Recife: Ciro e Marina entram na campanha de João Campos, enquanto Marília Arraes exalta Lula

Bruno Góes e Gustavo Maia
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Divulgação / Montagem
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BRASÍLIA — As campanhas de João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) vão explorar, no curto espaço da disputa pelo segundo turno à prefeitura do Recife, o apoio de políticos de relevância nacional. Ciro Gomes, candidato à Presidência pelo PDT em 2018, desembarca na capital pernambucana no domingo para pedir votos ao candidato do PSB. Também ex-candidata ao Palácio do Planalto, Marina Silva (Rede) já gravou depoimento a favor do filho do ex-governador Eduardo Campos. Enquanto isso, a petista continuará a exaltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Presidente do PDT, Carlos Lupi confirmou a agenda de Ciro no Recife. A aproximação é importante para que haja uma articulação bem sucedida entre as duas siglas em 2022, quando o país escolherá o sucessor do presidente Jair Bolsonaro.

— Vamos lá (ao Recife) no domingo. Temos uma programação. Como há restrições por conta da Covid, a gente vai fazer apenas algumas visitações com o João em alguns bairro, mas vamos também gravar (o programa de TV) para ele — disse Lupi ao GLOBO.

A vice de João Campos, Isabella de Roldão, é do PDT. No início do ano, o partido tinha um pré-candidato, o deputado Túlio Gadêlha, que foi preterido em razão da aliança. Derrotado internamente, Túlio quis indicar para a composição da chapa Rodrigo Patriota, opositor ao atual prefeito Geraldo Julio (PSB). Também foi impedido. Desde então, ele acompanha de longe o pleito.

Perguntado se Gadêlha participaria do ato, Lupi disparou:

— Acho que não. Está com uma birra danada com o João, provavelmente nem vai estar lá. Deve estar viajando.

Nesta sexta-feira, primeiro dia do programa eleitoral na TV do segundo turno, Marília citou o apoio de Lula à candidatura e mostrou imagens de Chico Buarque, que também embarcou na campanha ainda no primeiro turno.

Lula já disse publicamente que deve ir ao Recife caso Marília seja eleita. Ele prometeu ir à posse da petista, mas por enquanto está em isolamento por causa da Covid-19.

A disputa pelo segundo turno já é marcada pela troca de acusações entre os candidatos, que são primos. No primeiro debate, realizado na quinta-feira pela Rádio Jornal, até mesmo a briga que envolve as duas partes da família entrou no ringue eleitoral.

Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos e mãe de João, foi citada por Marília como alguém que poderia "mandar" na prefeitura caso o adversário fosse eleito.

João Campos, por sua vez, sugeriu que o PT nacional só apoiou a candidatura de Marília para poder ter influência no Recife. Ao tratar do assunto, também argumentou que a prima seria apenas um instrumento para "figurões" do partido. A candidatura de Marília foi bancada por Lula, contrariando veto dos diretórios municipal e estadual. Os petistas de Pernambuco sempre tiveram boa relação com o PSB e queriam apoiar João Campos.

Apesar de exibir o apoio de Lula, Marília ganhou o apoio do Podemos, partido da candidata derrotada no primeiro turno Delegada Patrícia Domingos. Ela havia recebido o apoio de Jair Bolsonaro, mas não conseguiu decolar. Armando Monteiro, cacique do PTB, e o prefeito bolsonarista de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, do PL, também apoiam a candidatura do PT no segundo turno.