Receita apreende em SP estoque de vinhos avaliado em R$ 10 milhões

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação da Receita Federal contra a importação clandestina de vinhos resultou na apreensão de cerca de 20 mil garrafas da bebida na cidade de São Paulo. As vistorias ocorreram nesta quinta (29) e sexta-feira (30) em três estabelecimentos, cujos nomes não foram revelados.

O estoque, avaliado em aproximadamente R$ 10 milhões, foi encontrado em uma única distribuidora de bebidas no Tatuapé, zona leste da capital.

De acordo com a Receita, o estabelecimento comercializava vinhos com valores cerca de 20% abaixo do praticado pelo mercado --um vinho de R$ 2.000 era vendido por R$ 1.600, por exemplo.

A estimativa do órgão é que, somente com os produtos que foram apreendidos, a distribuidora deixou de recolher R$ 3 milhões em impostos.

A auditora-fiscal Carolina Silva disse que parte da mercadoria era conduzida em ônibus de viagem, daqueles conhecidos pelo transporte de sacoleiros. "Mas sabemos que o descaminho de vinhos é feito de várias formas, no porta-malas de carros, escondidos em meio a outras cargas em caminhões e contêineres. Sempre em condições que acabam por prejudicar muito a qualidade da bebida, alterando cor e sabor."

Informações obtidas pela Receita indicam que o transporte, antes realizado por sacoleiros que atuavam por conta própria, agora é dominado por organizações criminosas.

As apurações dos auditores indicaram que os estabelecimentos revendiam os produtos para diversos comerciantes, entre os quais alguns que mantêm boxes no Mercado Municipal, no centro da capital, de churrascarias em Minas Gerais e Goiás.

"Eles abasteciam algumas lojas do Mercadão. Também vendiam pelo site. Vendiam no atacado para restaurantes. Eles eram uma empresa muito conhecida no Brasil, uma das referências nacionais nessa parte de venda, principalmente de vinhos mais caros", disse Carolina.

A apreensão dos produtos ocorreu durante a Operação Evoé, referência ao grito de evocação proferido pelas sacerdotisas que cultuavam o deus Baco, conhecido como Deus do Vinho, na Roma Antiga.

A prática de descaminho é diferente de contrabando, já que o vinho é uma mercadoria de importação permitida. O contrabando é quando a mercadoria é proibida.

Apesar da operação, a distribuidora de bebidas não será interditada. Após o término da remoção dos vinhos apreendidos, o local poderá funcionar normalmente, disse a Receita.

As informações da investigação serão repassadas ao Ministério Público Federal, que pode oferecer denúncia contra os responsáveis pelos estabelecimentos.