Recém-confinada, Viena lamenta 'ataque terrorista'

Denise HRUBY
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Espectadores da ópera saem do Teatro escoltados pela polícia no centro de Viena, em 2 de novembro de 2020, após tiroteio
Espectadores da ópera saem do Teatro escoltados pela polícia no centro de Viena, em 2 de novembro de 2020, após tiroteio

Os amantes da música festejaram a última ópera, os jovens tomaram o último gole, ou aproveitaram a última ida com amigos a restaurantes, antes de entrarem em um mês de confinamento quando homens armados acabaram com a calma de Viena.

Restam muitas questões, mas, de acordo com os primeiros elementos, o atentado cometido por homens armados - dos quais pelo menos um conseguiu fugir e outro, segundo a polícia, está morto - atingiu o coração da capital austríaca.

Perpetrado perto de uma sinagoga, o tiroteio teria-se espalhado para cinco outros lugares nas proximidades. 

Testemunhas relataram que viram um homem atirar "como um louco" com uma arma automática. 

"Primeiro pensamos que fossem fogos de artifício, mas depois percebemos que eram tiros", disse um deles à emissora pública de televisão ORF.

- "Mãos ao alto!" -

Comoção nos restaurantes e nos bares do bairro, onde os clientes foram obrigados a permanecerem em seu interior, com as luzes apagadas, enquanto as sirenes das ambulâncias soavam do lado de fora.

"De repente, umas pessoas entraram e disseram 'não pode sair, há um tiroteio'", contou Jimmy Eroglu, 42, garçom em um café.

"No início, disse a mim mesmo que talvez eles estivessem fazendo um filme americano, ou que tivessem bebido demais", acrescentou.

Mas ele ouviu tiros e correu para fechar a porta. "Depois a polícia chegou e disse: 'Você deve ficar dentro de casa, porque provavelmente tem um homem morto ali'".

O pânico também se espalhou pelas academias, cheias nas últimas horas de abertura, e que mergulharam na escuridão para que os frequentadores não fossem vistos pelos agressores.

Nas redes sociais, a polícia não deixa de recomendar cautela aos moradores: "Fiquem em casa", as mensagens se repetem no Twitter.

Helicópteros sobrevoam o local, barreiras policiais, fronteiras controladas, soldados e policiais se mobilizam para encontrar o agressor fugitivo. 

A cidade de Viena de repente se torna uma zona blindada, enquanto o chanceler Sebastian Kurz condena o "repugnante ataque terrorista". 

Robert Schneider, que mora não muito longe do local do ataque, sai de seu prédio, quando, de repente, encontra "duas miras de laser em seu peito".

"Levante a mão, tire o casaco!", ordenam os policiais. 

"Não tínhamos visto, ou ouvido nada. Estamos chocados", disse o homem de 39 anos à AFP.

Enquanto uma estranha calmaria reina nas ruas desertas, pais preocupados vão em busca da filha de 17 anos, que havia saído com amigos algumas horas antes do segundo confinamento decretado pelo governo para tentar conter a onda de infecções pelo coronavírus.

Os espectadores da Ópera são escoltados pela polícia, surpresos ao encontrar sua cidade sitiada, após assistir a uma apresentação do tenor franco-italiano Roberto Alagna e da soprano polonesa Aleksandra Kurzak. 

As novas restrições entraram em vigor, mas, de repente, a pandemia parece estar muito distante.

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