Recenseadora do IBGE diz ter sido impedida de deixar chácara após divergência política

Uma recenseadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi impedida de deixar uma chácara em Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo, enquanto trabalhava na tarde desta sexta-feira (4), conforme relato de seu marido ao GLOBO. Segundo ele, os donos da propriedade, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), a proibiram de deixar o local depois de notarem um adesivo político no carro da recenseadora.

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Ainda na chácara, a recenseadora de 26 anos, que pediu anonimato, mandou mensagem para o marido pedindo ajuda. Ela informou que, ao avistar o adesivo do futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no para-choque, a dona da chácara fechou o portão, chamou um "capanga" e os vizinhos e acionou a Polícia Militar. Ao chegarem, relatou, os agentes foram tomar café com os proprietários do imóvel enquanto ela era mantida no local.

O professor Martinho Milani, de 54 anos, marido de Luana, conta que os donos do imóvel ameaçaram e humilharam a mulher.

- Além de fotografarem ela e as placas do carro, xingaram muito. Diziam: 'a petista nojenta vai sofrer nas nossas mãos' - contou Milani.

Em nota, o IBGE afirmou que uma recenseadora "foi detida, contra a sua vontade, numa residência que era recenseada, pelo proprietário, em Araçoiaba (SP). A polícia foi chamada. A coordenação do IBGE em São Paulo foi informada sobre o incidente, se dirigiu àquela localidade e está dando toda a assistência à recenseadora. Um boletim de ocorrência deve ser feito, na delegacia local".

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar foi acionada pela dona do imóvel "para atender uma ocorrência de desentendimento" e que a situação foi resolvida "pacificamente" no local. "Tratou-se de uma briga por questão política, mas não houve ameaça", disse.