Record publicará livro vetado pelo Itamaraty por causa de prefácio de desafeto de chanceler

PATR͍CIA CAMPOS MELLO
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 01.08.2019: O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante entrevista coletiva para falar sobre os dados de monitoramento de desmatamento do país, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A editora Record vai publicar o livro que foi vetado pelo Itamaraty por causa de seu prefácio, escrito por um desafeto do chanceler Ernesto Araújo. O livro será editado por Carlos Andreazza, editor-executivo da Record, e deve sair no começo de 2020.

O embaixador Synesio Sampaio Goes Filho, um dos maiores historiadores da diplomacia brasileira, havia sido incumbido pela Funag (Fundação Alexandre de Gusmão), braço cultural e pedagógico do ministério, de escrever a biografia de Alexandre de Gusmão, que batiza a fundação.

Gusmão, conhecido como "avô da diplomacia brasileira", foi um diplomata com papel crucial nas negociações do Tratado de Madri (1750), que determinou os limites territoriais das colônias portuguesas e espanholas na América do Sul.

Em julho deste ano, quando entregou à diretoria da Funag os originais de "Alexandre de Gusmão (1695-1753): O Estadista que Desenhou o Mapa do Brasil", Goes Filho foi informado de que o livro só seria publicado se ele retirasse o prefácio escrito por Rubens Ricupero, ex-embaixador em Washington e também historiador da diplomacia.

Ricupero já fez muitas críticas ao chanceler e aos rumos da política externa no governo Bolsonaro.

Goes Filho afirmou que houve censura e que estava procurando uma nova editora para publicar seu livro.

Ele também é autor de "Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas: um Ensaio sobre a Formação das Fronteiras do Brasil (2001)", livro que é um dos mais vendidos da Funag e considerado leitura essencial para diplomatas.