O primeiro episódio começa basicamente com a mesma premissa da série antiga. Um grupo de populares ainda comanda o colégio particular e é liderado por Julien Calloway (Jordan Alexander), filha de um produtor musical milionário e influenciador com milhares de seguidores nas redes sociais. 

Sua meia-irmã Zoya Lott (Whitney Peak) acaba de se mudar para Nova Iorque quando consegue uma bolsa no colégio tão desejado e as duas tentam bolar um plano em que Zoya conseguiria adentrar o grupinho popular. Mas, é claro, o tiro sai pela culatra e as duas acabam o episódio como inimigas - o tipo de relação que já amávamos com Blair Waldorf e Serena Van der Woodsen. 

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A verdadeira "Gossip Girl"

O grande twist é que, diferente da primeira leva de temporadas, no remake descobrimos quem é a tão secreta "Garota do Blog" de primeira: professores comandados por Kate Keller (Tavi Gavinson) estão cansados da insubordinação de alunos elitistas, que conseguem demitir qualquer pessoa do grupo docente com o envio de um Whatsapp. Eles então decidem criar uma conta no Instagram e reviver "gossip girl" como uma forma de controlar os adolescentes mimados.

E sim, na série isso soa tão patético quanto parece. 

Na tentativa de talvez entregar personagens maduros para que nós, millennials, pudéssemos também nos identificar dentro do mundinho de Nova Iorque, a produção só te deixa questionando se esses professores não tem mais nada pra fazer além de perseguir a vida de menores de idade, sem nenhum tipo de lição que não seja a "má reputação" - isso sim é que é cringe. 

Temáticas progressistas

Quem esperava por temas atuais e a adolescência no seu lado mais cru (como aconteceu em "Euphoria") pode tirar seu cavalinho da chuva - mas nem tanto. 

Em 2021, Gossip Girl traz mais personagens negros, sexualidade fluida e até uma atriz trans no elenco (Zion Moreno). E, apesar do momento na TV claramente precisar ser comemorado, ao menos no primeiro episódio o sentimento é de que tudo será tratado de maneira estereotipada. 

É o caso, por exemplo, do personagem Max (Thomas Doherty), um jovem bissexual reduzido apenas a sua paixão pelo mundo do sexo e drogas - um Chuck Bass repaginado, vamos dizer.

Dificilmente a geração Z deixará passar batido também, o fato de que em um mundo onde o movimento do body positivity é tão destacado, não há um personagem que não tenha um "corpo padronizado". A magreza das jovens inclusive chega a incomodar em alguns momentos.

O elemento nostalgia

Contudo, é inegável que quem foi fã da série até seu fim em 2012 sentirá pelo menos um calorzinho no coração assistindo os jovens sentados na escadaria do MET. Com os mesmo looks luxuosos repaginados para a moda atual, um Brooklyn que em 2021 é muito mais descolado do que em 2007 e as mesmas fofocas quentes, a verdade é que a série foi feita para o millennial que já viveu todo esse drama, e não para a nova geração.

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