Receio de vacina desacelera imunização contra Covid-19 na África

Maggie Fick
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Profissional de saúde recebe vacina contra Covid-19 em Accra, em Gana

Por Maggie Fick

NAIRÓBI (Reuters) - Quando Edith Serem recebeu sua vacina contra Covid-19 no mês passado em um hospital de Nairóbi no qual trabalha como médica, enfermeiras alertaram de brincadeira que ela poderia começar a falar em uma língua estrangeira.

Serem disse que alguns colegas receberam a vacina da AstraZeneca depois de observá-la atentamente durante vários dias para ver se ela estava bem, mas outros se recusaram, ainda receosos de possíveis efeitos colaterais.

Especialistas em saúde temem que o ceticismo público sobre a administração do número relativamente pequeno de doses que países da África lutam para adquirir prolongue uma pandemia que já matou mais de 3,3 milhões de pessoas em todo o mundo.

"Não sou antivacina... meus filhos estão com as vacinações de tudo que existe em dia, mas esta? Não estou confiante", disse um médico do Quênia, que não quis se identificar por não estar autorizado a falar com a mídia.

O receio da vacina é um fenômeno global. França e Estados Unidos estão tendo problemas com ele, e o ceticismo está em alta em alguns países asiáticos, como o Japão.

Na África, especialistas em saúde dizem que uma combinação de alertas sobre possíveis coágulos sanguíneos, a depreciação das vacinas por parte de alguns líderes e mensagens confusas sobre datas de validade contribuem para a distribuição lenta em todo o continente.

A Covid-19 tampouco assolou os 1,3 bilhão de habitantes da África como fez em alguns países da Europa, no Brasil, nos EUA e na Índia, o que faz com que parte do continente duvide da gravidade da doença.

(Reportagem adicional de Edward McAllister em Dacar e Libby George em Lagos)