Receitas fáceis para fazer com crianças na quarentena

Luciana Fróes
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Pituca, filha de Elia Schramm de 6 anos, ajuda o pai na cozinha

Em tempos de quarentena, quem tem filhos em idade escolar está cortando um dobrado para inventar o que fazer com as crianças. E a hora de preparar as refeições pode, em vez de exigir malabarismo, entrar para a lista de atividades que mobilizam toda a família. Para isso, é só escolher as receitas certas e juntar todos em volta do fogão. Com o hábito de cozinhar com os filhos, chefs contam que desde sempre cultivam o hábito de preparar doces e salgados com os pequenos, com uma ajuda que pode ser apenas lavar um arroz, separar os galhos do manjericão ou ajudar a misturar a receita de bolo.

Elia Schramm — chef executivo dos restaurantes Posì, Mimolette e Oia, entre outros — conta que seu interesse pela a cozinha despertou ao ver a tia preparando pudim de pão, polenta...

— Eu tinha a uns 6 anos, idade da minha filha hoje, e lembro que corria para o fogão e ficava fascinado vendo a tia Gertrudes transformar uma farinha de milho em polenta. Era uma coisa mágica. Vejo esse brilho se repetindo com a minha filha, que leva o maior jeito. Sobe no banquinho e mexe uma panela como poucos, segura, sem risco algum. É delicioso cozinhar com filho — diz o chef, que ensina a receita do nhoque da Pituca, apelido de Olívia. — Quando o nhoque sobe para o alto da panela, ela fica louca! Acha que eu sou mágico.

A tal magia da cozinha é, para Manu Zappa, do Prosa na Cozinha, o caminho para apresentar às crianças o mundo da culinária.

— Quando são pequenos, eles gostam das coisas mais lúdicas: quebrar o ovo, misturar a farinha... Doces e bolos podem ser mais divertidos, eles vão vendo as coisas se misturando, a química— acredita Manu, mãe de João Vicente, que está fazendo 9 anos hoje, e Antônio, de 2.

Ela diz que, na quarentena, tem preparado uma refeição em família todo dia.

— Eles ajudam em todo o preparo, desde descascar os legumes até colocar a mesa. Esta semana fizemos crepe, e adoraram. O recheio pode ser bem variado, com o que tiver na geladeira.

Além de ser um processo divertido, cozinhar também é educativo, diz Frédéric De Maeyer, da Fréderic Epicerie, pai de três:

— Criança aprende a contar, treina matemática, tem noção de medidas, de métodos, volume...

À frente dos restaurantes Puro, Massa e Ella, Pedro Siqueira conta que aprendeu a cozinhar com a avó, no Rio Grande Sul. Em casa, vê no filho David, de 9 anos, mais interesse pela gastronomia do que na filha Camilla, de 16:

— Ele curte, fica na cozinha prestando atenção em tudo.

Quando Camilla virou vegana, há sete anos, Pedro começou a preparar pratos sem produtos de origem animal, como ceviche de banana-da-terra. E sua filha também aprendeu algumas receitas.

— Ela me ensinou a fazer brigadeiro vegano. Resisti a provar, pois adoro chocolate (que leva leite). Mas foi uma surpresa: adorei. E recomendo a todos.

A seguir, receitas sugeridas pelos chefs

Cookies (Fred de Maeyer)

Ingredientes

135g de açúcar refinado

135g de açúcar mascavo

200g de manteiga

1 ovo

270g de farinha de trigo

0,5g de sal

200g de gotas de chocolate

Preparo

Bata os ingredientes (exceto o chocolate) na batedeira. Quando ficar uniforme, desligar e colocar as gotas de chocolate. Levar à geladeira por 2 horas até ficar firme. Fazer bolinhas com a massa, colocando numa assadeira untada ou com papel manteiga, dando espaço entre elas. Assar por 20 minutos a 180 graus

Rende 20 cookies.

Nhoque da Pituca (Elia Schramm)

Ingredientes

1 quilo de batata de casca rosa (“é a melhor, a mais macia”)

100g de parmesão

Preparo

Cozinhar a batata com água e sal. Quando estiver macia, escorrer, remover a casca e amassar como garfo ainda quente. Acrescentar o queijo e misturar. Dividir a massa em bolotas e formar “cobrinhas” (pode ser na mão em sobre superfície polvilhada com farinha para não grudar). Depois, cortá-las em pedaços (do tamanho do nhoque) e jogar, um punhado de cada vez, na água fervente com sal. À medida que cozinham, as bolinhas sobem (“Pituca enlouquece nessa hora!”). Subiu, é “pescar”na panela (e sempre tenho assistência da minha filha nessa hora) e ir colocando na travessa.

Molho

Uso 2 latas de tomate pelado. Coloco na panela com um fio de azeite, no fogo brando, adiciono cebola, alho e manjericão bem cortadinhos. Coloco uma colher de açúcar para ajustar a acidez do tomate e cubro o nhoque. “Por cima, salpico bolinhas de mozzarella de búfala, que a turma aqui de casa adora”, diz Elia.

Crepe (Manu Zappa)

Ingredientes

2 xícaras de leite

2 xícaras de farinha de trigo

2 ovos

50 gramas de manteiga (na temperatura ambiente)

uma pitada de sal

uma pitada de açúcar

Preparo

Bater todos os ingredientes no liquidificador. Esquente uma frigideira, em fogo médio, e unte com um pouco de óleo. Coloque uma concha da massa e rode a frigideira para que se espalhe por completo. Vire de lado com ajuda de uma espátula. Coloque o recheio e dobre ao meio. Pronto. Se for um crepe salgado, sirva com manteiga de salsa por cima.

Manteiga de salsa

50g de manteiga.

Salsa picada a gosto

Derreta a manteiga na panela, junte a salsa, deixe esfriar e leve pra geladeira

Recheios

“Nessa época de quarentena, faço com o que tem na geladeira”, diz a chef, que na terça-feira fez crepes salgados (de Catupiry com peito de peru, e de Catupiry com brócolis cozido) e doces (de chocolate e de doce de leite)

Ceviche de banana-da-terra e brigadeiro vegano (Pedro Siqueira)

CE VICHE

Ingredientes

4 bananas-da-terra maduras

1/2 cebola

1 tomate

1 limão

2 colheres de chá de azeite

pimenta dedo-de-moça a gosto

coentro a gosto

sal a gosto

Preparo

Cortar a banana em cubos. Depois, cortar tomate e cebola também em cubos, mas menores. Misturar os ingredientes, temperar com limão, azeite, pimenta se quiser, coentro. Acertar o sal. Servir com algum biscoito salgado crocante

BRIGADEIRO

Ingredientes

100g de tâmaras

1 colher de chá de cacau em pó

3 colheres de chá de amendoim moído

1 colher de melado

de cana

Preparo

Bater tudo junto no processador até ficar com textura cremosa. Enrolar em formato de brigadeiro, depois passar no amendoim moído.