Reconstituição no Morro São João busca identificar de onde partiu o tiro que atingiu Arthur Esperança

Rafael Nascimento de Souza

A reprodução simulada na manhã desta quarta-feira no Morro do São João, no Engenho Novo, poderá indicar de onde partiu o tiro que atingiu a cabeça do menino Arthur Gonçalves Monteiro Esperança, de cinco anos. O garoto jogava futebol com o pai, em uma quadra da comunidade — em uma região conhecida como Igreijinha — quando houve troca de tiros entre policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) São João e traficantes da região. A reconstituição é realizada 15 dias após o incidente.

Por ser uma localidade conflagrada, a Polícia Militar montou uma operação para que a 25ª DP (Engenho Novo) fizesse a reprodução em segurança.

O pai da criança, o segurança Paulo Roberto Monteiro, de 36 anos, também participa da simulação. A reprodução foi adiada algumas vezes porque o homem não tinha condições de voltar ao local. Na hora do tiroteio Paulo Robberto brincava com Arthur. Tentando protegê-lo, ele acabou sendo baleado na mão esquerda.

A PM não informou se os quatro policiais militares que estavam no confronto participam da simulação. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) participam da ação. O laudo que poderá indicar de onde partiu o tiro deverá ficar pronto em até 30 dias. Até o momento, a Polícia Civil não sabe de qual arma partiu o disparo. Os quatro fuzis dos PMs foram aprendidos e também estão sendo periciados pelo ICCE.

A reconstituição durou uma hora. Ao sair da comunidade, o pai de Arthur não quis falar com a imprensa. Perguntado se ele e o filho estavam bem, o segurança balançou a cabeça e disse que sim.

Familiares do menino acompanharam a perícia, entre elas Tatiane Zucateli, que comemorou a saída do sobrinho do CTI.

— O impacto (da bala) foi muito forte. Mas, graças a Deus o meu sobrinho está reagindo ao que aconteceu. Estamos esperançosos e ele vai sair dessa — disse Tatiane, de 36 anos.

O outro tio de Arthur também estava na simulação. O homem voltou a criticar a política de segurança pública do governador Wilson Witzel (PSC).

— A gente achava que essa violência nunca iria chegar na nossa casa. No entanto, de uma hora para outra a gente é atingido. O Arthur não é o primeiro e nem será o último se essa política de segurança continuar. Ao invés de chegarem atirando, porque não usam a inteligência? — diz o vendedor Carlos Eduardo Zucateli, de 41 anos.

Arthur saiu do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, na última semana. Segundo a direção da unidade, o estado de saúde da criança é estável. Não há previsão de alta médica.