Recife terá disputa entre primos no segundo turno: João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT)

Bruno Góes
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Divulgação / Montagem
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BRASÍLIA — A prefeitura do Recife terá uma disputa entre primos no segundo turno. Com 100% das urnas apuradas, João Campos (PSB), aliado da atual gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB), teve 29,17% dos votos. Já Marília Arraes, do PT, registrou crescimento na reta final e alcançou 27,95% dos votos válidos. O filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos defende a continuidade de quase oito anos do PSB na prefeitura. No estado, são praticamente 14 anos de hegemonia da legenda. Já Marília tenta uma guinada à esquerda, com apoio explícito e constante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Poucos meses antes da morte do pai, em 2014, João Campos chegou a abrir mão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para apaziguar um dissentimento político com a prima, a então vereadora Marília Arraes. Ela saiu do PSB após discordâncias entre os principais dirigentes da sigla. Hoje, ambos são deputados federais e disputam o legado do ex-governador Miguel Arraes, figura exaltada pelas duas campanhas. Os adversários são jovens. João tem 26 anos. Marília, 36 anos.

Apesar de ser um disputa local, o pleito representa uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro. Há uma semana, ele declarou apoio formal à Delegada Patrícia Domingos, do Podemos. Ela teve 14,06%% dos votos válidos, em quarto lugar. Ficou atrás de Mendonça Filho (DEM), com 25,11% dos votos. A candidata já estava em queda quando o presidente da República resolver interferir na capital de Pernambuco.

A campanha de Patrícia Domingos entrou em crise e começou a desmoronar quando Mendonça Filho, adversário direto pelo voto de direita e centro-direita, levou ao programa de TV mensagens antigas escritas por ela no Facebook. Foram reveladas postagens preconceituosas. Numa delas, Patrícia, que é carioca, chamou a capital pernambucana de "Recífilis".

O apoio gerou ainda uma crise interna na chapa de Patrícia à prefeitura. O Cidadania, que indicou o vice Leo Salazar, deixou de apoiá-la. Em nota, o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, afirmou que o apoio de Bolsonaro, classificado como "um obscurantista e negacionista", é "incompatível com os valores e princípios" do partido. Do lado de Mendonça, o apoio também incomodou. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), foi às redes sociais reiterar seu apoio a Mendonça. Sobre a atitude de Bolsonaro, se disse "surpreendido".

Apesar dos ataques de Mendonça contra a delegada, João Campos foi o alvo preferencial da campanha eleitoral. Marília Arraes, cuja candidatura foi garantida por Lula, passou a atacar o primo com mais intensidade. A situação deixa o PT pernambucano em uma saia-justa, já que possui uma boa relação com o PSB. Na terça-feira, em debate, Marília perguntou se Campos confiava na equipe de Geraldo Julio após a realização de operações da Polícia Federal. João Campos disse que sim, mas ressaltou que causava estranheza uma candidata do PT falar de corrupção.

Marília participou na sexta-feira de uma transmissão ao vivo com Lula, o principal cabo eleitoral da candidata. Na conversa, Lula se comprometeu a comparecer à posse da petista, caso seja eleita.